23.5.06

Desfazendo os mitos sobre a adoção

Tudo o que é cercado de mistério e de segredo, também acaba cercado de mitos. E mito é o que não falta em relação à adoção, especialmente no Brasil. O mais conhecido é aquele que aponta as crianças adotadas como mais problemáticas.
"Não necessariamente", afirma a assistente social Maria Josefiba Becker, especialista em direitos da criança e do adolescente. Para ela, não é possível atribuir todos os problemas de uma criança adotada ao simples fato de ela ter sido adotada. "A qualidade dos vínculos afetivos estabelecidos com os pais, biológicos ou adotivos, é, em grande parte, responsável pelo bem estar, segurança, auto-estima dos seres humanos", completa.
A psicóloga Dulce Barros concorda: "É evidente que nem todas as crianças têm facilidade de lidar com a informação de que vêm de outra família, especialmente quando isto é dito de repente, ou quando nunca é dito abertamente", explica. "Por isso, o certo é dizer a verdade desde cedo, e ficar sempre ao lado da criança, para que ela perceba o amor dos pais, mesmo que esteja magoada com eles".
Outro mito muito difundido é o de que as crianças adotadas sempre desejam conhecer os pais biológicos. "Isso é coisa de novela. Na vida real, a maioria das crianças prefere nem pensar no assunto, e muitas vezes até negam o fato de terem sido adotadas", relata a doutora Dulce.
Outra impressão errada é a de que as crianças adotadas com mais idade, por terem vivenciado mais intensamente a experiência do abandono, são mais revoltadas e têm mais dificuldade de se adaptar à nova família. Como observa a assistente social Maria Josefina Becker, "a experiência do abandono é, realmente, muito dramática.
No entanto, quando adotada por pessoas amorosas, compreensivas e com capacidade de acolher e tolerar algumas frustrações iniciais, a criança pode perfeitamente superar os traumas vividos pelo abandono". Ela também salienta que "a vivência do abandono, sobretudo o abandono afetivo, pode ocorrer em crianças criadas com sua família biológica."
Quanto a esse mesmo tema, a psicóloga Dulce Barros acrescenta que, ao contrário do que pensa o senso comum, as crianças adotadas com mais idade, por entenderem melhor a situação, tendem a se adaptar mais facilmente à idéia do que aquelas adotadas quando bebês. "Nos casos em que um irmão mais velho é adotado junto com os irmãos menores, é ele que faz o papel de mostrar aos menores o quanto a nova família é importante".
Fonte : http://mulher.terra.com.br/maesefilhos/interna/0,,OI384679-EI4108,00.html

3 comentários:

Glaucia disse...

Bem vinda Carmem!
Obrigada pela contribuição, muito bom contar com gente boa e empenhada como você.
Faça uma apresentação, nos conte sobre você.
Beijos
Glaucia

Lado a Lado - conversas terapêuticas disse...

Oi,
Sou Psicóloga, terapeuta de família e me interesso pelo assunto adoção. Queria postar alguns textos. Como faço? Um abraço a todos!!!
Camila Monteiro

Glaucia disse...

Camila

Como vai? Seja bem vinda, eu porecido do seu emailpara enviar o convite.
Glaucia