16.10.09
Texto que a minha filha Raquel (12 anos) escreveu para meus pais no último final de semana:

"Família é uma palavra muito forte, é ter amor, carinho, paciência, sinceridade um pelo outro, que é o que tenho pela minha.
Mas família não é só ter filho do parto cesariano ou normal, nada a ver. Podemos ter uma família adotiva e não precisamos ser iguais uns aos outros.
Podemos ter morenos, ruivos, brancos, loiros, negros, deficientes...Mas mesmo tendo uma família diferente ou igual temos e podemos ser felizes como todos os seres humanos podem também."
 
posted by Cá at 4:54 PM | 1 comments
6.10.09
Se a gente for verificar o perfil pretendido, vai ver que a grande maioria das pessoas prefere meninas. Isso tem uma explicação muito simples, a crença de que meninas são mais amorosas, mais calmas e mais companheiras. Mas eu, como mães de meninos, ouso discordas. Descontando o fato real de que meninos não gozam do privilégio de terem vitrines inteiras de roupas e sapatos, são uns doces... e só mesmo os discrimina quem não os tem por perto, kkkk;


Sou apaixonada por este texto, enviado pela Déa em 2007... e que na minha opinião, retrata com perfeição estas criaturas...


"O que é um menino?" João José Marell
Os meninos vem em tamanhos, pesos e cores variados.
Eles estão em toda parte em cima, embaixo, lá dentro, lá fora, pulando, correndo...
As mães os adoram, as meninas os detestam, os irmãos mais velhos também, os estranhos os ignoram, e o céu os protege.

Um menino é a verdade de cara suja, a sabedoria de cabelos desgrenhados,
a esperança com uma rã no bolso.
Os meninos têm o apetite de um cavalo, a digestão de um avestruz, a energia de uma bomba atômica, a curiosidade de um gato; os pulmões de um político, a imaginação de um Julio Verne, a timidez da violeta, a audácia do tigre, o entusiasmo de um líder -
e quando fazem algo, têm cinco polegares em cada mão.

Adoram doces, canivetes, serras, novidades, história em quadrinhos, o filho do vizinho, o campo, a água (menos do banho), os animais, o PAPAI, trens, domingos de manhã e carros de bombeiros.
Detestam visitas, rezas, escolas, livros sem figura, aulas de música, gravatas, o barbeiro, meninas, casacos, adultos e a hora de dormir.
Não há quem se levante tão cedo, nem quem se sente á mesa tão tarde.

Não há ninguém como eles para meter num só bolso um canivete enferrujado, uma fruta pela metade, um pedaço de cordão, um saco de pano vazio, dois bombons, seis moedas, um pedaço de algo desconhecido, e um autêntico anel supersônico de plástico e com um compartimento secreto.

Um menino é uma criatura mágica.
Você pode fechar-lhe a porta do armário, mas não a do seu coração;
pode expulsá-lo do estúdio, mas não da sua mente.

Todo o poder do mundo a ele se rende.
Ele é o nosso amo e chefe, ele, que é só um monte de ruídos com cara suja.
Porém, quando você chega em casa à noite, com suas esperanças e ambições destruídas, ele pode tudo remediar com um sorridente:

OI MAMÃE! OI PAPAI!
 
posted by Adriana at 11:21 PM | 0 comments
10.8.09
Achei mais textos, bem conhecidos, mas sempre bem vindos...

Não habitou meu ventre,
mas mergulhou nas entranhas da minha alma...
Não foi plasmado do meu sangue,
mas alimenta-se no néctar de meus sonhos...
Não é fruto de minha hereditariedade,
mas molda-se no valor de meu caráter...
Se não nasceu de mim,
certamente nasceu para mim...
E se mães também são filhas,e se filhos todos são...
duplamente abençoado és,
meu filho do coração!!






 
posted by Adriana at 11:21 PM | 2 comments
9.8.09
Navegando no Orkut, achei este texto na apresentação de uma amiga.... não resisti e trouxe para cá.. espero que vcs tb gostem.


Os olhos do nosso filho

Os olhos do nosso filho
São ainda de cor incerta
Não sei sequer se existem
Vão ser de Deus uma oferta

Existem na minha alma
Cravados no meu semblante
Os olhos do nosso filho
Que teve nascer errante

Foste esculpido a preceito
Nas entranhas de outro ser
Não vais sorver do meu peito
Este meu longo querer

E nestas voltas da vida
Cuidou-te Deus sem saber
Para que não herdes no sangue
Este meu estéril sofrer

Não vais nascer de mim
De outro ventre virás
Mas filho da minha alma
Tão amado serás!

E nesta triste incerteza
Me pergunto em desalento
Já nascente de alguém?
Ou é Deus que te traz?

Ala dos Reis
 
posted by Adriana at 11:16 PM | 0 comments
8.8.09
"Doenças graves, doenças leves, problema psicoló gico grave, problema psicológico leve. Eu nem sei direito o que é isso, como eu posso ficar ponto sim ou não, eu não sei os planos de Deus pra ficar escolhendo assim. E eu não sei como meu filho é ou está pra por nessa ficha. E se com um desses "nãos" a gente afastou ele do nosso caminho?”


Meu pitaco pessoal, muito pessoal, sobre a dúvida acima, tão comum....

Existem muitos sentimentos dentro de quem busca a adoção, muitos conflitos a serem dirimidos, vários dos quais sequer sonhamos que existam.
Nós, pretendentes, temos a idéia de que nosso filho, aquele que a cegonha entregou em lugar errado, está nos esperando, cheio de esperança, aguardando os instantes de nosso reencontro.

Porém, acho que cabe a pergunta: “o que faz de uma criança meu filho??????”


Pode parecer loucura, mas a razão é simples: não existe a criança idealizada, aquela que vão soar as luzes ao ser apresentada a vc. Existe, sim, a sua vontade de fazer de uma criança seu filho, qualquer que seja esta criança. Vou tentar explicar melhor: outro dia, imaginando meu filho mais velho em um abrigo, eu fiquei muito triste. Acontece que se ele estivesse em um abrigo seria uma criança, mas não meu filho... ele é meu filho por tudo o que construímos juntos, será que deu para entender?


Por isso acho que a escolha do perfil não deve trazer culpa, mas sim refletir uma escolha pensada, já que cada um sabe de seus limites.

Fato é que quanto mais restrito for, pior a espera. Menina branca, RN, esquece que não existe tão fácil. Restringir idade, sexo e cor ao mesmo tempo realmente dificulta as coisas.

Agora, quando se trata de doenças creio que devemos pensar bem. Me desculpem os que alegam que se fosse bio não teria opção, acontece que é adotado e existe opção. Ponto.

Antes de dizer sim ou não, devemos pensar o que esta escolha efetivamente acarreta. Por exemplo: uma criança com PC significa que vc provavelmente vai ter que fazer sessões de fisioterapia. Uma criança surda, cega ou com down vai ter que estudar em escola especial (tem perto da sua casa?) Seu convênio cobre? Como vc vai lidar com as dificuldades desta criança no dia a dia, já pensou?


As crianças de adoção tardia normalmente precisam de ajuda psicológica. Vc tem disponibilidade de levar ao psicólogo? Está disposta a fazer terapia? E assim por diante......


Não quero dizer, em absoluto, que só devemos adotar crianças 0km, nunca. Quero dizer apenas que devemos pensar e repensar sobre nossas possibilidades.

 
posted by Adriana at 12:10 AM | 0 comments
11.6.08

Muitos de vocês não devem se lembrar de mim. Fiquei muito tempo afastada, repleta de questões pessoais para resolver, trabalho, filho, processos, enfim...

O resumo da minha história, ou melhor, da nossa história é o seguinte:
Me inscrevi no Conselho Tutelar da cidade onde eu morava, buscando adotar uma criança de 0 a 5 anos de idade, sem distinção de sexo, cor, etc. Ficamos exatos 9 meses aguardando algum contato, eis que no dia 6 de março de 2006, recebemos a ligação do Conselho Tutelar dizendo que havia um menino de 5 anos que se encontrava na Casa de Passagem com uma mãe social e que lá não poderia mais ficar e nem passar aquela noite. Eles estava a procura de uma família substituta.
Pegamos o carro e fomos para lá. Nos contaram uma história breve sobre o menino que sofria maus tratos diversos, explorações de todas as ordens, estava sub-nutrido, e se havia interesse de vermos a criança antes de decidirmos ficar com ela.
Na ocasião eu disse que não queria vê-lo antes, pedi apenas para me darem a papelada para assinar pois ele iria pra casa conosco, independente de quem ele fosse e como ele era. Assinei os papéis e fui buscar o menino.
Ele estava arrumadinho, com sua mochilinha nas costas nos esperando. Nos apresentaram como "tios" e ele tímido veio no meu colo e o trouxemos para casa. Aqui já estavam meus cunhados e minha irmã esperando por nós. E neste primeiro dia ele me chamou de mãe e o meu marido de pai. Era como se ele sempre estivesse aqui... Aquele, definitivamente, não era o primeiro dia, pois não era isso que o nosso sentimento dizia. No dia seguinte, ele acordou com um sorriso nos lábios.
Deste dia em diante, Natan está aqui pra sempre.
Meu filho, minha vida, meu amor.
Não o vi dar seus primeiros passos, mas o acompanhei quando começou a escrever as primeiras palavras.
Não presenciei quando começou a falar, mas o ajudei a aprender a ler.
Estive presente em todas as suas conquistas, desde as medalhas que ganhou nos campeonatos de natação (algumas em primeiro lugar) até quando aprendeu a amarrar seus cadarços sozinho.
Apesar de todas as dificuldades que passou antes de estar aqui, Natan é uma criança feliz, saudável, inteligente, que sabe brincar, sabe dividir, compartilhar, dar carinho.
Hoje, ele tem 7 anos e estamos com o processo de adoção completando quase 2 anos.
Em meio a este processo, a mãe biológica em primeira instância foi favorável a adoção, mas em seguida quis ter o filho de volta. Não me abalei porque sei com todo o meu coração que o Natan é o meu filho, que daqui só sairá no dia em que se casar... rs... ou quando for adulto e quiser ter sua independência. Não tenho medo de perdê-lo, pois ele é nosso e sempre foi de certa forma. Não há nada que abale ou consiga desfazer os laços que foram criados entre nós. Laços de sangue? Não! Laços de amor que são muito mais firmes e apertados.

Ontem, recebemos a notícia do nosso advogado de que o Juiz do caso é favorável a adoção e que agora falta muito pouco para finalizar todo este cansativo processo. No mais, não penso muito nisso, pois sei que tudo acabará bem para todos. O que penso todos os dias é em criar o meu filho para ser um homem de bem.

Beijos e desculpas por não estar tão ativa quanto gostaria.

- Mila Viegas, mãe do Natan (7 anos) -
 
posted by Mila Viegas at 2:17 PM | 10 comments
18.5.08
Sou mãe de dois filhos adotivos e me irrito quando dizem que eles não são meus "filhos verdadeiros".

VOCÊ TEM TODA A RAZÃO de se irritar. Um doador de esperma, por acaso, é um pai "verdadeiro" ou é um simples masturbador de material genético? É claro que você vê orgulho nos pais biológicos que também desempenharam a paternidade. Seus filhos têm seus traços, seus trejeitos, suas heranças biológicas. Eles são pequenas miniaturas deles.

A mãe natureza quer esse vínculo, para o benefício das crias. A tolerância de pais biológicos para um "sangue ruim", que a loteria genética lhes produza, será maior do que a de pais adotivos.

Mas, afinal, o que são um pai e uma mãe "verdadeiros"? São aqueles que produzem as condições para que a criança se torne uma pessoa, um indivíduo. São aqueles que desempenharam funções de pai e de mãe (continuação do ventre é igual a nutrição; calor e proteção, função de mãe; apresentação suave para viver no mundo, função de pai). Todas podem ser desempenhadas pela pessoa, quem quer que seja, interessada na criança: mãe, pai, babás, avós, curadores de orfanatos etc.

Quando um embrião se torna um ser humano (desenvolve um sistema nervoso que o permite sentir alguma coisa), vai precisar dessas funções para se tornar uma pessoa. É um trabalho danado, um investimento amoroso enorme. A "verdade" está com quem toma para si tal empreendimento.

(texto escrito por Francisco Daudt, psicanalista, publicado na Revista da Folha em 27/04/08)
 
posted by Adriana at 10:04 PM | 2 comments