13.7.14

Não dá pra devolver...


1. Há um tempo atrás, uma amiga contava como foi a chegada do filho n.02. O filho n.01, enciumado, simplesmente cortou relações com ela. Sem tempo pra dormir ou comer, foi ficando cada vez mais estressada. Uma amiga perguntou como ela tinha conseguido resolver o problema. Ela respondeu que "não dava pra mandar de volta" então teve que se virar.

2. Uma amiga acabou de ter bebê. Segundo a irmã, ela está com depressão pós parto. Eu conversei pessoalmente com ela e creio que a depressão tem outro fundo que não o pós parto: a certeza dela de que é uma péssima mãe porque "não dá conta de tudo".

3. Em uma reunião do grupo de adoção uma assistente social contava, em tom de chacota, que um casal, há anos na fila, havia devolvido um bebê sob a justificativa de que ele chorava muito.

4. Uma adotante uma vez disse que gostaria de ter sabido antes o que a esperava, não que não fosse adotar... mas teria se preparado de forma diferente.

Porque estou contando estes casos? Porque hoje acredito que eles estão interligados. A moça do 3o caso pode ter devolvido o bebê não porque ele chorava muito (como se fosse um defeito de fabricação) mas porque não se sentia capaz de fazer daquele bebê um ser feliz.Acontece que ao invés da moça do tópico 1 ela podia devolver pra fonte... e o fez.

As reuniões dos grupos de adoção a que eu presenciei ( e não foram poucas) lidavam com o stress da espera, com a conscientização de que não existem bebês meninas disponíveis e que a adoção tardia deve ser encarada como uma possibilidade concreta. 

Quando eu sugeri que deveria ser incluído em pauta apoio pós adoção foi sarcasticamente respondido que "judiciário não é babá". 

Mas eu creio que nós podemos sim, nos preparar de forma consciente pra a chegada de um novo membro na nossa família.

Podemos e devemos, claro, sonhar com o dia em que o telefone toca... mas também devemos nos preparar para as mudanças necessárias que serão feitas em nossa rotina:
- nossa casa está preparada para receber as crianças? Algumas pessoas estão abertas a adoção de grupos de irmãos. Embora a AS faça este trabalho, pense se em sua casa cabem mais três camas, por ex. E o carro? Tem que trocar? E a escola, tenho uma idéia?
- nosso orçamento está preparado para destinar dinheiro pra outros lugares? Eu sempre ouço pessoas falando que não podem viajar pra buscar uma criança muito longe de sua residência.Se seu orçamento está inteiro comprometido com a prestação do carro, viagem, reforma da casa, melhor fazer uma planilha. Uma criança tem outros gastos que não apenas a alimentação: tem também o plano médico, escola, materiais...
-sua rotina diária como será? Que mudanças deverão ser feitas? Vc gosta de ir pra balada? Viajar? Comer lanche todo dia?
- como se comportam crianças de tal faixa etária? Como devo lidar com isso? Vou precisar de apoio especializado (psicóloga, fonoaudióloga, etc..)

Pode parecer besteira, mas uma vez aprendi que planejamento mental é tudo. A gente tem tempo de se preparar e não é pego de surpresa.



10.7.14

Pós-adoção?



Fico muito preocupada quando vejo que as Varas, em geral, preocupam-se apenas e tão somente com o adotante enquanto pessoa apta a adotar.

Assinou o papel, acabou-se o problema do Judiciário.

E o adotante, não raro, fica perdido no meio de uma avalanche de emoções.

Já li sobre depressão pós adoção.. algo similar a depressão pós parto.

Assinados os papéis, cumprida a roda viva de exames e compras, temos um grupo de pessoas que simplesmente estão juntas.. já podem ser consideradas uma família?

Acho importante pra vc que está aí do outro lado, considerando uma adoção tardia, considere também o desenrolar dos dias... 

Se eu quero que vc desista? Se eu não acho aconselhável? Jamais!! Quero que vc se prepare psicologicamente para momentos difíceis, a fim de não desistir na primeira oportunidade.

Um amigo meu me disse que vc só entende a reencarnação (para aqueles que nela creem, bem entendido) quando vc tem filhos... pq aí pode-se perceber que uma criança, por menor que seja, tem personalidade, vontade, gostos... e que estes não refletem, necessariamente, a personalidade ou vontade dos pais.

Ponha-se no lugar dessa criança. Procure entender o que se passa na mente dela. 

Profissionais talvez sejam necessários pra que vc possa entendê-los. Tenha muito claro que não será possível simplesmente apagar tudo o que a criança viveu como num passe de mágica. 

Troque ideias com amigas e faça buscas na internet. Crianças são muito iguais e tendem a ter as mesmas reações, pouco importa suas origens.

Respeite o espaço e limites da criança. As regras da sua família devem ser estabelecidas aos poucos. Lembre-se, ainda, que se o objetivo é a formação de uma família, as regras devem ser estabelecidas não visando só o que vc acha certo.

Tenha paciência, muita paciência. Não exite em pedir ajuda especializada, nunca. 

Procure manter a calma... e lembre-se que a perfeição não existe.

23.6.13

Cumplicidade Indecente- Por Savio Bitencourt

Bons textos devem obrigatoriamente serem partilhados... li na página da Dra. Silvana do Monte Moreira, advogada carioca e incansável batalhadora pelos direitos das crianças.

Tenho denunciado com frequência a existência de uma trágica realidade para crianças e adolescentes brasileiros: condenados ao abandono em instituições, não tem respeitado o direito constitucional a viver em família, bem debaixo dos narizes empertigados daqueles que têm o dever de zelar por sua proteção.

Uma razão para a delonga demasiada de soluções eficazes para o abrigamento indiscriminado é a demagogia paralisante que assola as relações sociais no Brasil. Este movimento de adoração da pobreza como causa de todas as mazelas sociais justifica qualquer atividade ilícita praticada pelos que nela se encontram. Por esta corrente de pensamento que perniciosamente se instala nas consciências de profissionais pagos para garantir direitos da criança, tudo, inclusive o abrigamento e o abandono de crianças, se justifica pela pobreza. Este raciocínio é frontalmente oposto ao mandamento constitucional e se baseia em argumentação muito pouco sólida.

Com efeito, dizer que a pobreza autoriza o abrigamento por tempo indeterminado é privilegiar o direito do adulto em detrimento do direito da criança. Inverte-se a lógica da proteção à criança para se consagrar sua “coisificação”, já que passa ela a ser “pertencente” a sua família e ficar “guardada” pelo tempo que for necessária a sua reestruturação. O mais curioso é que os que levantam esta bandeira atribuem ao princípio da proteção integral o dever do poder público de proteger a família para que ela possa receber sua criança de volta. Sendo insuficientes as políticas públicas para tal fim, a família não poderia ser “penalizada” com a “perda” de seu filho. O raciocínio não é muito profundo em termos de intelectuais e se despedaça ao se constatar a realidade dos fatos.

Primeiro, é necessário se afirmar que a proteção integral se destina à CRIANÇA. É ela que deve ser integralmente protegida do abandono em instituição, preferencialmente voltando para sua família biológica, mas se isso não for possível no curto prazo, deve ser destinada à adoção para que sua infância não pereça em função de problemas de adultos. Em segundo lugar, dizer-se que a pobreza é “a” causa do abandono não corresponde inteiramente à verdade e é uma injustiça com a maioria esmagadora das pessoas pobres do país que, diante das maiores dificuldades, lutando contra tantos obstáculos, criam seus filhos em sua companhia.

Este raciocínio é compatível com “o mito do amor materno” segundo o qual toda a mãe e todo pai amam seus filhos biológicos de uma forma socialmente uniforme. Nada mais equivocado: há pais e mães biológicos que não tem apreço por seus filhos, por inúmeras razões que não cabem ser aqui discutidas, demonstrando com a falta de cuidado seu desamor. O cuidado é o corpo de delito do afeto. A ausência do primeiro importa na inexistência ou na insuficiência do segundo. É compreensível que o alcoolismo, o uso de drogas, a ignorância e a criminalidade, dentre outros fatores, possam levar as pessoas a este estado de desapego com seus filhos. É possível e desejável que se tente ajudar estes adultos e promover sua capacitação para a vida em sociedade.

Só não é admissível que os filhos destas pessoas paguem com sua infância, trancafiados em instituições, esperando recuperações improváveis e demoradas, quando em grande parte dos casos a recuperação do adulto evidentemente é improvável em curto prazo.

Deixar uma criança anos a fio num abrigo é uma ilegalidade abominável que não pode ser tutelada pelo Poder Público, sob pena de indecente cumplicidade.

25.5.12




Este post está rascunhado desde o dia das mães, data em que é impossível não se ver cercada dos mais comoventes depoimentos femininos. A dor do filho que não nasceu é grande, é imensa. Como diz o Chico, "saudade é arrumar o quarto/do filho que já morreu"- ou que nem nasceu...

Tenho ouvido, ao longo da minha vida, nos mais variados tons, eu não posso ter um filho. Algumas vezes como lamento, outras com raiva, outras com mágoa... e outras com indiferença burilada em anos de dor - não era pra ser, bola pra frente.

Eu costumo dizer que Deus pode querer que alguém não fique grávida, mas ele sempre quer que alguém seja mãe.

O discurso mais frequente é "Adoção não é pra mim". E eu sempre fico pensando, por que não?

O que faz uma criança adotada ser diferente aos olhos destas pessoas?  O que o sangue garante? 

Estas pessoas desconhecem uma verdade absoluta: todos os seres são paridos, mas nem todos são adotados. Você pode ter ficado grávida, ter parido, mas se não se dispuser a adotar esta criança, ela não será sua filha. Se vc não se dispuser a formar laços com ela, no dia a dia, ela não será sua filha. Se vc não se dispuser a amá-la, a dedicar seu tempo com ela, ela não será sua filha.

Fosse a voz do sangue tudo, não haveria tantos filhos bios largados no mundo, e nem estou falando dos "pobrezinhos abandonados". Estou falando daquela criança de família classe média cujos pais delegam todo o cuidado à empregadas; daquelas cujos pais não tem tempo para reuniões na escola ou festinhas; daqueles que tem filho pra por a foto na carteira apenas. Fosse a voz do sangue garantia de vida feliz em família não haveria tantos consultórios com gente buscando ajuda. Não haveria tantas "ovelhas negras" nas famílias (e cabe aqui um parentese, pq na mais pura voz do preconceito, sempre que em uma "família de bem" surge um dependente de alcool, drogas, ou até mal comportamento, vem a piadinha "ele foi trocado na maternidade" "tem certeza que ele não foi adotado").

O sangue não garante nada, salvo as mesmas doenças que vc tem em família. O que garante tudo é a formação que vc se dispuser a dar.

E por último, uma coisa que penso sempre... ok, adoção não é pra vc. Mas vc esteve na maternidade, teve seu pimpolho. Dois anos depois vc tem um oficial à sua porta dizendo que seu bb foi trocado e a "verdadeira mãe" o quer de volta. Vc acha que se sentiria aliviada pq "nunca tinha conseguido amar esta criança, sabia que ela não era sua" ou vai ficar desesperada??????

Pense nisso. Pense que ser feliz depende muito mais só de vc do que vc imagina!

Como diz minha prima: "Deus tem muitos caminhos para distribuir suas bençãos"... e quer benção maior do que ter um filho?

15.5.12

Crianças adotadas cedo não levam vantagem em relação às adotadas tardiamente, diz pesquisa

Estudo também mostrou que filhos adotados e não adotados apresentam mesmas queixas


No sucesso de bilheteria Bruna Surfistinha, estrelado pela atriz Deborah Secco, a personagem Raquel sofre com o complexo de inferioridade e com os deboches do irmão mais velho por ser adotada. A adolescente deixa a casa e a superproteção dos pais para cair em um mundo de drogas e prostituição.

Embora a história seja uma autobiografia, ela não reflete a realidade da maioria das famílias que têm crianças adotadas. Essa foi uma das conclusões tiradas em pesquisa de mestrado em Psicologia Clínica da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), orientada pela professora Maria Lúcia Tiellet Nunes (a pesquisa não tem relação com o filme).

Com base em prontuários de 316 meninos e meninas atendidos em clínicas-escola de Porto Alegre, a mestranda Andrea Kotzian Pereira investigou se havia diferenças nas queixas apresentadas por crianças adotadas e não adotadas no momento em que buscam atendimento psicoterápico. Do ponto de vista estatístico, a pesquisadora não encontrou diferenças significativas entre os dois grupos.

— Existe uma ideia de que crianças adotadas têm dificuldades devido à condição. Mas as queixas que mais apareceram foram em relação à agressividade e aos problemas de aprendizagem e atenção, nos dois grupos — conta Andrea.

O comportamento agressivo é a reclamação que mais aparece nos tratamentos entre adotados e não adotados (29,1% e 26,6%, respectivamente), seguido de problemas de atenção (20,2% e 17,7%). Os prontuários que integram a pesquisa são de crianças entre um ano e meio e 12 anos.

Além desse resultado, a pesquisa aponta para o fato de que as crianças adotadas mais cedo não levam vantagem em relação às adotadas tardiamente. Andrea acredita que o que interfere são as questões mais constitucionais, genéticas, e vê uma mudança na forma como o tema vem sendo tratado:

— Antigamente, a questão da adoção ficava como um segredo e, na maioria dos casos, era ilegal. Há um movimento no sentido de ser algo mais falado, mais exposto. Quando a criança não tem muito clara sua história, sua origem, é difícil para ela aprender outras coisas.

(Texto original daqui indicado por Suzana Sofia Schettini)

29.4.12

Qual a melhor escola?


 Uma pergunta recorrente para papais em adoção tardia é qual a melhor escola para crianças adotadas?

Presumo que eles queiram saber qual o melhor método; qual a melhor apostila, qual a melhor estrutura... 

Muitas vezes os novos pais, na ânsia de proporcionarem aos seus filhos o que lhes foi negado até agora, os matriculam na melhor escola possível, achando que o " defict" pode ser suprido com aulas extras e lição de casa. 

O resultado nunca muda: "eu não entendo pq ele não se esforça para recuperar" "ele não aceita que eu ajude" "eu só recebo queixas da escola"....

O que acontece de errado????? 

Em primeiríssimo lugar, vamos esclarecer que não existe a melhor escola; existe a escola que melhor se adapta ao seu filho, aquela que se mostra mais receptiva a ajudar no real desenvolvimento da criança, respeitando seus limites sem se mostrar "acomodada".

Sua criança vem de um outro lugar em que não existia estrutura familiar (salvo raras exceções). Ele tem que se adaptar à nova casa, à nova família, estabelecer uma nova rotina, tem que se adaptar ao fato de que agora tem pais... em outras palavras, tudo o que ele tinha de concreto em sua vida mudou, e se exige adaptação a uma nova realidade.

Junte a isso que existe um defict sim, e que isto ocorre por várias razões... e que não vai ser matriculando na melhor escola que vc vai conseguir suprir todas as falhas em pouco tempo; o mais provável é que vc tenha que ficar brigando para fazer as lições e com isso se torne professora, perdendo um tempo precioso na construção da relação pais e filhos.

Tá bom, então, o que se faz????

Meu conselho é que, se estivermos no meio do ano, e havendo possibilidade, que se espere o fim do ano letivo. Se isto for impossível, procure uma escola que seja acolhedora e se proponha a respeitar as limitações pedagógicas do seu pimpolho.

Use todo o seu tempo para desenvolver relações de afeto; aumentar a auto estima da criança é mais eficaz que proporcionar aulas extras; sentindo-se amada e segura a criança deslancha. 

Escolas pequenas nem sempre são sinônimo de melhor atendimento; muitas vezes, por conta do orçamento reduzido, não é possível investir em corpo de apoio (psicólogo, pedagogo).

Desconfie, por outro lado, de escolas gigantes em que tudo é maravilhoso: pode ser apenas fachada para encher os olhos : por fora, bela viola, por dentro, pão bolorento...


Verifique como é a rotina, qual o grau de exigência, como vão trabalhar as dificudades; veja se exite corpo técnico dentro e fora (muitas escolas não possuem psicólogos empregados, mas indicam vários profissionais que já prestaram ou prestam serviços).


Escolher a escola certa não é fácil, nem impossível... e tb não é caminho sem volta, é sempre possível fazer nova escolha, certo?




18.3.12

Preconceito

Mais um texto recebido sobre um assunto sempre tão pertinente...

Então, repassando... boa leitura!

Infelizmente tenho de admitir que algumas pessoas tem preconceito com crianças adotivas. Sei que não é por maldade, mas para alguns parece que estamos criando um extraterrestre. Quando adotei o Claudio, nosso segundo filho, uma pessoa com quatro filhos me disse que admirava a coragem que eu tinha de adotar uma segunda criança. É engraçado, pois ela tinha quatro filhos e ninguém achava corajoso isso. Muitas vezes me perguntaram se eu não tinha vontade de ter um filho biológico, como se filho adotivo não fosse filho. Já me perguntaram várias vezes se eu não tenho medo de eles se revoltarem quando estiverem mais velhos. Bem, o que dizer para pessoas com pensamentos como esses? Prefiro ignorar.
O preconceito das pessoas em relação a crianças adotadas tem diversos motivos, na maioria das vezes equivocados. Muitos pensam que a criança pode ficar revoltada com os pais quando ficarem sabendo que não são filhos biológicos o que pode facilmente ser evitado por sempre contar a verdade a criança. Às vezes, o preconceito pode vir até mesmo de pessoas muito próximas como avós e tios, por exemplo. Quando dissemos que adotaríamos outro filho, me lembro que um parente achegado ficou muito preocupado e disse algumas frases negativas sobre nossa decisão. Hoje, sei que na verdade ele fez isso por desconhecer toda a situação envolvida e a forma como gosta do seu neto hoje só demonstra que tudo não passou de um comentário momentoso.
Acho um pouco engraçado que quando alguém sabe que você vai ter um filho biológico as pessoas elogiam e dizem coisas bonitas para a mãe e até dão parabéns por isso. Mas, o mesmo não ocorre com freqüência quando você diz para alguém que vai adotar uma criança. A pessoa, não raro, olha para você com espanto como se você tivesse acabado de dizer que decidiu fazer algo muito errado. As pessoas quase sempre falam coisas negativas e dizem o quanto é difícil adotar uma criança nesse país e perguntam por que eu não tentei fazer outros tratamentos para ter um filho biológico. Bem, imagine só se eu tivesse ouvido tais pessoas, hoje não teria minhas duas crianças em casa.
Por outro lado, quando você adota uma criança e fala isso as pessoas a reação é bem diferente do momento em que você apenas planejava adotar, pois normalmente recebemos muitos elogios e as pessoas se simpatizam com a situação. Muitos falam que gostariam de ter o mesmo privilégio. Elas olham para meus filhos e vêem que são duas crianças normais e felizes.
A opção pela a adoção, na maioria das vezes, é considerada uma alternativa para aqueles que não puderam conceber filhos biológicos. Confesso que discuti a primeira vez com minha esposa quando recebemos a notícia de que eu era estéril, mas me lembro muito bem de quando eu tinha uns 12 anos de idade e eu olhava para as crianças abandonadas e dizia a mim mesmo que um dia adotaria uma criança sem nunca imaginar que não poderia ter um filho biológico.
Outro segundo grupo de adotantes é composto por aqueles que já criaram filhos até esses se casarem e optaram por adotar uma criança depois que seus filhos biológicos deixaram suas casas. Estes pais muitas vezes chegam à conclusão que podem fazer muito por uma criança depois de estarem novamente sozinhos em casa.
Mas falta ainda desenvolver mais os grupos de pessoas que adotam crianças por opção e que não tem qualquer restrição para conceberem filhos biológicos. É por esses e outros motivos que afirmo que muita coisa ainda precisa ser feita para mudar todo o preconceito que existe.
Sempre defendi a adoção para todas as pessoas por explicar a elas como estão enganadas em relação aos conceitos errados sobre esse assunto. Na verdade, tenho um orgulho enorme de dizer que eles são adotivos e mostrar o quanto eles são alegres e felizes por terem uma família tão maravilhosa. Além disso, sempre falo para eles sobre o assunto, porque sou contra ao fato de esconder qualquer informação da criança e ela descobrir somente quando for adolescente. Precisamos criar nossos filhos adotivos com total transparência, pois isso vai ajudá-los a enfrentar quaisquer questionamentos no futuro.