26.5.06

Adaptação à nova família



Quais as possibilidades de uma criança maior de dois anos adaptar-se a uma nova família?

É preciso dividir essa "criança maior de dois anos" em quatro grupos, pelo menos: dos 02 aos 06 anos, dos 07 aos 10 anos, dos 11 aos 14 anos e dos 14 aos 18 anos. Cada grupo desses tem suas próprias especificidades e desafios. O primeiro grupo é o de crianças pequenas e, se a dor delas é excruciante pois são completamente indefesas diante da maldade, sua capacidade e prontidão para receber amor é imensa, podendo se adaptar com bastante facilidade, uma vez enfrentadas as sombras e feridas. O segundo grupo é o de crianças que já construíram e, às vezes, já desconstruiram a esperança; estão na fase de encontrar o esboço de suas identidades e as vicissitudes de uma vida amarga tornam isto muito difícil, sua adaptação depende, não só de muito amor, mas de muita disponibilidade para enfrentar a revolta e refazer caminhos que se perderam ou foram truncados. O terceiro grupo é dos que têm, até, sonhos, mas não têm mais esperanças e suas fantasias são fora da realidade pois a realidade é doida demais; se estão na rua, já foram capturados pela prostituição e pelo delito; se estão num orfanato multiplicaram a primeira e original rejeição pelas dezenas de vezes que viram outras crianças menores mais brancas, ou meninas, serem levadas por uma família e eles, não; essa rejeição cotidiana como uma farpa de sofrimento que condiciona sua auto – imagem e deforma o mapeamento de sua existência. Sua adaptação, numa família adotiva, depende de amor, de um profundo senso de responsabilidade dos pais, de uma lucidez capaz de compreender os problemas e demandas dessa criança, quase adolescente, de forma a fazê-las elaborar e superar o passado para se tornar um adulto feliz. O quarto grupo já é formado por adolescentes e é marcado pelas dificuldades de uma infância abandonada e pelas ambigüidades desta idade; em alguns casos, o apadrinhamento afetivo pode vir a ter resultados mais eficientes que a adoção formal. Nos dois últimos grupos o acompanhamento especializado de assistentes sociais e psicólogos, antes, durante e depois (principalmente, depois) de concretizado o ato da adoção é de extrema importância.Sim, a adaptação de uma criança maior é possível. Mas, mais do que isso, é necessária, pois trata-se de uma criança, de verdade, de um ser vivo e único que não pode ser jogado fora só porque não corresponde à fantasia que os adultos têm de uma linda boneca.
( Fonte: Cecif )

Texto originalmente postado por AnneCris

Um comentário:

Glaucia disse...

Querida Anne
Quando li este texto, passou um filme na minha cabeça.
Lembrei da adaptação do Natanael, do smomentos doces, dos momentos díficeis...e como me fez be todo amor que ele me deu...e como me fez falta amigos como vocês do grupo, e um grupo para me apoiar.
Meu grupinho de apoio era o livro da Marlizete.
Desde aquela época eu acalentava o sonho te apoiar e ajudar outros que passavam pelo mesmo que eu...e você e a Ca me ajudaram a realizar esse sonho. Só tenho que lhes agradecer e muito por dividi-lo comigo. OBRIGADA a vocês e aos colaboradores do bloguinho.
Beijos