30.7.06

Os meninos do Porão


OS MENINOS DO PORÃO: CERCA DE 1,8 MILHÃO SOFRE DO TRANSTORNO, CONFUNDIDO COM LOUCURA OU RETARDO MENTAL
Jornal: O GLOBO 16/07/2006
A vida segregada do brasileiro autista
Sem tratamento, que Estado não cobre, jovens são mantidos presos em casa sob o improvisado cuidado das mães


SÃO PAULO. Rafael, de 25 anos, finge que é passarinho, mas passou a vida trancado. André, 20 anos, reza dias inteiros e grita o tempo todo. Leandro, 29, engole esponjas de aço e cremes de cabelo. João Guilherme, 11, come compulsivamente. Eles se automutilam e agridem até suas mães. Apesar de adultos, serão sempre meninos. Eles têm autismo, transtorno que atinge até 1,8 milhão de brasileiros, segundo estimativas médicas. O GLOBO encontrou vários desses meninos reclusos em quartos vazios, fechados em porões ou amarrados. Nenhum deles recebe tratamento. Autismo ainda não é doença tratada pela rede pública de saúde no Brasil.
— Infelizmente, eles são os meninos do porão. Passam a vida escondidos, trancados. Era assim antigamente e hoje em dia também. Temos visto casos inclusive de meninos acorrentados — relata o neuropsiquiatra infantil Raymond Rosenberg, especializado em autismo.
(.....) Quando são internados como doentes mentais — que é como os governos no Brasil têm determinado quando eles entram em crise — saem mais agressivos. Também não são atendidos entre deficientes.
Internação: custo chega a R$5 mil
Muitas vezes os tratamentos incluem internações especiais. Nos locais especializados, o autismo é compreendido como um “jeito de ser” e os meninos ficam menos agressivos, ganham hábitos mais sociáveis, afirmam especialistas.
JUSTIÇA DETERMINA QUE ESTADO PAGUE TRATAMENTO


Secretário de Saúde é investigado por descumprir ordem judicial obtida pelo Ministério Público; na mesa do promotor, dezenas de casos iguais


SÃO PAULO. A decisão da Justiça é clara: todos os autistas têm o direito de ter tratamentos ou internações custeados pelo estado, até que o governo inclua o atendimento na rede pública e garanta vagas para todos eles. A decisão, embora proferida em última instância em 2005, tem sido descumprida. O caso atinge apenas o estado de São Paulo, mas pode servir de jurisprudência para os demais, segundo o Ministério Público.
Na quarta-feira passada, o promotor de Justiça José Paulo França Piva abriu inquérito sobre o descumprimento da decisão do Tribunal de Justiça. Assim, o secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, passou a ser investigado. Se o MP conseguir comprovar o descumprimento, a ação pode levar à perda do cargo e dos direitos políticos de Barata, que também poderá ter que pagar multa de cem salários-mínimos (R$35 mil), segundo Piva. A medida acontece às vésperas do Dia Mundial do Orgulho Autista, nesta terça-feira.
Sobre a mesa do promotor, no entanto, já repousam dezenas de ações de famílias que conseguiram a habilitação (com atestados e laudos médicos) para que o estado cumpra a decisão, mas continuam com seus autistas sem tratamento, ou alguns raros mantidos às custas da caridade de clínicas particulares. A secretaria não quis comentar o caso.

26.7.06





Que PRECONCEITOS E MITOS inseridos na cultura brasileira interferem e prejudicam a opção pela adoção de crianças maiores de dois anos de idade?

A sociedade brasileira vê a criança ainda como uma posse - donde, o desejo de adotar uma boneca – que está, de certa forma sob o controle do adulto que decide como, quando e de que forma deve amá-la e formá-la. Uma criança de mais de dois anos, tendo vivido uma experiência marcante (e marcada) de internamento institucional, violência ou abandono é uma criança que traz uma história e uma história difícil, muito difícil de ser controlada. Se a criança tiver mais de seis ou sete anos não terá mais a aparência de bebê e não "pode mais ser educada como deve: traz vícios de formação"; se for um menino e tiver a tez escura, então, não é mais uma pobre criancinha: é um "de menor", delinqüente em potencial e muito perigoso, que "ninguém vai se arriscar a botar na sua casa". Esses preconceitos são frutos de uma sociedade profundamente segmentada, com alta concentração de renda e que ainda não desenvolveu uma solidariedade fundamental de pessoa a pessoa. Por isso, a criação paulatina e teimosa de uma cultura da adoção, como é o projeto dos Grupos de Apoio em todo o Brasil, é tão importante, trata-se de ver nossas crianças como crianças e como nossas, como a parte mais importante e vital de um futuro que se quer mais humano e desassombrado.
Quais fatores determinam que estes pais optem por uma adoção tardia?

Alguns são fatores práticos, não é mais o momento de trocar fraldas e uma criança maior pode ser uma companhia de vida mais interessante. Outros são fatores circunstanciais, a criança já está lá e já estabeleceu uma amizade com o grupo familiar. Outros são fatores éticos: a necessidade de fazer algo para mudar o quadro tão terrível da infância abandonada. Geralmente estes três fatores se misturam com a predominância de um ou de outro.O único fator, a única razão ilegítima para adotar uma criança maior é para usá-la: seja como companhia para o filho, seja como empregada (escrava), seja como objeto sexual.
Quais são as vantagens da adoção de crianças maiores?

Essa pergunta tem respostas muito individuais e circunstanciais, mas é uma adoção onde a consciência social, o desejo de intervir numa situação de sofrimento são fatores causais muito importantes. As pessoas que optam pela adoção tardia parecem estar mais interessadas em ajudar uma criança do que em resolver algum problema pessoal.
AUTOR: Elena Andrei - Antropóloga
DATA: 26/06/99
FONTE: Boletim Uma Família para uma Criança –Fernando Freire/ABTH (org) – ano II, nº15

Planos de Saúde


PLANOS DE SAÚDE

É importante que todos os papais adotivos saibam que seus filhos de até 12 anos de idade têm o direito de ser inclusos no Plano de Saúde como dependentes, com direito a todas as carências cumpridas pelo titular, desde que a inclusão seja feita no máximo até 30 dias após a guarda.
LEI Nº 9.656, DE 03 DE JUNHO DE 1998.
MEDIDA PROVISÓRIA N.º 2.177- 44, DE 24 DE AGOSTO DE 2001.


Dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde.

Art. 12. São facultadas a oferta, a contratação e a vigência dos produtos de que tratam o inciso I e o § 1o do art. 1o desta Lei, nas segmentações previstas nos incisos I a IV deste artigo, respeitadas as respectivas amplitudes de cobertura definidas no plano-referência de que trata o art. 10, segundo as seguintes exigências mínimas:

VII - inscrição de filho adotivo, menor de doze anos de idade, aproveitando os períodos de carência já cumpridos pelo consumidor adotante.
Se o seu Plano de Saúde se recusar a cumprir a lei, denuncie-o para a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS): - 0800-7019656

21.7.06

De vez em quando, chame um dos seus filhos sozinho e almoce ou faça programas diferentes com ele.
Diga o quanto ele é importante para você.
Pergunte como está a vida dele.
Fale sobre seu trabalho e seus desafios.
Deixe seus filhos participarem da sua vida.
Nenhuma técnica psicológica funcionará se o amor não funcionar.
Se você passar por uma guerra no trabalho, mas tiver paz quando chegar em casa, será um ser humano feliz.
Mas, se você tiver alegria fora de casa e viver uma guerra na sua família, a infelicidade será sua amiga.
Muitos filhos reconhecem o valor dos seus pais, mas não o suficiente para admirá-los, respeitá-los, tê-los como mestres da vida.
Os pais que estão tendo dificuldades com os filhos não devem sentir-se culpados.
A culpa engessa a alma.
Na personalidade humana nada é definitivo.
Você pode e deve reverter esse quadro. Você tem experiências riquíssimas que transformam sua história num filme mais interessante do que os de Hollywood. Se você duvida disso é porque talvez nem se conheça e, pior ainda, nem mesmo se admire.
Liberte a criança feliz que está em você.
Liberte o jovem alegre que vive na sua emoção, mesmo que seus cabelos já tenham embranquecido.
É possível recuperar os anos.
Deixe seus filhos descobrirem seu mundo.
Abra-se, chore e abrace-os. Chorar e abraçar são mais importantes do que dar-lhes fortunas ou fazer-lhes montanhas de críticas.

(Dr. Augusto Cury in: Pais Brilhantes, Professores Fascinantes)

20.7.06

Viver com ética - Ter ética é amar


VIVER COM ÉTICA - Ter ética é amar

Por Emerson Aguiar

Quem tem amor em seu coração por seu semelhante, tem ética.
Não adianta buscar um conceito cerebral para a ética, pois ela só é possível quando não pensamos apenas em nós mesmos.

A senda da Ética é repleta de desafios. Não basta ter boas intenções, é preciso boa vontade e obstinação para segui-la. Faz-se mister estar imbuído do sentimento certo ou todo esforço será vão.

Pode-se falar muito sobre Ética. Mas uma Ética só de palavras nada significa.

A Ética é uma afirmação das ações e não das palavras. Ela é uma possibilidade humana: a de reconhecer o outro como alguém importante e de, ao mesmo tempo, reconhecer-se nele.

Reconhecer o outro como importante quer dizer imputar-lhe valor. Isso se dá quando percebemos que as outras pessoas, assim como nós mesmos, têm medos, angústias, necessidades, aspirações e esperanças; quando identificamos, em outras palavras, sentimentos semelhantes aos nossos no outro. Nesse instante, descobrimos o outro como semelhante. Tomamos consciência de que ele está próximo de nós, pois tem limitações e potencialidades parecidas com as nossas.

Quando vemos isso com clareza, passamos a nos reconhecer no outro.

Contudo, ter ética é muito mais do que se dizer ético. Para sintetizar o que significa possuir um comportamento rigorosamente ético é preciso recorrer a uma pequena frase: ter ética é amar.

Ninguém se tornará ético por seguir um código, um manual ou uma receita. Pois estes até podem ser reflexos da ética, mas nunca a causa, pois a causa é o amor. O amor desinteressado, puro, penitente, generoso, leal, bondoso. Simplesmente o amor.

Nenhum treinamento pode conferir o título de "ético" ao indivíduo. Nem isso e nem mil leituras, ou diplomas, ou cursos, ou reconhecimentos de qualquer tipo.

Quem não entende a ética como amor, jamais entenderá a ética. Podemos entendê-la como "ciência do bem agir". Desde que entendamos e sintamos o que é isso. "Bem agir" significa fazer o que se deseja. Mas para que se possa fazer o que se deseja, é preciso saber o que efetivamente se deseja.

Para que os nossos desejos sejam justos e corretos precisamos amar.

Porém, antes de usarmos o "amor" como justificativa para atitudes desastradas é necessário conhecermos a sua natureza. E isso requer muita disciplina ou, como diria Vinícius de Morais, muita "seriedade".

O amor não é um jogo. Nós podemos até senti-lo como algo agradável e ameno, como uma brincadeira, mas é ele que nos escolhe e nos manipula e não o contrário. Da nossa parte é preciso muita reverência, dedicação e honestidade com o amor. O amor é que dita as regras. Sendo ele suave, precisamos aprender a sua suavidade; se ele é puro, é fundamental que também o sejamos; sendo fiel, sem fidelidade não nos aproximaremos dele; sendo perene e tranqüilo, tranqüilidade e paciência é o que ele nos pede. Sem isso o amor não é possível.
De acordo com a máxima latina "agere sequitur esse", nossos atos só serão amorosos se manifestarmos neles a essência do que somos. E essa essência é o amor. Sem ele, é impossível agir corretamente. Sem ação correta não há boa ação. E sem boas ações não existe Ética. Santo Agostinho sintetizou isso com genialidade: "Ama e faze o que quiseres".Portanto, antes de fazer qualquer coisa é preciso amar. Tolstoi já dizia: "Não faça nada que contrarie o amor".
A mais alta sabedoria das mais elevadas tradições religiosas aponta para um fato: ninguém que ame verdadeiramente é capaz de ferir o seu próximo. E o bom senso também nos comunica o mesmo. Quem descobriu o amor se torna incapaz da agressão ao seu semelhante. E quem não usa de violência e nem quer prejudicar os outros, mas, ao contrário, quer ajudá-los no que for possível, está, indiscutivelmente, credenciado como indivíduo ético. Para alguém assim, cada instante é o momento certo de dar um testemunho de amor...

André Luís nos diz que a "virtude não é voz que fala, é luz que irradia". A ética é a síntese de todas as virtudes aplicadas à vida prática. Só tem sentido, pois, quando vivenciada, quando "irradiada".

A ética corresponde à capacidade humana de agir de conformidade com valores superiores. Ela é o contraste que revela, através das ações, o melhor do ser humano. Uma teorização excessiva sobre a ética pode, todavia, desvirtuar completamente o seu sentido maior: ser feliz fazendo os outros felizes, minimizando o sofrimento alheio e ajudando as pessoas a superarem as suas dificuldades transitórias.

Parafraseando André Gide, podemos dizer que quando certos "especialistas" concluem a explicação do que seja a "ética", não é mais possível identificar qual foi mesmo a pergunta, de tão estranha, confusa e rebuscada que é a resposta. Mas nada disso é necessário, porque o real sentido da ética está dentro de nós mesmos. Ela é a inclinação que temos para o bem. Quando deixamos que se manifeste, quando permitimos que se atualize, que abra as suas asas e voe em liberdade, realizamos o propósito supremo da nossa própria existência: a felicidade sustentável, alicerçada na paz interior, na consciência de nossas próprias responsabilidades e no amor ao outro. Abandonamos, então, a velha idéia de "sucesso" baseada em nossa própria imagem, nome, prestígio, reputação, interesses mesquinhos e outras muletas sociais e psicológicas.

A ética é, tão somente, um epifenômeno. É a conseqüência da paz e do amor que entregamos a todos que encontramos. O amor é luz, sendo a ética luminosa, a sua fonte é o amor. Se manifestássemos todo o amor potencial que há em nós, seríamos deuses. Se observarmos bem, o que queremos dizer quando cumprimentamos os outros é que nos importamos com eles, com a sua felicidade. Quando os tocamos, gostaríamos de abraçá-los;quando os abraçamos, temos vontade de beijá-los; quando os beijamos, nossodesejo, na verdade, é o de levá-los em nossos braços pelas veredas da vida, como Deus faz conosco, sem que, muitas vezes, nos apercebamos disso. Queremos expressar que os amamos. Só não o fazemos melhor porque temos medo de assumir este sentimento que nos constitui intimamente. Mas como o amor é a nossa mais profunda natureza, não adianta fugir dele. Só seremos plenamente felizes quando o expressarmos totalmente. Como?

Sendo úteis, compreendendo, abençoando e perdoando radicalmente todos os nossos semelhantes e amando todas as criaturas de Deus. Cada um de nós deveria emanar só amor para o mundo. Se não fazemos isso, só pode ser porque estamos doentes. Porém, quem disse que a ignorância não tem cura?

Haverá quem diga que a humanidade nunca foi assim. Que somos o produto do que nossos antepassados foram, que repetiremos sempre os mesmos erros de antes, que não andamos para frente. Só será assim se acreditarmos nessas tolices! Houve sim muitos seres humanos que foram expressões vivas do amor. Gente conhecida e gente anônima. Porque não podemos ser assim também? Claro que podemos! As desilusões só atingem as ilusões, não os sonhos. Podemos sim viver com a consciência tranqüila, sem os deslumbramentos e as alucinações que se confundem com a felicidade, ter sonhos de paz e de amor e trabalhar pela sua realização. Se o nosso coração está no lugar certo, ninguém poderá parti-lo. Podemos, desde agora, levar tranqüilidade, gentileza e carinho a todos os outroscaminhantes da jornada da vida. Podemos sim fazer a diferença. Se a maioria não agiu assim antes, se não age assim ainda, não tem importância alguma. Seremos, nós mesmos, o ponto de mutação! Se ninguém liga para como agimos, tampouco interessa! Podemos olhar para uma flor ou para uma nuvem, que não querem ser nada mais do que eles mesmos. Não estão buscando resultado algum, assim como nós, quando temos amor. Somente devemos cultivar o amor e o respeito em nosso coração, sem nos preocupar com mais nada.

O amor é o maior patrimônio divino que há dentro de nós, ninguém pode acabar com ele. É o nosso traço mais perene. Quando sentimos, profundamente, que há oceanos de amor dentro de nós e, sobre eles, arco-íris de amor, não temos mais receio algum e, assim, a ética torna-se uma realidade viva em nós, e, também, nos outros, através de nós.

Nada disso é ingenuidade. Tolice é pensar que a vaidade e a astúcia podem conquistar alguma coisa que preste. Que proveito há em condenar o coração à paralisia? O que pode acrescentar a alguém desdenhar da virtude? Pautar a própria conduta por sentimentos elevados é sinal de prudência e não de pieguismo, como poderiam imaginam algumas inteligências doentes, pervertidas no cuidado de seus próprios interesses e envenenadaspelo excessivo amor-próprio. Perdidas nos labirintos de si mesmas, nem sequer suspeitam que é o amor que irriga o coração, fazendo com que a linda flor da ética desabroche no multicolorido jardim da nossa alma.

Aquele que ama, logo sente os efeitos do amor. Quem age com ética tem, em seu próprio modo de agir, a sua maior recompensa. Na linha do que disse também André Luis: "Quem acende uma luz é o primeiro a se iluminar".

Ter ética é amar. Ponto.

16.7.06


Querido visitante...
Sim este é um blog coletivo, mesmo que vc tenha a impressão que ele seja escrito por uma só pessoa, é que o povo deve estar de férias, por isso estou eu aqui novamente postanto.
Infelizmente to postanto um link para um artigo muito sério chamado " Os orfãos do Brasil"
É grande, triste e você vai sentir muita revolta em boa parte da leitura, esse é o mundo real das crianças abrigadas.
Claro que nem todo abrigo é frio e impessoal, e muitos tentam ser um lar para as crianças...mas lar, lar mesmo é o seu ai que está me lendo, onde essas crianças encontrariam uma família de verdade, um futuro melhor...pena que tem de ser assim... Mas uma ressalva essas crianças estam muito melhor no abrigo do que com suas famílias.
Abraços e por favor leiam é muito importante!
http://www.fnpi.org/premio/2003/finalistas/pdf/2003CSC1751p.pdf

14.7.06


PARA MARA
Oi Pessoal a Mara deixou este comentário no nosso blog:
"olá!!
tenho muitas duvidas e incertezas...e a maior dela é por onde começar, por que tudo parece tão dificil, tão longe..alguém pode me ajudar??
abraçoMara
mara 07.14.06 - 9:19 am # "
Algumas dicas Mara
1- Leia essa cartilha, ela é bem básica , mas elucida muitas coisas:
http://http//www.tj.mt.gov.br/Corregedoria/CEJA/CartilhaAdocao/
2- Procure o forum da sua cidade e se informe sobre os documentos necessários, sobre as exigências deles, e após ter tudo organizado entre com o pedido de habilitação. A habilitação é fundamental, e o tempo de espera por ela varia muito de cidade para cidade.
3- Depois da habilitação aprovada você pode enviar sua habilitação para outras comarcas, algumas pessoas do grupo possuem essas listas e é só pedir que enviamos.
Pense muito no seu perfil de filho, não se forece a nada, mas pense com carinho na possibilidade de aceitar e acolher um filhinho mais velho, ou de uma raça diferente da sua...pense com carinho.
Boa sorte e conte com a nossa torcida!
Glaucia

A história da Carla e da Marcela


Oi povo!
Hoje vim a pedido da Carlita minha amiga do coração, contar a história dela e da Marcela, essa princesa da foto ao lado.
A Carla é moderadora da nossa comunidade sobre Adoção Especial, que é uma das nossas bases junto com a comunidade de Adoção tardia moderada pela minha comadre Anne, pelo grupo de discussão moderado pela Carmem e o blog que é nossa porta pro mundo já que pra vir aqui nos visitar não é preciso ser parte do orkut ou do grupo do yahoo. Vejam que linda história...

"Oi Amigas, talvez não saibam a nossa história, vou resumir...Eu não fui uma mãe abençoada como vcs, eu tive que ir buscar a minha benção.Explico: Eu sou diabetica, insulino dependente, posso ter filhos, mas é tão perigoso...Tentei duas vezes e não deram certo, mas tinha consciencia do risco da criança não ser "perfeita", mas como eu mesma não sou (hahahaha), isso nunca me assustou.Eu tenho convulsões sempre, e já estive mais de 90 dias (ao todo) em coma. Portanto, eu sou deficiente. Certo.Até aí tudo certo, eu pensava em adoção, mas nunca de modo especial, e sempre fiz trabalho voluntário. Eis que eu estou em mudança, após a venda de uma empresa, resolví tirar 3 meses de férias no Nordeste, mas precisamente em Aracaju (casa da sogra).Bem, eu sempre fui voluntária em tudo, ia ter uma festa de Natal num Orfanato, lá vou eu ajudar.Foi dia 22 de Dezembro de 2002, ela tinha exatamente 3 meses.Bem, eu brinquei com todas as crianças do orfanato, depois, fui para o berçário.Quando fui pegar a Má, uma moça falou:Esta não escuta, ela tem Paralisia Cerebral. Eu a peguei, ela não chorava, não ria, não se mexia (seus pezinhos estavam atrofiando), não reagia a luz, nada.Eu cantei para ela, e a Má nasceu, ali, naquele momento.Ela me viu, ela me ouviu, foi a música, ou algum milagre divino.Bem, mas o fato é que quando eu fui colocá-la o berço ela chorou!!!Todos vieram ver... Diagnóstico unânime: Carla, é sua filha!!!Dia seguinte eu na casa !!! do juiz, ele, de pijama, me atendeu em função de conhecer meu sogro.E disse: Vc quer adotá-la? Tem que morar aqui. Pelo menos até sair a adoção.Sabe aquele momento em que vc não hesita?Só perguntei: Tem algum bairro de sua preferência???Morei em Aracaju um ano. Gastei o dinheiro da venda da empresa todo, rsrsrsrEla tem Paralisia Cerebral e e autista.Pela demora, pelo abandono, tudo demorou um pouco mais com a Má.Ela firmou o pescoço com 1 ano e dois meses, engatinhou com quase dois anos.Riu com um ano e meio.Hoje a minha benção tem quase 3 anos, está começando a falar e pedir as coisas, está quase andando, e canta...Canta como uma adulta, tem uma pronuncia perfeita, canta Carinhoso (Argemiro diz que é para mim, e eu, derretida, acredito, hihihi), canta Folhetim, Sobradinho, A vida é um moinho, o Condor... E por aí afora... É a luz dos meus olhos. Andou com tres anos, e comecou a falar com tres anos e tres meses.Hoje a Ma tem 3 anos e oito meses, e esta uma espoleta, quem quiser ver o album vai comprovar isso, ela e a minha vida, ela e o meu MOTIVO!!!Estamos providenciando uma irmazinha para a Marcelinha, mas isso e uma outra historia, para outro topico!!!Pretendo adotar mais duas meninas, não quero escolher, mas quero que sejam especiais, acho que nasci para ser uma mãe abençoada.Essa é a nossa história, fotos da "Grande Estrela" lá no Orkut
Com AmorCarla da Má"
Bom, por hoje é só pessoal, abraços a todos e comentem por favor!
Glaucia


No Brasil, há 27 milhões de crianças miseráveis (Fonte: UNICEF);
120 mil crianças morrem anualmente antes de completar 1 ano;
outras 57 mil não sobrevivem à primeira semana de vida;
18 mil crianças são espancadas diariamente (apenas 2% dos casos são denunciados);
2,9 milhões com idade entre 5 e 14 anos estão trabalhando;
1,3 milhão de crianças sem estudar;
cerca de 1 milhão de adolescentes engravidam por ano;
4 milhões de abortos anualmente;
500 mil meninas prostitutas;
de cada três crianças menores de 5 anos, uma é desnutrida;
cerca de 25 mil crianças morrem anualmente em razão de doenças evitáveis;
menos da metade das crianças e adolescentes vive em lugares com saneamento adequado (Fonte: Gilberto Dimenstein em O cidadão de papel)

13.7.06

Estou de volta


Como podem ver estamos de carinha nova e definitiva!
Este lindo template foi feito pela Patty , um moça maravilhosa de Londrina que é mamãe do Theus, desde já agradeço o capricho, e o carinho.
Aproveito apresentar a Thais Helena , de Goiás...Ela é mamãe da Bruna uma mocinha linda que nasceu pra ela aos quatro anos como podem ler no post que ela vai colocar.
No mais com muita saudade de vocês, e uma proposta: Que tal escrevermos sobre a agonia da espera dos nossos filhos? Ou quem foi adotado tardiamente sobre como é a espera por uma família? O que me dizem ? Vamos lá!
Amanhã vou postar a história da Carla, mamãe da Marcela se preparem para ler um linda história!
Muitos beijos a todos
Glaucia

25.6.06

Foto da Kathleen filha da Jaque







Meninas queridas, finalmente uma foto da minha filha querida Kathleen, milhões de beijos nos corações.

23.6.06


CARA NOVA

Mas ainda sem acessórios e os comentários simiram snif snif snif
Quem souber configurar e puder dar um help me escreva por favor.

Por onde andam todos os colaboradores: O bloguinho anda com saudades!!!!!!!
Beijos
Glaucia

14.6.06

POSTAGEM OFF TÓPIC

Oi povo, depois de uma sumidinha basica vim contar para vocês que finalmente dia 24 me mudo para Rondonópolis, cidade que fui conhecer neste fim de semana.
A cidade é ótima, comparada a que eu moro é mais ou menos como me mudar para New York...é a água e o vinho..lá é o vinho.
Aluguei um apErtamentinho bonitinho, e será a primeira vez que viverei numa gaiola...mas ta valendo pois não terei um quintal para lavar e terei parquinho, salão de festa , segurnaça 24 horas...ou seja estarei protegida...mas...um pouquinho de luto pela minha Sissinha companheira de 10 anos que ficará em Assis, pois a viagem vai ser cansativa pra ela além de eu não ter espaço para ela no apartamentinho.
Antes que me chamem de cruel esclareço que andei a cidade toda mas não consegui uma casa que coubesse no meu bolso.
Dei sorte com a escola do Natanael...consegui uma vaguinha na 5ª escola pública do país em nota média no Enen e fica a 3 ou 4 quadras de casa.
Ainda preciso de uma forcinha no pensamento positivo para que eu consiga aulas...é só o que falata pois a cidade é ótima, e acho que teremos uma qualidade de vida melhor por lá.
Bom gente é isso...Ahhhho Nata pede para dizer que spo falta Mac Donalds.

Beijinhos e posívelmente continue sumida mais um tempinho até etar tudo no lugar...mas volto com a corda toda me aguardem.
beijios
Glaucia

12.6.06

A Adoção de Crianças com Necessidades Especiais


A Adoção de Crianças com Necessidades Especiais


"Muitos casais vêm a nós buscando mais informações a respeito da adoção, uma vez que não tiveram todas as suas dúvidas esclarecidas, por ocasião de seu cadastro no judiciário.

Ao falarem da criança pretendida, mesmo que estejam abertos para adoções tardias, demonstram, via de regra, um desconhecimento da realidade.

Por essa razão creio ser necessário reafirmar que as crianças abandonadas nas instituições ali estão porque sofreram privações, não foram atendidas em suas necessidades básicas, sofreram maus tratos, tiveram doenças infantis que não foram diagnosticadas em tempo hábil... Por isso, quase todas são crianças que têm características particulares.

No folheto "Transtornos mentais da Infância e da Adolescência", que aborda um trecho de autoria de Sylvia B. Nabinger, há uma abordagem muito realista e honesta: "Muitas das crianças abandonadas em instituições governamentais para a adoção têm problemas de saúde, malformações congênitas (lábio leporino, problemas ortopédicos, cardiopatias, seqüelas sifilíticas, genitália confusa etc.), retardos psicomotores, seqüelas de maus tratos (queimaduras, cicatrizes), problemas psicoafetivos (apatia, agressividade, hiperatividade, marasmo etc.), problemas psíquicos diversos (relacionados a má nutrição, infecções hospitalares etc.), cegueira e vírus HIV."

Diante dessa realidade os futuros pais adotantes precisam se conscientizar de que a maioria das crianças disponíveis tem "defeitos", mas necessitam de uma chance para reverter seu quadro, para ser curadas, para ser tratadas e voltar a viver dignamente. Tenho constatado que isso é possível. Num levantamento que fiz das crianças encaminhadas para a adoção através de Monte Refúgio nos últimos quatro anos, constatei o seguinte: foram adotadas onze crianças com necessidades especiais (crianças com subnutrição grave, com possibilidades de comprometimento neurológico, criança com Síndrome de Down, crianças com sérios distúrbios de aprendizagem por bloqueio emocional, criança com distúrbios da fala, crianças com saúde delicada, necessitando de intervenção médica e cirúrgica, criança com síndrome rara, necessitando de multi-terapias e criança soropositiva abrigada em outra instituição, mas adotada por casal indicado por nós) e todas tiveram parte de seu atendimento no tempo em que estiveram abrigadas e depois, após a adoção.

Em todos esses casos, as famílias têm alegria em compartilhar conosco as curas e os progressos animadores de todas as crianças, provando, uma vez mais, que elas precisavam apenas de uma nova alternativa para redirecionar suas vidas.

Acontece, porém, que crianças com necessidades especiais são triplamente abandonadas: primeiro por suas famílias biológicas; depois pelo Estado, que não tem programas adequados para a reabilitação delas; e por fim por muitos dos futuros pais adotantes, que, por falta de informação, têm medo de adotá-las.

Fica portanto aqui a reflexão para os futuros pais adotantes, que poderão transformar seus sonhos em realidade, se tão somente conseguirem enxergar a realidade como ela é, e não como a idealizaram." - Clélia Zitto Cezar

10.6.06

Somos todos adotados

Somos todos adotados

Eu estava pensando nisso a pouco tempo. Alguém no orkut achou que eu era adotado e eu ia corrigir. Depois pensei melhor: Todos nós somos adotados. Minha mãe olhou aquele serzinho com cara de joelho, achou lindo e resolveu criar. Poderia ter me abandonado, mas me adotou como filho. Resolveu, a partir daí, me educar. E ela não fez isso por algum instinto. Sério, ela nem comeu minha placenta nem nada. Se o médico tivesse trazido outra criança vermelha, inchada e com cara de joelho ralado, minha mãe nunca ia saber a diferença.

Ela não me criou porque eu tinha o mesmo sangue que ela. Na verdade, nunca fiz exame de sangue, nem sei qual é meu tipo. Ela não me criou porque me carregou nove meses na barriga, porque ela disse que esse período foi horrível, ela chorava muito, ficou com enjôo e os pés inchados. E tinha que trabalhar assim mesmo! Se fosse por ter me carregado na barriga, acho que ela teria raiva!

Ela resolveu me educar simplesmente porque quando me viu, disse pra si mesma: esse é o meu filho. E mesmo eu não parecendo em nada com a família da minha mãe (minha barba é ruiva e eu sou muito alto, pra não dizer que eu não pareço com nada), ela me criou do mesmo jeito. Meu pai se separou da minha mãe quando eu tinha seis anos. E eu sou a cara do meu pai. Mas não foi por não ser parecido com ela que ela mandou meu pai me criar.

Foi ela ter enfiado na cabeça dela que eu era seu filho que me tornou filho dela. Se hoje ela descobrisse que eu tinha sido trocado na maternidade, ela ia dizer: dane-se continua sendo meu filho. E espero que tenham cuidado bem da outra criança, mas
filho mesmo, eu só tenho três. Ela não ia me devolver. Não ia achar que eu tinha deixado de ser filho dela. Não ia me tratar diferente porque eu era adotado.

Porque todos somos.

8.6.06

Filho Perfeito

FILHO PERFEITO
Márcia Lopes


Te imaginei sorrindo,
Te imaginei cantando,
Te imaginei chorando,
Chamando mamãe.

Te imaginei os abraços,
Te imaginei os beijos,
Te imaginei ralhando,
Chamando mamãe.

Te sonhei perfeito, altivo, elegante,
Te sonhei seguro, inteligente, capaz,
Te sonhei menino, te sonhei rapaz.

Quando chegaste, ó maravilhosa realidade!
Burlamos a natureza,
Enfim éramos mãe e filho!

Mas espera...

Te percebi de outra cor,
Te percebi estranho,
Te percebi de outra raça e tamanho.

Te percebi com dor,
Te percebi diferente,
Te percebi carente e doente.

Desse dia, filho, tu sabes, já se passam vários anos
E eu ainda bendigo humildemente
A maravilhosa realidade que te trouxe!

E depois de tantas jornadas
Para que algum som saísse dos teus lábios
O único som que ouço é um grito
Chamando mamãe!

5.6.06

Adaptação da Kathleen

Adaptação da Kathleen.......

Antes de começar gostaria de dizer que conheci ontem pessoalmente uma amiga que visita esse cantinho abençoado, o nome dela é Beth mora no RJ, num futuro espero que proximo sera mais uma mãe do coração, gostei demais de voce amiga.

Agora vamos aos fatos, bem no inicio como todas ja devem imaginar nada são flores.

Primeiro acho que a Kathleen levou um choque, saiu do orfanato e foi para casa de pessoas que mal conhecia e as outras pessoas que foram visita-la diziam, a Jaqueline é sua mãe, o Roberto é seu pai, vó, vô, tia, primo, etc....., ate a futura madrinha e padrinho estavam la.

Passou poucos dias e ela se fechou numa concha, mal falava, não sorria, não queria comer, mentia bastante, tinha que repetir as coisas com ela varias vezes, porque fingia que não ouvia, se falasse um pouquinho mais alto ela começava a chorar, sendo que isso ela fazia quase o tempo inteiro.

Fiquei de licença com ela durante 60 dias, foi o tempo certo para nos conhecermos o suficiente.

Um serio problema enfrentamos a Kathleen não se adaptava de jeito nenhum com o pai, parecia sinceramente que ela não gostava dele de forma alguma. Enquanto estavamos juntas sozinhas isso depois de um mês ela ja estava feliz, quando o pai chegava voltava aquela cara emburrada que ninguem merecia.

Depois de 15/20 dias, as pessoas perguntavam para ela, o que a Jaqueline é sua? sabe qual era a resposta tia, eu ficava muito triste.

Certa vez eu almoçando minha mãe perguntou para ela o que eu era dela, pela primeira vez ela disse mãe, e do Roberto relutou muito e disse pai.

Passando uns 30 dias ja era manheeeee isso, manheeeeee aquilo, acho que nunca ouvi tanto essa palavra e pai entre os dentes.

Mas agora tudo é diferente, principalmente depois que passou a pascoa e o aniversario dela, parece que agora ela se sente dona do pedaço.

Em relação ao pai, se eu chamar atenção dela, ela mais que depressa agarra o braço dele e se estiver jantando fala, eu quero que o meu pai faz avião comigo.

Fala mais que a boca, não deixa nem assistirmos televisão, sorriso colgate, come um prato de peão, detalhe só gosta de arroz e feijão, não mente pelo menos nada que seja serio, me ouve e obedece, parou de chorar sem motivos.

Quando ela nasceu lem casa, posso dizer que nasceu do zero, não sabia nem ao menos escrever as vogais, não sabia se limpar apos ir ao banheiro, perguntava escovar os dentes p/que?

Ela ja falou para varias pessoas o seguinte, antes eu não tinha cama, eu não tinha boneca, quarto so para mim, roupas, etc....

Posso afirmar nada que o tempo e muito amor não resolva, temos que tomar muito cuidado numa adoção tardia para nos mesmos não criarmos uma rejeição e a criança que é a vitima da historia se tornar a vila.

Elas são frageis e estão testando realmente se o nosso amor é sincero e verdadeiro, até onde eles me amam, não podemos esquecer que elas ja foram rejeitadas, abusadas em alguns casos, ficar abrigada creio que deve ser muito dificil para a cabeça delas, ontem mesmo visitei um orfanato, elas tem proteção, mas esta longe de ser o lugar ideal para crianças, elas necessitam de um lar e muito, mais muito amor.

Bem deixa eu parar por aqui, me empolgei e não quero escrever um testamento, amanhã finalmente estou de folga amigas.

O que precisar de mim é so gritar.

Beijos apertados nos corações e uma semana abençoada

3.6.06

Mães e Pais Adotivos... Semeando o Amor.


Há séculos tem sido estudado e discutido sobre o papel desempenhado pela mulher e pelo homem nas sociedades, a evolução e a estagnação de determinados padrões construídos com o passar do tempo. Assim, nos esbarramos em comportamentos, emoções, sentimentos, elos, educação.

Aos poucos, estamos compreendendo que não está ao nosso alcance definir o Amor, sentimento sublime em sua essência. Muitos ainda acreditam que gerar um filho é ser verdadeiramente mãe, que a “semente” genética (óvulo e espermatozóide) trazem consigo um amor incontestável e incondicional. Porém, é fato que o Amor é uma semente e, por ser semente, necessita de um solo fértil para germinar, precisa ser nutrido para crescer e dar frutos.

Todo afeto para se dar, precisa de proximidade física e emocional. Deve ser conquistado COM e NA convivência, pois é na intimidade das relações construídas no cotidiano que germina, cresce e frutifica. E o amor materno e paterno não foge a essa regra. Não é decorrente, como se crê, da ação de algum instinto. Trata-se de afeição que, como qualquer outra, necessita de reciprocidade desenvolvida a partir de um relacionamento estreito e contínuo que assegure confiança e familiaridade aos que dele se nutrem.

Mães e pais, que desejam ter filhos biológicos, fazem planos. Da mesma forma que os pais adotivos o fazem. Pais biológicos que nutrem um desejo de ter um filho com sua herança genética, plantam uma semente, e a medida que ela vai se desenvolvendo o Amor vai surgindo. A barriga vai crescendo, tomando forma e a criança vai sendo esperada até que chega o momento de nascer. E, conforme o tempo vai passando, a convivência, os cuidados podem fortalecer esse amor que está sendo bem recebido, bem acolhido.

Pais adotivos também passam por uma gestação, às vezes muito mais longa do que os nove meses vivenciados pelos pais biológicos. Às vezes, uma gestação de anos, onde a semente foi plantada por um pensamento e desejo – Serem pais. E, durante toda essa “gestação emocional”, os planos vão sendo feitos mesmo que inconscientemente, a ansiedade se aproxima muitas vezes, o desejo de saber “por onde andará meu filho”? “Será que já nasceu”? “Será que está na barriga de alguém”? “Como será nosso encontro?”. E aqui, o Amor também está sendo semeado.

Ninguém é pai e mãe adotivos por acaso. Só adotamos crianças porque queremos, porque nutrimos a semente do Amor, que mesmo muito pequenina, pode encontrar possibilidades de crescer. Quando o nosso filho chega, quando somos solicitados a comparecer em alguma instituição ou conselho para conhecermos o nosso filho, parece inacreditável. A gente olha praquele ser, seja ele um bebê ou uma criança maior, e nem sempre acredita que aquele que está diante dos nossos olhos é o nosso filho.

O Amor à Primeira Vista existe, mas pode não acontecer com muitas pessoas, e é na convivência, na troca, no compartilhar de emoções que este Amor vai sendo construído, semeado. Vamos sim, aprendendo a Amar. Ajustando a nossa rotina para acolher e proteger aquela “mudinha” brotada da semente do nosso desejo – um filho. As coisas mudam, o cotidiano muda e sentimos prazer com essa mudança, afinal esperamos certo período para termos o nosso filho nos braços, um filho, antes de tudo, planejado, querido.