6.5.07

Meninos e Meninas

Existe uma procura ligeiramente maior para a adoção de meninas que de meninos. Essa diferença cresce com a idade. Até onde eu posso ver, está diretamente ligada as idéias que a gente tem sobre as diferenças sexuais.

Primeiro: é claro que existem diferenças entre os sexos. Eu já passei dos três anos de idade em que tudo aquilo era uma novidade e a descoberta de que "meninos têm pênis e meninas têm vagina" era o grande assunto. Isso todo mundo sabe. A questão é se existem diferenças de comportamento estritamente ligadas ao sexo.

As pesquisas científicas são bastante inconclusivas. Elas mostram que existem diferenças entre os homens adultos e as mulheres adultas, mas não diz se elas são fruto da criação ou de mudanças hormonais da puberdade. De uma forma ou de outra, é ponto pacífico que meninos e meninas não possuem diferenças, exceto se forem criados de maneira diferente.

O imaginário popular parece apontar pra algo completamente diferente: que meninos seriam mais levados que meninas. Mas se nós formos ver isso é muito mais uma expectativa que uma realidade. Meninos que não são agressivos, desafiadores e curiosos são mal-vistos. Meninas que não são obedientes, tímidas e dependentes são mal-vistas da mesma forma. Assim, se cobra das crianças que se encaixem em um papel pré-definido e se comete a maior das injustiças: não se adota meninos mais velhos com medo de trazer um "marginalzinho" pra casa.

Sim, preconceito. Violento e grosseiro, capaz de arrasar com a vida de crianças, como qualquer preconceito. Principalmente quando se conhece iniciativas de eliminação desses papéis sociais pré-definidos, como os que acontecem na Noruega. Lá os professores são treinados para evitar qualquer comportamento que incentive o sexismo, como proibir o menino de brincar de boneca ou a menina a brincar de carrinho. O que aconteceu? Aconteceu que as crianças brincam todas juntas, crescem juntas e param de viver numa eterna competição entre os sexos. Natural para um pais que tem 50% dos cargos públicos ocupados por homens e os outros 50% por mulheres.

E antes que o grande terror dos sexistas venha à tona: Não, não existem mais homossexuais na Noruega. Se você realmente acha que existe uma relação entre brincar com carros em miniatura e transar com mulheres, você precisa de tratamento.

3 comentários:

Yara disse...

Eu tenho um de cada e posso dizer que não há diferença alguma, menina dá umas preocupações, menino outras e tem algumas preocupações que os dois dão do mesmo jeito e na mesma intensidade.
Me desculpem a franqueza, mas quem escolhe muito idade, sexo, cor, está praticando uma discriminação, não há outro nome para amenizar este ato.
Beijos

Anônimo disse...

Continuo dizendo que cada um tem seu limite de pretensões,máaaaaaaas daí vem a tortura da espera por um filho e as angustias desta espera.Precisamos fazer história em nossa geração e começar a caminhar para que a cultura machista e patriarcal,deixe de ser tão evidente ainda nos dias atuais, pois na preferência de meninas para comportamento mais fácil e de que meninos dão mais trabalho,já era!!!!até mesmo a questão do SER ADOTIVO Ainda anda pegando por muito lares, onde que desejam crs, e ficam presos numa tradição de que o sangue fala mais alto.Daí prá concluir,,,,,digo assim para os meu filhos,,,,,,,,não temos o mesmo DNA, más temos o mesmo SANGUE DE COR VERMELHA do AMOR INCONDICIONAL, que corre em nossas veias.Bom Dia prá todos. Bye Bye

Bel Palhares disse...

comentário de cima (anônimo) é meu.Bel Palhares