18.5.07

Comentando sobre a revelação

Estou terminando de ler o livro Pais e filhos por adoção no Brasil da Lidia Weber e há uns trechos bem interessantes sobre a revelação. Achei melhor abrir um novo post em vez de comentar no texto da Cláu, assim todos podem ler mais facilmente.

"Os depoimentos de filhos adotivos mostram que a 'revelação' tem compreensão diferente em diferentes estágios do seu desenvolvimentoo, e portanto, A HISTÓRIA DA ADOÇÃO DEVE SER CONTADA EM DIVERSOS MOMENTOS, EM DIFERENTES IDADES DA CRIANÇA, mas quanto mais cedo isso ocorrer, mais facilmente será incorporado como uma situação 'natural' e não um tipo de transgressão à ordem (biológica e cultural) vigente. Um depoimento de uma mãe adotiva, feito em um congresso da área, revelou essa falta de conhecimento da adoção e processo de desenvolvimento de uma criança: ' Eu não sei o que fazer com a minha filha. Hoje ela tem 15 anos e está muito revoltada porque é adotada. Eu contei para ela, quando ela tinha 5 anos, mas ela esqueceu!'"

"Para Neuburger, é injusto e inexato dizer para uma criança que ela É uma criança 'adotada', pois isso qualifica uma natureza particular de ligações que a obrigará a uma eterna obrigação de justificar o seu comportamento por uma conduta diferente, pois não é uma criança como as outras. Toda criança, qualquer que seja o modo de procriação, entra em uma família por um ato civil. Em vez de rotular a criança com uma criança adotada, é lícito e legítimo ensinar-lhe que ELA ENTROU NESSA FAMÍLIA POR ADOÇÃO, família esta que, por vezes, foi constituída com a sua chegada. Neste sentido, a contingência que permitiu sua entrada na família foi a adoção, mas agora essa criança é tão filha (o) dos seus pais adotivos quanto as crianças que entraram em uma família através da procriação."

"Não apenas o revelar, mas O QUÊ FALAR PARA O FILHO SOBRE A ADOÇÃO TAMBÉM É EXTREMAMENTE IMPORTANTE. Melina afirma que não se deve falar que a 'criança foi escolhida'. Isso pode levar a criança a pensar que se ela foi escolhida, um enorme contingente de outras crianças foi deixado de lado, e essa é uma imagem impossível de conviver, pois leva ao pensamento de que se ele foi escolhido é porque ele é perfeito e ele não seria escolhido se tivesse mostrado alguma imperfeição. Na verdade, parece que é preciso aproximar-se o máximo possível da situação real e da motivação para a adoção e afirmar que não somente a criança estava em uma situação difícil: os pais também estavam porque queriam muito um filho que não conseguiam ter. Esse ponto de vista, especial para pais adotivos inférteis, faz com que eles não fiquem sempre com a imagem de salvadores da criança e os filhos, com a gratidão eterna..."

Um comentário:

Angela disse...

Meu filho vai fazer 3 anos e desde que ele chegou eu conto prá ele a história de quando ele nasceu. Ele é apaixonado pela história. Ainda não falo sobre "a outra barriga", mas conto que ele não nasceu da barriga da mamãe, e que mamãe e papai queriam muito um bebê e pedimos para Papai do Céu. Um dia, ligou uma mulher do hospital dizendo que nosso filhinho tinha chegado. E nós fomos lá buscar (nessa parte ele dá um sorrisão e diz, batendo no peito: - Era eu!). E a alegria foi tão grande, tão grande, que nós o abraçamos assim e beijamos assim (e vem muitos beijos e abraços) e quando fomos para casa ele teve muitas visitas porque todo mundo estava muito feliz por ele ter chegado (e aí enumero todas as pessoas de nosso relacionamento).
E de vez em quando aumento um detalhe dessa história.
No momento, ele quer adotar uma irmãzinha. Hahahaha... vamos ver se nos convencemos e tomamos coragem.