10.7.14

Pós-adoção?



Fico muito preocupada quando vejo que as Varas, em geral, preocupam-se apenas e tão somente com o adotante enquanto pessoa apta a adotar.

Assinou o papel, acabou-se o problema do Judiciário.

E o adotante, não raro, fica perdido no meio de uma avalanche de emoções.

Já li sobre depressão pós adoção.. algo similar a depressão pós parto.

Assinados os papéis, cumprida a roda viva de exames e compras, temos um grupo de pessoas que simplesmente estão juntas.. já podem ser consideradas uma família?

Acho importante pra vc que está aí do outro lado, considerando uma adoção tardia, considere também o desenrolar dos dias... 

Se eu quero que vc desista? Se eu não acho aconselhável? Jamais!! Quero que vc se prepare psicologicamente para momentos difíceis, a fim de não desistir na primeira oportunidade.

Um amigo meu me disse que vc só entende a reencarnação (para aqueles que nela creem, bem entendido) quando vc tem filhos... pq aí pode-se perceber que uma criança, por menor que seja, tem personalidade, vontade, gostos... e que estes não refletem, necessariamente, a personalidade ou vontade dos pais.

Ponha-se no lugar dessa criança. Procure entender o que se passa na mente dela. 

Profissionais talvez sejam necessários pra que vc possa entendê-los. Tenha muito claro que não será possível simplesmente apagar tudo o que a criança viveu como num passe de mágica. 

Troque ideias com amigas e faça buscas na internet. Crianças são muito iguais e tendem a ter as mesmas reações, pouco importa suas origens.

Respeite o espaço e limites da criança. As regras da sua família devem ser estabelecidas aos poucos. Lembre-se, ainda, que se o objetivo é a formação de uma família, as regras devem ser estabelecidas não visando só o que vc acha certo.

Tenha paciência, muita paciência. Não exite em pedir ajuda especializada, nunca. 

Procure manter a calma... e lembre-se que a perfeição não existe.

6 comentários:

Simone Reiter disse...

olá, estamos passando por isso, nosso filho veio já com 7 anos, e após 1 mês fez 8 e já passou 1 ano, acabou de fazer 9 anos, muitas preocupações, comportamentos inadequados, sabemos que é natural da idade, mas pelo fato de ser filho do coração, estamos passando por dificuldades na escola, não é fácil, não entendemos os professores, que não conseguem dar um atendimento de qualidade, não tem domínio de turma, e colocam a culpa nos alunos, e nosso filho por ser uma criança ativa, espontânea, extrovertida,fala muito, está sendo bombardeada por bilhetes de reclamações... ufa isso não é certo, também sou professora e sei bem como é difícil, mas não impossível, mas daí depende muito da sua boa vontade, que muitas não tem...

Marlon Machado disse...

Adotamos um casal em Jan/12. K (menina) com 8 anos e VH (menino) com 6 anos. Concordo com o post, mas devo pontuar alguns aspectos interessantes que ocorreram conosco:

1º - O ESTADO, via Judiciário te massacra de "tens certeza que quer adotar?", porém não lhe dá o suporte necessário e em alguns casos erra ao autorizar algumas pessoas a adotar. Digo isto, pois meus filhos foram devolvidos 4 meses após serem adotados pela 1ª família. Tampouco culpo os que devolveram, mas estava claro que eles não se prepararam para tal ato. As vezes acredito que as pessoas adotam pensando que estão adotando um “animal irracional” e, esperam do ESTADO, um amparo que nunca terão.
Um dos grandes problemas da sociedade brasileira é que esperamos muito de um ESTADO que só se preocupa com o seu próprio umbigo, um ESTADO falido de valores morais que trata uma criança como mercadoria, que a destitui de uma família sem base e, as vezes entrega para outra família sem base.
Imperdoável ver um ESTADO, que deveria fazer visitas periódicas as famílias após a adoção e não o faz; que deveria dar a guarda definitiva após 6 meses e não dá. Não falo sem fundamento, falo com a experiência de viver com o medo dos meus filhos em serem devolvidos, pois não tinham os nossos nomes em seus documentos.

2º - Os postulantes a pais devem sim buscar ajuda, antes mesmo da adoção.
Digo isto, pois 2 anos antes de adotar iniciamos uma terapia. Não tenho dúvidas que isto nos ajudou, além disso, temos um bom hábito de leitura e “comemos” livros, frequentamos palestras, conversamos com pessoas e, após a adoção, continuamos e contratamos 1 profissional para nos auxiliar. Não posso negar que a nossa condição financeira é favorável para tal e talvez aí entra a minha crítica ao ESTADO citada acima, que deveria dar suporte auxiliando as famílias sem condições para tal.
Mapeamos todo o perfil das crianças com este profissional e atacamos os pontos a serem trabalhados em conjunto com a escola. Passado 1 ano de convívio este profissional foi ético e nos orientou a mudar o foco, pois o que ele estava fazendo não apresentava evolução. Assim mudamos de profissional que também seguiu trabalhando com conjunto.

Hoje K tem 10 anos (faz 11 em out) e VH tem 9 (feito em abril). Me emociono em pensar que eles terão uma vida diferente e sei que ainda temos muito a aprender com eles e eles conosco.

Carla Martins disse...

Estou em processo de habilitação para adoção e pretendo realizar adoção tardia. Achei muito valiosos o post e os comentários acima. Espero poder acolher meu filho ou filha no futuro o mais preparada possível
Tenho ido a reuniões do grupo de apoio e gostaria da indicação de livros sobre o assunto.
Obrigada!

Marcia Afonso disse...

Temos 2 filhos fruto de uma adoção tardia,ja chegaram a cinco anos e até hoje temos somente a guarda provisória ZX nunca recebemos uma visita da equipe do judiciário e ainda estamos sendo processados pois eram três irmãos dois meninos e uma menina e ela nao quiz ficar conosco retornando ao abrigo e estamos sendo processados or abandono e estão pedindo uma indenização mas pensão alimentícia.estos decepcionados com o sistema.

Marcia Afonso disse...

Temos 2 filhos fruto de uma adoção tardia,ja chegaram a cinco anos e até hoje temos somente a guarda provisória ZX nunca recebemos uma visita da equipe do judiciário e ainda estamos sendo processados pois eram três irmãos dois meninos e uma menina e ela nao quiz ficar conosco retornando ao abrigo e estamos sendo processados or abandono e estão pedindo uma indenização mas pensão alimentícia.estos decepcionados com o sistema.

Rogerio Marins disse...

Eu concordo com a questão de se ter apoio pós-adoção. Não por, por exemplo, me considerar ser incapaz de exercer a função paterna, mas porque há particularidades importantes nesse processo.