26.1.11

Tem feijões nascendo em cima do meu filtro



Amo blogs de decoraçao... fico horas vendo aquelas fotos de casa tão lindas, perfeitamente desarrumadas, aqueles livros tortos em cima da mesa de centro, ou aquela manta de sofá jogada estrategicamente de lado, compondo aquele ambiente perfeito.
Sofá branco, parede colorida, tá na moda os adesivos, copos e talheres... mesa arrumada pra almoço, pro café, pro jantar...

Na minha casa o sofá é laranja, com marquinhas de algum liquido derramado, descobri marcas de beijo de baton atrás da porta do armário do banheiro, batom de muuitas cores, e vez ou outra acho uma adesivo (figurinhas) colado aqui e acolá.

De repente, chego do trabalho e me deparo com um relógio dentro da fruteira, um brilho labial dentro da geladeira e feijões nascendo em cima do filtro da cozinha.... Depois de dias lutando com elas, as roupas limpas ainda permaneciam sem dobrar sobre a cama do quarto de hóspedes. Nunca encontro meus chinelos, mas tropeço em vários pares de mini sapatos pela casa. Sem contar os cadernos, revistas, robozinhos, rodinhas soltas, cartinhas e mais cartinhas, pedaços de quebra cabeça, no sofá, no quarto, na cozinha, em toda parte....

Os feijões são parte da experiência escolar da minha filha, que se empolgou tanto e plantou mais quatro.. e tá curtindo ver as plantinhas crescerem.

A mesa nunca está posta mas a gente sempre come junto, mas pra que ser sempre no mesmo lugar? Vamos juntos pra sala, pra varanda, pro chão.. onde der vontade, desde que juntos.

Percebi que minha casa nunca será a casa da revista milimetricamente planejada com aqueles quadros lindos desalinhados na parede, pq no lugar deles, tenho porta retratos que não combinam, um do desenho carros, ao lado de outros mais clássicos, com fotos de momentos lindos da minha vida... meu casamento, a chegada dos meus filhos, os aniversários, o natal e aquela viagem especial.

Antes da chegada dos meus filhos, havia uma certa organizaçao no meu lar doce lar, tipo, se uma caneca de café ficasse esquecida perto do computador, certamente permaneceria ali uns dias até o dono levar para a pia... Agora, você pode encontrar uma não, mas várias coisas espalhadas pela casa, mas elas mudam de lugar o tempo todo, aparecem coisas novas, de repente tudo adquiriu vida.

Enfim, acho que é exatamente essa a ecplicaçao... tudo ganhou vida!
Pois além dos brinquedos, livros, mochilas e roupas espalhadas pela casa, também existem risinhos, gritinhos, a palavra "mããe!" falada umas 957 vezes por dia, som de tv em desenho animado e muitos beijos soltos pelo ar.

Minha casa nunca será uma casa de revista de decoraçao, pois as fotos nunca vão expressar todo amor e toda vida que ela contem.

Ser feliz é simples assim!

Texto da mamãe Giselle Dutra

6.11.10

TELETON




Hoje é um dia muito especial!

Dia de abrirmos nossos corações para as lindas crianças da AACD.

Com apenas R$ 5,00 podemos fazer uma grande diferença na vida de um pequenino que precisa de nós.

Assistam agora mesmo o programa do Teleton no SBT e conheçam um pouquinho como a AACD é uma instituição séria e modifica a vida dos nossos brasileirinhos.

Façam sua doação pelos telefones 0500 12345 05 (R$ 5,00) -
0500 12345 10 (R$ 10,00) -
0500 12345 20 (R$ 20,00) ou
0800 775 2010 (para R$ 30,00 ou mais).

Também podemos doar pelo site www.teleton.org.br .

21.10.10

Adoção: caminho entre família pretendente e criança pode ser encurtado

Já está disponível para membros do Ministério Público em todo o Brasil o acesso ampliado ao Cadastro Nacional de Adoção (CNA), mantido pelo Conselho Nacional de Justiça. A medida permite que Promotores e Procuradores de Justiça da área da infância façam o cruzamento dos dados disponíveis no banco, comparando informações sobre as pessoas habilitadas para adoção com os perfis das crianças e adolescentes na fila de espera por uma família substituta em todo o país.

O acesso ampliado era exclusivo para juízes e foi estendido aos membros do MP depois de negociação conduzida pela Comissão de Infância e Juventude do CNMP. O objetivo é democratizar o acesso à informação no sistema de Justiça e, com isso, dar os membros do MP mais subsídios para uma atuação cada vez mais efetiva na área, explica a conselheira Sandra Lia, presidente da Comissão. "Esta mudança dará mais agilidade ao processo de adoção porque, a partir de agora, será possível fazer uma varredura na lista de pretendentes e de crianças e adolescentes em todos os estados", diz o coordenador do Centro de Apoio às Promotorias de Justiça da Infância e Juventude do MPRN, Sasha Alves.
Através do cadastro nacional, o Promotor de Justiça poderá fazer a busca por perfil da criança, incluindo idade, raça, se tem irmãos, estado de saúde, local de origem. E ainda é possível fazer a busca por perfil geral, sem restrições.

No Rio Grande do Norte, Ministério Público e Poder Judiciário estão fazendo uma capacitação de juízes e Promotores de Justiça sobre a importância do cumprimento da lei que determina a adoção através do cadastro nacional. O objetivo é combater a prática cultural da entrega direta da criança a uma família que não tenha esteja incluída no cadastro. Só pessoas que já fizeram o curso sobre adoção, ministrado pelo judiciário, podem estar no cadastro. São cidadãos individuais ou famílias que passam por treinamento para compreender o que é a adoção, a importância deste processo na vida de uma criança e do próprio adotante. O próximo treinamento de magistrados e membros do MP será em Natal, dia 4 de novembro e em Mossoró, dia 11 de novembro.

Este curso é necessário porque mesmo no judiciário e no MP ainda há o conceito de que é da mãe o direito de escolher a quem entregar o filho para adoção. O problema é que esta informalidade pode esconder uma mãe que está abrindo mão do filho por problemas financeiros, porque foi abandonada pelo companheiro, porque é adolescente e não necessariamente porque não quer criar o filho. E estes motivos, podem fazer esta mulher querer desistir de entregar o bebê, casos estes problemas sejam resolvidos. "Por isso, é importante que a decisão da mãe de não ficar com o filho seja acompanhada pelo judiciário e pelo Ministério Público", explica Sasha Alves.

Autor: Assessoria de Imprensa do MPRN
Extraído de: Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte - 21 horas atrás

CRIANÇA

De tudo o que nos cerca na vida, um dos dons mais preciosos que Deus nos proporciona é a presença da criança.

Ela tem o dom especial de dar sabor e graça a tudo. Contenta-se com tão pouco: um passeio, um por de Sol, um pacote de pipoca.

E tem a pretensão de que o mundo inteiro lhe pertence. É sua a árvore, a bola, a peteca. É seu o pássaro, o jardim. São seus o carro do papai e o batom da mamãe.

Uma criança nasce com um brilho angelical e mesmo crescendo, sempre fica um elo de luz suficiente para nos cativar o coração, mesmo que ela se sente no lodo, chore a todo o volume, faça um berreiro ou ande pela casa se gabando depois de vestir as melhores roupas e sapatos de sua mãe ou de seu pai.

Ela pode ser a mais carinhosa do mundo e parecer a mais ingênua, até o ponto de esgotar a nossa capacidade de responder perguntas.

Quando está brincando, produz todo tipo de ruídos que nos colocam os nervos à flor da pele.

Quando a repreendem ela fica quietinha, faz beicinho, carinha de choro. Mas continua com esse brilho angelical nos olhos.

Ela é a inocência jogada na terra, a beleza fazendo cambalhotas e também a mais doce expressão do amor materno, quando acaricia e faz dormir a sua boneca ou o seu bichinho de pelúcia.

Quando Deus a cria, utiliza uma parte da matéria-prima de muitas de suas criaturas. Usa os gorjeios do sabiá e os saltos do gafanhoto, a curiosidade e a suavidade do gato, a ligeireza do antílope e a teimosia de uma mulinha.

Gosta de sapatos novos, de sorvete, brinquedos, do jardim de infância, dos companheiros de folguedos e de correr atrás dos pombos e do gatinho.

Adora livros de colorir, as lições de dança, a bola e o patinete.

Ama a praia, o sol, o mar, as férias, o luar e as estrelas.

Não gosta que lhe penteiem o cabelo e é a mais ocupada criatura na hora de ir para a cama, porque sempre precisa acabar alguma coisa que ainda nem começou.

Ninguém nos dá maiores aflições ou alegrias, desgosto ou satisfações ou o mais legítimo orgulho.

Pode bagunçar nossos papéis de trabalho, o cabelo e a roupa. É especialista em nos pedir tempo para compartilhar das suas brincadeiras e tem uma fértil imaginação.

Às vezes, pode parecer uma calamidade que quase nos desespera com tantos ruídos e travessuras.

Mas quando sentimos que as nossas esperanças e desejos estão a ponto de cair por terra, quando o mundo parece que se fecha para nós; quando chegamos a pensar que o fracasso logo nos alcançará, ela nos converte em majestades, quando se senta em nossos joelhos, passa os bracinhos pelo nosso pescoço e pede para contar um segredo no ouvido, e diz: Eu te amo!

***

As crianças são como espelhos. Na presença do amor, refletem o amor. Quando o amor está ausente, elas nada têm a refletir.

Guardamos sérias responsabilidades para com esses espíritos que nos foram confiados por Deus, nosso Pai.

17.10.10



Expectativas irreais podem se transformar em depressão pós-adoção.

“As pessoas normalmente sabem o que é a depressão pós-parto, mas o bem-estar emocional de pais adotivos quando se deparam com uma criança no seu dia a dia é pouco conhecido”, explica Karen Foli, pesquisadora da Universidade de Purdue, EUA. “Em nosso estudo, a grande maioria dos pais adotivos disse ter passado por um período de depressão após a criança a qual adotaram ter começado a viver com eles. Isso se deve a expectativas em excesso e à pressão sentida por parte dos amigos, da família, da sociedade e mesmo da criança.”
“Os amigos e a família, por exemplo, não parecem oferecer o mesmo apoio emocional que pais com filhos biológicos recebem. Além disso, os laços afetivos com a criança adotada precisam ser construídos antecipadamente, o que nem sempre acontece”, diz Foli.
Os sintomas desse tipo de depressão incluem humor mais negativo, perda de interesse por atividades que antes davam prazer, variação no peso, dificuldades de dormir ou sono em excesso, sensação de agitação, fadiga, culpa excessiva e indecisão.
“A depressão pós-adoção não afeta somente os pais adotivos, mas as crianças envolvidas no processo também”, diz a pesquisadora, que acompanhou mais de 20 casais de pais adotivos, além de especialistas e profissionais. O estudo foi publicado no periódico Western Journal of Nursing Research.

Ênfase no processo de adoção e não no novo papel dentro da família

“Os pais adotivos passam boa parte do tempo anterior à adoção tentando comprovar que eles não serão somente bons pais, mas ‘superpais’, pois o processo de adoção pede que eles sejam mais do que interessados. Profissionais, família e amigos os fazem questionar o processo o tempo todo e essa reação é normal”, diz Foli. “Mas é possível que os sentimentos de legitimação como pais ou mesmo não conseguir criar laços afetivos com as crianças podem fazer todo esse esforço ruir repentinamente.”
Outros fatores que contribuem para a depressão pós-adoção podem incluir as expectativas de que as crianças criem laços afetivos intensos e imediatos – aceitarem os pais adotivos incondicionalmente nas primeiras semanas –, falta de exemplos de casais na mesma situação e mesmo a resposta da sociedade à nova família formada por pais e crianças adotivas.
Além disso, o processo de adoção pode ser longo e cansativo, podendo comprometer o bem-estar e a saúde mental dos pais de outras formas, levando ao estresse, por exemplo. “Muitas vezes o processo de adoção é mais presente na vida dos casais do que a preparação para se tornarem pais de um filho não biológico.”
Os profissionais que participaram da pesquisa também indicaram que os pais têm grande temor de demonstrar seus anseios e preocupações, pois isso, de alguma forma, os envergonha e traz o sentimento de terem falhado. Além disso, o sentimento de culpa por não conseguirem fazer a criança se sentir confortável pode ser desastroso para a situação.
“É preciso que os profissionais envolvidos no processo de adoção tenham em mente esse tipo de situação. Detectar os primeiros sinais de depressão ou saber como está o bem-estar mental dos pais pode levar a famílias mais saudáveis e felizes. E os pais precisam ser alertados de que pedir ajuda em uma situação como essa pode ser melhor para seus filhos e para o futuro da família”, diz a pesquisadora.

com informações da Purdue University

Texto copiado de "O que eu tenho"

16.10.10

Um Mundo Para Nós



Queridos amigos,

Hoje estou muito feliz porque meu projeto social em benefício das crianças, Um Mundo Para Nós, voltou à ativa.
Gosto muito de trabalhar na conscientização dos meus alunos para a necessidade de ajudar o próximo.
Visitem o novo blog do projeto UMPN e saibam como ajudar!

16.10.09

Família

Texto que a minha filha Raquel (12 anos) escreveu para meus pais no último final de semana:

"Família é uma palavra muito forte, é ter amor, carinho, paciência, sinceridade um pelo outro, que é o que tenho pela minha.
Mas família não é só ter filho do parto cesariano ou normal, nada a ver. Podemos ter uma família adotiva e não precisamos ser iguais uns aos outros.
Podemos ter morenos, ruivos, brancos, loiros, negros, deficientes...Mas mesmo tendo uma família diferente ou igual temos e podemos ser felizes como todos os seres humanos podem também."

6.10.09

Se a gente for verificar o perfil pretendido, vai ver que a grande maioria das pessoas prefere meninas. Isso tem uma explicação muito simples, a crença de que meninas são mais amorosas, mais calmas e mais companheiras. Mas eu, como mães de meninos, ouso discordas. Descontando o fato real de que meninos não gozam do privilégio de terem vitrines inteiras de roupas e sapatos, são uns doces... e só mesmo os discrimina quem não os tem por perto, kkkk;


Sou apaixonada por este texto, enviado pela Déa em 2007... e que na minha opinião, retrata com perfeição estas criaturas...


"O que é um menino?" João José Marell
Os meninos vem em tamanhos, pesos e cores variados.
Eles estão em toda parte em cima, embaixo, lá dentro, lá fora, pulando, correndo...
As mães os adoram, as meninas os detestam, os irmãos mais velhos também, os estranhos os ignoram, e o céu os protege.

Um menino é a verdade de cara suja, a sabedoria de cabelos desgrenhados,
a esperança com uma rã no bolso.
Os meninos têm o apetite de um cavalo, a digestão de um avestruz, a energia de uma bomba atômica, a curiosidade de um gato; os pulmões de um político, a imaginação de um Julio Verne, a timidez da violeta, a audácia do tigre, o entusiasmo de um líder -
e quando fazem algo, têm cinco polegares em cada mão.

Adoram doces, canivetes, serras, novidades, história em quadrinhos, o filho do vizinho, o campo, a água (menos do banho), os animais, o PAPAI, trens, domingos de manhã e carros de bombeiros.
Detestam visitas, rezas, escolas, livros sem figura, aulas de música, gravatas, o barbeiro, meninas, casacos, adultos e a hora de dormir.
Não há quem se levante tão cedo, nem quem se sente á mesa tão tarde.

Não há ninguém como eles para meter num só bolso um canivete enferrujado, uma fruta pela metade, um pedaço de cordão, um saco de pano vazio, dois bombons, seis moedas, um pedaço de algo desconhecido, e um autêntico anel supersônico de plástico e com um compartimento secreto.

Um menino é uma criatura mágica.
Você pode fechar-lhe a porta do armário, mas não a do seu coração;
pode expulsá-lo do estúdio, mas não da sua mente.

Todo o poder do mundo a ele se rende.
Ele é o nosso amo e chefe, ele, que é só um monte de ruídos com cara suja.
Porém, quando você chega em casa à noite, com suas esperanças e ambições destruídas, ele pode tudo remediar com um sorridente:

OI MAMÃE! OI PAPAI!

10.8.09

Mais dois textos...

Achei mais textos, bem conhecidos, mas sempre bem vindos...


Não habitou meu ventre,
mas mergulhou nas entranhas da minha alma...
Não foi plasmado do meu sangue,
mas alimenta-se no néctar de meus sonhos...
Não é fruto de minha hereditariedade,
mas molda-se no valor de meu caráter...
Se não nasceu de mim,
certamente nasceu para mim...
E se mães também são filhas,e se filhos todos são...
duplamente abençoado és,
meu filho do coração!!






9.8.09

OS OLHOS DO NOSSO FILHO

Navegando no Orkut, achei este texto na apresentação de uma amiga.... não resisti e trouxe para cá.. espero que vcs tb gostem.



Os olhos do nosso filho

Os olhos do nosso filho
São ainda de cor incerta
Não sei sequer se existem
Vão ser de Deus uma oferta

Existem na minha alma
Cravados no meu semblante
Os olhos do nosso filho
Que teve nascer errante

Foste esculpido a preceito
Nas entranhas de outro ser
Não vais sorver do meu peito
Este meu longo querer

E nestas voltas da vida
Cuidou-te Deus sem saber
Para que não herdes no sangue
Este meu estéril sofrer

Não vais nascer de mim
De outro ventre virás
Mas filho da minha alma
Tão amado serás!

E nesta triste incerteza
Me pergunto em desalento
Já nascente de alguém?
Ou é Deus que te traz?

Ala dos Reis

8.8.09

DEFININDO O PERFIL

"Doenças graves, doenças leves, problema psicoló gico grave, problema psicológico leve. Eu nem sei direito o que é isso, como eu posso ficar ponto sim ou não, eu não sei os planos de Deus pra ficar escolhendo assim. E eu não sei como meu filho é ou está pra por nessa ficha. E se com um desses "nãos" a gente afastou ele do nosso caminho?”



Meu pitaco pessoal, muito pessoal, sobre a dúvida acima, tão comum....

Existem muitos sentimentos dentro de quem busca a adoção, muitos conflitos a serem dirimidos, vários dos quais sequer sonhamos que existam.
Nós, pretendentes, temos a idéia de que nosso filho, aquele que a cegonha entregou em lugar errado, está nos esperando, cheio de esperança, aguardando os instantes de nosso reencontro.
Porém, acho que cabe a pergunta: “o que faz de uma criança meu filho??????”

Pode parecer loucura, mas a razão é simples: não existe a criança idealizada, aquela que vão soar as luzes ao ser apresentada a vc. Existe, sim, a sua vontade de fazer de uma criança seu filho, qualquer que seja esta criança. Vou tentar explicar melhor: outro dia, imaginando meu filho mais velho em um abrigo, eu fiquei muito triste. Acontece que se ele estivesse em um abrigo seria uma criança, mas não meu filho... ele é meu filho por tudo o que construímos juntos, será que deu para entender?

Por isso acho que a escolha do perfil não deve trazer culpa, mas sim refletir uma escolha pensada, já que cada um sabe de seus limites.
Fato é que quanto mais restrito for, pior a espera. Menina branca, RN, esquece que não existe tão fácil. Restringir idade, sexo e cor ao mesmo tempo realmente dificulta as coisas.
Agora, quando se trata de doenças creio que devemos pensar bem. Me desculpem os que alegam que se fosse bio não teria opção, acontece que é adotado e existe opção. Ponto.
Antes de dizer sim ou não, devemos pensar o que esta escolha efetivamente acarreta. Por exemplo: uma criança com PC significa que vc provavelmente vai ter que fazer sessões de fisioterapia. Uma criança surda, cega ou com down vai ter que estudar em escola especial (tem perto da sua casa?) Seu convênio cobre? Como vc vai lidar com as dificuldades desta criança no dia a dia, já pensou?

As crianças de adoção tardia normalmente precisam de ajuda psicológica. Vc tem disponibilidade de levar ao psicólogo? Está disposta a fazer terapia? E assim por diante......

Não quero dizer, em absoluto, que só devemos adotar crianças 0km, nunca. Quero dizer apenas que devemos pensar e repensar sobre nossas possibilidades.

11.6.08

Retornando...


Muitos de vocês não devem se lembrar de mim. Fiquei muito tempo afastada, repleta de questões pessoais para resolver, trabalho, filho, processos, enfim...

O resumo da minha história, ou melhor, da nossa história é o seguinte:
Me inscrevi no Conselho Tutelar da cidade onde eu morava, buscando adotar uma criança de 0 a 5 anos de idade, sem distinção de sexo, cor, etc. Ficamos exatos 9 meses aguardando algum contato, eis que no dia 6 de março de 2006, recebemos a ligação do Conselho Tutelar dizendo que havia um menino de 5 anos que se encontrava na Casa de Passagem com uma mãe social e que lá não poderia mais ficar e nem passar aquela noite. Eles estava a procura de uma família substituta.
Pegamos o carro e fomos para lá. Nos contaram uma história breve sobre o menino que sofria maus tratos diversos, explorações de todas as ordens, estava sub-nutrido, e se havia interesse de vermos a criança antes de decidirmos ficar com ela.
Na ocasião eu disse que não queria vê-lo antes, pedi apenas para me darem a papelada para assinar pois ele iria pra casa conosco, independente de quem ele fosse e como ele era. Assinei os papéis e fui buscar o menino.
Ele estava arrumadinho, com sua mochilinha nas costas nos esperando. Nos apresentaram como "tios" e ele tímido veio no meu colo e o trouxemos para casa. Aqui já estavam meus cunhados e minha irmã esperando por nós. E neste primeiro dia ele me chamou de mãe e o meu marido de pai. Era como se ele sempre estivesse aqui... Aquele, definitivamente, não era o primeiro dia, pois não era isso que o nosso sentimento dizia. No dia seguinte, ele acordou com um sorriso nos lábios.
Deste dia em diante, Natan está aqui pra sempre.
Meu filho, minha vida, meu amor.
Não o vi dar seus primeiros passos, mas o acompanhei quando começou a escrever as primeiras palavras.
Não presenciei quando começou a falar, mas o ajudei a aprender a ler.
Estive presente em todas as suas conquistas, desde as medalhas que ganhou nos campeonatos de natação (algumas em primeiro lugar) até quando aprendeu a amarrar seus cadarços sozinho.
Apesar de todas as dificuldades que passou antes de estar aqui, Natan é uma criança feliz, saudável, inteligente, que sabe brincar, sabe dividir, compartilhar, dar carinho.
Hoje, ele tem 7 anos e estamos com o processo de adoção completando quase 2 anos.
Em meio a este processo, a mãe biológica em primeira instância foi favorável a adoção, mas em seguida quis ter o filho de volta. Não me abalei porque sei com todo o meu coração que o Natan é o meu filho, que daqui só sairá no dia em que se casar... rs... ou quando for adulto e quiser ter sua independência. Não tenho medo de perdê-lo, pois ele é nosso e sempre foi de certa forma. Não há nada que abale ou consiga desfazer os laços que foram criados entre nós. Laços de sangue? Não! Laços de amor que são muito mais firmes e apertados.

Ontem, recebemos a notícia do nosso advogado de que o Juiz do caso é favorável a adoção e que agora falta muito pouco para finalizar todo este cansativo processo. No mais, não penso muito nisso, pois sei que tudo acabará bem para todos. O que penso todos os dias é em criar o meu filho para ser um homem de bem.

Beijos e desculpas por não estar tão ativa quanto gostaria.

- Mila Viegas, mãe do Natan (7 anos) -

18.5.08

A VERDADEIRA MATERNIDADE

Sou mãe de dois filhos adotivos e me irrito quando dizem que eles não são meus "filhos verdadeiros".
 
VOCÊ TEM TODA A RAZÃO de se irritar. Um doador de esperma, por acaso, é um pai "verdadeiro" ou é um simples masturbador de material genético? É claro que você vê orgulho nos pais biológicos que também desempenharam a paternidade. Seus filhos têm seus traços, seus trejeitos, suas heranças biológicas. Eles são pequenas miniaturas deles.
A mãe natureza quer esse vínculo, para o benefício das crias. A tolerância de pais biológicos para um "sangue ruim", que a loteria genética lhes produza, será maior do que a de pais adotivos.
Mas, afinal, o que são um pai e uma mãe "verdadeiros"? São aqueles que produzem as condições para que a criança se torne uma pessoa, um indivíduo. São aqueles que desempenharam funções de pai e de mãe (continuação do ventre é igual a nutrição; calor e proteção, função de mãe; apresentação suave para viver no mundo, função de pai). Todas podem ser desempenhadas pela pessoa, quem quer que seja, interessada na criança: mãe, pai, babás, avós, curadores de orfanatos etc.
Quando um embrião se torna um ser humano (desenvolve um sistema nervoso que o permite sentir alguma coisa), vai precisar dessas funções para se tornar uma pessoa. É um trabalho danado, um investimento amoroso enorme. A "verdade" está com quem toma para si tal empreendimento.

(texto escrito por Francisco Daudt, psicanalista, publicado na Revista da Folha em 27/04/08)

2.5.08

Neste artigo, a juíza Mônica Labuto fala sobre a adoção, tema que segundo ela: “é permeado por dúvidas, mitos e preconceitos”, esclarecendo alguns pontos que ainda não foram bem digeridos pela sociedade. De forma clara, a juíza explica como ocorrem as adoções e a importância de ter certeza na hora de adotar uma criança, informações que estão na cartilha lançada este ano em meio às comemorações do Dia Nacional da Adoção.


Ao ensejo das comemorações do Dia Nacional da Adoção – 25 de maio –, data reconhecida oficialmente em 07/05/2002, com a promulgação da Lei n° 10.447, de autoria do deputado catarinense João Matos, cumpre-nos traçar um panorama do relevante instituto jurídico que busca, em sua síntese, assegurar o direito de crianças e adolescentes à convivência familiar quando desassistidas por suas famílias de origem, envolvendo também questões psicológicas e sociais, dando um contorno maior do que simplesmente uma instituição jurídica, positivada em texto legal vigente.
O ato de adotar, muito mais do que uma instituição jurídica definida e regulada por lei, é a construção de uma família, sendo que “o que os pais adotivos fazem, na verdade, é transformar ‘crianças’ em ‘filhos’, reinventam a família, tornando a família adotiva, uma família inventada pela cultura e pelos afetos”, nas sábias palavras de Fernando Freire.
O tema adoção é permeado por dúvidas, mitos e preconceitos, que devem ser destacados e devidamente esclarecidos a fim de promover uma sólida reflexão sobre a realidade do ato de adotar, sendo certo que um dos aspectos é a preocupação de muitos com a questão da herança biológica na determinação do comportamento, o medo da revelação da condição de adotado, o receio quanto à adaptação de crianças nas adoções tardias, dúvidas quanto à adoção monoparental e por homossexuais, entre outros que integram as relações humanas.
Com o objetivo precípuo de esclarecer e desmistificar as questões pertinentes à adoção, o Fórum de Paracambi, por meio de seu Setor Técnico, organizado por esta magistrada, elaborou uma cartilha como ponto de partida ao processo de reflexão do instituto junto à população, abrangendo as dúvidas mais comuns, a legislação que rege a matéria, de forma clara e acessível, devendo-se gizar que apenas a informação não muda conceitos ou comportamentos, sendo necessário o uso de outros instrumentos que possibilitem a abran-gência que merece o tema, como, por exemplo, os Grupos de Apoio à Adoção, que são grupos formados por pais e filhos adotivos e outros interessados, que se reúnem buscando trocar experiências, refletir e discutir sobre a questão, oferecendo também esclarecimentos de forma continuada, nas várias etapas dessa vivência humana.
Cumpre-se salientar que, lamentavelmente, nem todas as comarcas contam com essa importante iniciativa, carecendo tais munícipes de mais informações e apoio acerca do tema adoção, trabalho realizado pelos Grupos de Apoio que também visam informar, divulgar e incentivar a adoção por vias legais.
Uma das conseqüências jurídicas mais importantes do processo de adoção é a perda do pátrio-poder pelos pais biológicos que, com isso, perdem todos os direitos e deveres que eventualmente teriam sobre o filho que restou adotado, dando aos pais adotivos, a contrario sensu, aqueles direitos a eles pertencentes, passando o adotado a ter, até, outro registro de nascimento, com os nomes dos pais adotantes, sendo vedada qualquer menção à adoção na nova certidão do adotado.
Deve-se salientar que em quaisquer relações humanas há conflitos e problemas de relacionamento decorrentes do convívio diário, sejam em uma família com filhos biológicos ou adotivos, devendo ser afastadas as observações do tipo “agiu assim por ser filho adotivo...”, o que é um erro gravíssimo, tendo em vista que o filho biológico também pode gerar conflitos e sofrer crises decorrentes das várias etapas do desenvolvimento, não se devendo creditar ao fato de ser adotado a ocorrência de problemas de convívio no relacionamento cotidiano.
Finalmente, muito ainda há para falar sobre tema tão amplo como a adoção, mas o certo é que ainda há um longo caminho a trilhar, buscando dirimir dúvidas e quebrar tabus que ainda recaem sobre o ato de adotar, que é, acima de tudo, um ato de amor, um momento de construção de uma família por meio de laços de afeto.

3.3.08

Rodrigo e Malu

"Dia 10 de dezembro recebi um e-mail, tanto aqui quanto de outras listas, informando sobre crianças disponíveis para adoção no Estado do rio de Janeiro. Acabei não ligando pq os perfis descritos estavam fora de minhas possibilidades (3, 4 crianças). Porém, no dia 11 resolvi ligar pra pegar o endereço para mandar cópia da minha habilitação, quando fui informada de que havia um menino de 1 ano e 9 meses que não andava e não falava e que teria possíveis problemas mentais e que não havia pretendentes para sua adoção e que o mesmo iria para adoção internacional. Na hora eu disse que eu o adotaria. Além dele, também havia uma menina de 30 dias cuja mãe é HIV e que havia um casal francês interessado na adoção, já que não havia brasileiros (cariocas) interessados na adoção, mas que ainda não haviam dado certeza. Me coloquei na fila: se o casal frances desistisse eu ficaria com a menina também.

Dois dias depois recebi uma ligação da comarca informando que o casal frances havia desistido da adoção da menina e que o menino continuava sem pretendentes. Na hora disse que eram meus filhos e que iria buscá-los. Mandaram que eu, primeiro, fosse ao abrigo conhece-los, para só, então, ir ao forum com a certeza de que eu os queria. Disse que não precisava vê-los, que já sabia que eram meus filhos. Porém insistiram para que eu fosse primeiro ao abrigo.
Durante os dias que se seguiram, liguei algumas vezes para o abrigo para saber tamanho de roupa, tamanho de fralda, marca de leite que os pequenos tomavam e fui me preparando.

No dia 18 fui para o Rio. Sai daqui de São Paulo às 2 da manhã. cheguei ao Rio cerca de 8hs, porém me perdi (grande novidade rs). Acabei por chegar no abrigo apenas as 10hs da manhã.
Chegando no abrigo, logo me trouxeram a pequena Maria Luiza (nascida Thamyres). Não preciso dizer que foi amor imediato. Ela ficou tranquila no meu colo e eu toda desengonçada com um tequinho de gente nos braços que mal sabia como segurar. Diga-se que Malu tinha hernia inguinal e precisava de alguns cuidados como: sempre pegá-la ao colo para que não chorasse para a hernia não encarcerar; o leite tinha de ser um pouco mais fraco para evitar cólicas e etc.
Rodrigo Emmanuel (nome de registro e que eu achei lindo) não estava no abrigo porque fora fazer uma tomografia.
Fiquei no abrigo até que ele chegou. De imediato, quando cheguei perto, ele abriu o berreiro, virou o rosto e não quis vir no meu colo. Na hora fiquei preocupada pensando que ele não havia gostado da minha cara, mas as moças do abrigo me acalmaram dizendo que ele era realmente muito ressabiado com todos, mas que logo se acostumaria comigo.

bom, quando foi umas 14hs ligaram do forum nos chamando para a audiência. Fui acompanhada da diretora do abrigo.
No forum foi tudo muito tranquilo. A defensora pública entrou com as petições para o pedido de guarda. Tudo foi feito de forma rápida. A audiência também foi tranquila.
Sai do forum depois das 19hs e corri para o abrigo com os termos de guarda na mão.
Cheguei no abrigo, as crianças ja estavam trocadas e alimentadas para aguentarem a viagem. Fui me aproximando com cautela de Rodrigo, pq ainda tinha receio de que ele chorasse, mas qual não foi minha surpresa quando ele levantou os bracinhos e veio direto para o meu colo? Afff. só emoção!

Peguei a estrada quase 22hs e cheguei em São Paulo às 3hs da manhã.

Uffa. A viagem foi tranquila. O único problema foi trocar Rodrigo de lugar com Malu. Eu havia levado um moisés para trazer maluzinha e traria Rodrigo no colo. Porém logo no começo da viagem, Malu começou a chorar muito. então coloquei Rodrigo no Moisés (ficou com as perninhas dobradas, tadinho,) e eu trouxe Malu no colo. Vieram tranquilos. Paramos apenas uma vez para dar de mamar. Mamaram e voltaram a dormir (com o balanço do carro)

A primeira semana foi, digamos, um pega pra capar. Tudo novo, fraldas, mamadeiras, chupetas, choros, choros, choros. Não dormi, não comi e só conseguia ir ao banheiro quando estava tudo saindo pelo ladrão. Foi um sufoco pq Maluzinha não podia chorar, então era só a pequena começar a gemer que lá ia eu pegá-la no colo.
Rodrigo foi um anjo desde o primeiro dia, sempre compreensivo com meus cuidados maiores com Malu. O único grande problema com Rodrigo era o banho. Era chegar perto da água para abrir o berreiro.

Dia 25 de dezembro Malu passou mal, chorou muito por mais de uma hora e não havia o que a fizesse parar. Acabei por levá-la ao hospital. a hernia estava encarcerada.
Consegui marcar a cirugia da pequena para o dia 16 de janeiro, mas Malu teve novas crises no dia 27 e 28. levei-a ao hospital onde os médicos colocavam a hernia para dentro e nos mandavam para casa. Porém no dia 29, depois de nova crise, eu disse ao médico que não sairia do hospital sem que Malu estivesse operada. Não queriam operá-la alegando que eram necessário fazer exames mais precisos por conta do HIV e etc. Bati o pé e disse que chamaria a policia ou quem de direito e processaria o hospital por omissão de socorro. Acabaram por internar a pequena e no dia 30, logo cedo, ela foi operada.
A cirurgia foi rápida e a recuperação da pequena foi melhor ainda. É certo que me fizeram ficar de castigo um dia a mais no hospital, por birra mesmo, pq fui informada pelas enfermeiras de que as crianças sempre tinham alta no mesmo dia da cirugia à noite. Tudo bem, passamos mais uma noite no hospital e logo cedo, no dia seguinte, voltamos para casa.

Enquanto isso Rodrigo começou tratamento com fisioterapeuta e gostou tanto que chega em casa e gosta de fazer os exercícios e é louco para andar. Engatinha muito e já fica em pé sozinho por alguns segundos. É um menino extremamente inteligente, basta mostrar a ele uma única vez e ele sai fazendo direitinho tudo. É aficcionado por limpeza, todo tequinho de poeira ele pega e traz pra mim. Gosta de conversar, de cantar e de dançar. Tem o sorriso mais lindo desse mundo e hoje cortou os cabelos. fez um escândalo memorável, mas depois que se olhou no espelho foi só sorrisos.
Rodrigo está muito ciumento da irmã, então basta eu pegá-la no colo para que ele comece a fazer tudo quanto sabe que não pode, e se joga no chão e pede colo e etc. Gosta de tomar chá na chuca da irmã, não interessa dizer que o chá dele é o mesmo, ele tem de tomar na chuca da irmã. Então estamos passando por esta fase do " minha mãe é só minha", mas estamos indo bem (eu acho rs). Hoje adora tomar banho. O dificil é tirá-lo de dentro da banheira rsrsrs.
Malu é outra menina, super tranquila e sorridente. Amanhã fará seus primeiros exames de sorologia para ver como está o tratamento. Tomou 42 dias o xarope de AZT. Agora vamos ver os resultados para saber se prosseguimos com o tratamento ou se já está negativada.
Rodrigo continua com o fisioterapeuta e vai começar com a fono. Tudo indica que o tal "retardamento" não passava de falta de estímulo.
E eu??? Cansada, mas tão feliz que já penso em, daqui uns 2 anos, começar tudo de novo rsrsrs.

Por isso eu disse que às vezes a nossa felicidade está tão perto e a gente teima em não ver. Meus filhos são duas crianças lindas e tranquilas, talvez fosse "desejo" de muitos e muitos pretendentes á adoção e já estariam em um lar há tempos, porém os entraves (suposto retardamento e HIV) afastaram os tantos possíveis interessados que vão continuar na fila esperando, esperando. E eu só posso me dizer abençoada por ter estes dois anjos comigo. Por eles terem me aceitado desde o primeiro dia e aberto seus coraçõeszinhos para uma estranha que Rodrigo chama de mamãe e Maluzinha olha fixamente com um sorrisão lindo. " - Paula Cury

19.12.07

A Cá me disse que este texto já foi publicado. Mas como eu sei que as pessoas nem sempre procuram as postagens antigas, vou de "vale a pena postar de novo".
A primeira vez que encontrei Maria Clara, minha filha, ela já estava irremediavelmente abraçada à Yara, minha esposa. Olhei aquelamenina negra de olhos espertos e não pude resistir: Criança não tem cor, tem sorriso. E o sorriso dessa menina me comoveu mais do que todos os outros.Na noite em que foi abandonada na porta de uma igreja, recém-nascida, e recolhida pelas irmãs do grupo de adoçãoTamina, na Bahia, o seu destino parecia ser igual ao de milhares de outras crianças que diariamente, vêem o pacto de felicidade que lhes deu a vida ser rompido da maneira mais cruel.No entanto, Maria Clara parece ter nascido predestinada. Os mais crentes diriam que o dedo de Deus deixou sua marca na menina em forma de um curioso sinal de nascença. Negra, Clara nasceu com uma manchinha branca na testa e,logo que a encontraram, as freiras batizaram-na com o mesmo nome da minha mãe. Coincidência ou deusdência? Eu acredito nas coincidências felizes, porque as infelizes a gente tem que esquecer.Montar uma casa, escrever um livro, adotar um filho... Maria Clara não saiu da minha barriga, mais entrou no meu coração, diz Yara para explicar o porquê da adoção.Na verdade, nós vimos na adoção uma forma de realização suprema do sentimento de paternidade e maternidade, pois implica uma opção muito sincera, na qual o sentimento de querer um filho é muito maior do que simplesmente ter esse filho. É difícil existir no mundo alguém com um amor maior do que o meu pela Clarinha,diz Yara.Infelizmente, para muitas pessoas, a adoção ainda é um tabu.Há mulheres que preferem passar por um sofrido processo de inseminação artificial a aceitar uma criança que não carregue a sua herança genética. Eu não hesitei em usar a mesma polêmica das modinhas e das paródias políticas que me tornaram famoso em todo oBrasil: Não há maldade pior do que deixar uma criança abandonada.Muitas mães que fazem questão de gerar seus próprios filhos acabam criando traficantes, assassinos ou coisa pior, já o Chaplin, por exemplo, foi criado na rua e se tornou um dos maiores gênios de todos os tempos. Geralmente, o filho adotivo é sempre o melhor, porque a relação surge de uma necessidade de ambas as partes e a educação é mais atenciosa.No Brasil, a burocracia torna oprocesso de adoção moroso. No meu caso, o fato de ser uma personalidade pública facilitou a adoção de Maria Clara. Logo que vimos, a levamos para casa e vivemos um período de adaptação de oitomeses, exigido pela lei. Só quando a Clarinha completou um ano, nós recebemos a posse oficial. Foi o documento mais importante que eu assinei na vida. Existem várias famílias que levam uma vida modesta,mais nem por isso deixam de adotar uma criança. Eu não estou no meu melhor momento econômico, mas isso não interferiu de forma alguma na decisão de adotar a Clarinha. Quem morre rico não tem imaginação. Juca Chaves

25.11.07

Existe fórmula mágica para lidar com a criança abusada?

Mais um texto da amiga Dani, respondendo como lidar com crianças que já sofreram traumas.
Cada caso é um caso e aflora de uma maneira, o importante na adolescência é falar sobre o que aconteceu. Se os pais não se sentem bem em tocar no tema sozinhos com a criança, buscar um profissional que intermedie a conversa. Há varias maneiras de tratar isso, mas não existe cura interna, o que existe é através da terapia amenizar as conseqüências que isso pode trazer para toda a vida. É terapia por toda a vida, pois cada experiência pode despertar sentimentos com relação ao trauma. E aos poucos a pessoa, adolescente e adulta vai aprendendo a lidar com essas emoções que parecem ter desaparecido, mas em verdade podem estar sempre dormindo. Abusos há de vários tipos e sempre tratá-los como tal, não generalizar e tratá-los todos da mesma maneira. Crianças muito pequenas que foram abusadas, geralmente são retraídas ou agressivas se tem certa consciência do ocorrido. Qdo esse vestígio de consciência não existe nesse momento, seguramente sairá à frente na adolescência através da conduta, ou ate mesmo pode chegar a lembrar o que aconteceu qdo era pequena, como uma espécie de imagem indefinida que busca a emoção do momento e pluft a coisa explode. O que fazer com a criança ou adolescente no dia a dia, depende muito de cada caso, e do tipo de abuso. Por exemplo. Existem crianças que foram abusadas sexualmente e não suportam ser tocadas, ou beijadas, ou algum tipo de carinho físico...esses casos são bem especiais pois a aproximação física deve ser muito devagar à medida que a terapia avançar, a confiança se estabelecer.
Por isso não existe uma receita para "como tratar uma criança no caso de abuso" pois cada caso é um caso. O que eu diria seria coisas muito gerais: buscar ajuda profissional, não evitar falar sobre o assunto, muito amor, muito carinho, e muita empatia, não ter medo de colocar limites por que a criança tem um trauma, pois isso é cultivar outro problema.
Criança ou adolescente abusado tem uma autoestima baixa, desconfia de todos, e tem uma visão de mundo ruim. É aí que se deve trabalhar, na autoestima e na visão de mundo. A família bem orientada consegue lidar com as situações, e consegue ajudar a criança ou adolescente a conviver e a se fortalecer para lidar com essas feridas que se fecham muito lentamente. Mas é como montar montanha russa, uma hora sobe outra hora desce, e a terapia e a família podem ajudar no processo interno que a pessoa passa para saber lidar com essas emoções. Tempo é o amigo intimo de cada pessoa e a família , mas pode se tornar inimigo se deixar ele passar sem tomar nenhuma atitude para ajudar ao abusado. Pois o que hoje são feridas com possibilidades de fechar-se, amanha podem tornar-se armas para ferir outras pessoas da mesma maneira ou até mesmo pior. Dentro desses dois extremos existe um presente que é determinante para êxito futuro em muitas áreas da vida. No dia a dia é basicamente fortalecer a autoestima da criança ou adolescente, ganhar sua confiança a ponto de poder afrontar o assunto de frente em algum momento. Qdo se pode falar abertamente sobre o que aconteceu, é sinal de que se busca fortalecer internamente ao extremo de maneira certa. O abuso se reflete de varias maneiras: agressividade, apatia, retraimento, ira... atitudes que refletem pouca personalidade, ou seja um adolescente que é convencido facilmente a qq coisa, um adulto complacente demais, inseguro demais, indeciso demais.
Quem tem medo de não saber lidar com a situação tem que investigar dentro de si mesmo por que esse medo, depois que chegar a conclusão bem clara do por que esse medo, então poderá ter uma idéia maior de suas limitações para lidar com certas situações. Às vezes queremos muito alguma coisa, mas essa coisa pode não ser pra nós. Me explico?! E isso não é vergonha pra ninguém. Cada pessoa é uma única, e seria muito chato o mundo se todas fossem iguais. Lembre de sua infância e de como seus cuidadores eram com você, e se vc se sente satisfeita com a segurança que eles te passaram, a educação que eles te deram, se sentiu amada e cuidada saberá como atuar com com qq criança e terá as ferramentas internas necessárias para ajudar a uma criança com traumas. Ter uma fortaleza interna é fundamental para lidar com crianças abusadas. Essa fortaleza vem das interpretações positivas de suas experiências de vida( ate do negativo saber tirar algo positivo), essas são as pessoas que conseguem lidar com crianças com traumas. Mas nem tudo se faz sozinho, e por isso hoje em dia já tem tantas áreas dedicadas à ajuda psicológica. Nem todo psicólogo é apropriado para lidar com certos"problemas" e por isso existe a vocação e as especializações. Fica sempre atenta a quem buscar, que títulos tem, que trajetória tem, que experiência tem.

2.11.07

Devolução da Criança

Amei este texto, da autoria da Dani, um membro do Orkut. O tópico da discussão é sobre uma moça de 24 anos, que hoje grávida de seu primeiro filho, considera a possibilidade de devolução de uma adolescente que ela adotou. Adaptei um pouco, mas acho que temos muito o que meditar sobre o que ela pondera.

Esse tipo de coisa acontece por que os adotantes não estão claros emocionalmente em sua motivação para adotar.
Idealizam demais a adoção como se fosse algo mágico. Ter filhos não é algo mágico, é uma realidade diária cheia de alegrias, tristezas e frustrações também, Seja ele filho bio ou adotado, é um ser humano totalmente independente com uma forma de ver o mundo única(ainda que grande parte dessa percepção leve a influencia dos cuidadores diretos).
Saber lidar com essas "frustrações" que ocorrem é que mora a diferença e a sanidade interna de uma pessoa, e sua maturidade emocional para saber fazer dessa "frustração" uma manivela forte para mudar a situação de maneira acertiva.
Creio que o que acontece com essa senhora não é diferente de muitos outros casos parecidos que vemos diariamente(infelizmente); pessoas com motivações internas "indefinidas" para adoção.
Qdo o assunto vira uma realidade percebem q não tinham idéia do que realmente é ter filhos; Não tinham idéia de muitos aspectos. Inclusive de suas próprias limitações para muitas coisas.
A adoção tardia não é para qq um. Adoção tardia é para quem realmente esta maduro para lidar com outro ser humano totalmente estranho,com uma super mochila de vida nas costas a ser compreendida, relevada e redireccionada. Quem opta por esse tipo de adoção deve ter um autoconhecimento grande, ter a sabedoria interna de ajudar-lo a integra-se a sua nova realidade pouco a pouco.
A adoção tardia é uma adoção especial cheia de outras possibilidades de situações que podem ou não dar-se, e ignorar essas possibilidades não é nada legal.
Mas creio que a situação vai muito mais longe, do que não estar "preparado" para essas possibilidades, creio que o problema esta realmente em saber internamente o que quer, o que pode ter, o que é possível que tenha, o que é adoção, qual a motivação verdadeira para dar-se essa adoção, e o mais importante na minha opinião "O momento de ter filhos" ainda q sejam biológicos em um momento pouco pensado, pouco planejado, pouco considerado em sua totalidade, traz consigo um "peso", ou seja, não estar minimamente preparado pode fazer essa maternidade algo difícil de lidar no dia a dia. Principalmente na hora que a criança vai crescendo e se demonstrando uma pessoa independente com seus próprios desejos, acertos e erros.
Talvez p essa senhora, o estar grávida nesse momento, represente a realização de uma sonho, e agora a menina "sobra" na concepção inconsciente, ou ate mesmo consciente, de uma pessoa que não "acolheu" com o coração a essa menina.
Situação difícil e dolorida, difícil de ajudar, mas creio que acudir uma terapia em família, e individualmente poderia ajudar sim.
Acredito fielmente que a mãe deve fazer uma terapia individual urgente, pois ela é quem não sabe lidar com o assunto, e as muitas emoções que estão surgindo com essa gravidez. Ela esta despejando na menina um peso enorme, e muito injusto.
A transformação hormonal que esta passando não justifica nada, pois apenas acentua o que já existia previamente em emoção.
Infelizmente casos assim ocorre mais vezes do que podemos imaginar, e o fim é quase sempre o mesmo, a devolução da criança.
Mais uma vivencia para que ela ponha dentro de sua pequena mochila da vida, de maneira internamente devastadora.

Amei! A primeira vista pode parecer que ela é contra... mas não é. Adoção tardia é maravilhosa, e todos só tem a ganhar com ela. O que precisa ficar bem claro, para que se evite situações muito tristes, é que esta criança tem um passado e isto precisa ser aceito. o ato de adoção não apaga automaticamente tudo o que ela viveu! Mas o carinho e o amor no dia a dia podem sim, transformar uma vida!

3.9.07

Permitir que a Criança Viva a Sua Infância

por Elvira Souza Lima


Podemos iniciar nossa conversa dizendo que toda criança tem direito a viver sua infância. Nesse período, a criança realiza inúmeras aprendizagens que servirão para toda a vida. Muitas delas se efetivam por meio de práticas culturais, que, por sua vez, desempenham papel central, e cabe não apenas à família, mas a vários setores da sociedade, garantir sua presença na vida das crianças.
Em seus primeiros anos de vida, a criança obtém duas conquistas importantes: andar e falar. O período que se segue a isso será marcado pelo desenvolvimento da função simbólica (falar, desenhar, imaginar...). As atividades que predominam nesse período são as que envolvem movimento e criação de significados, fazendo com que a criança se desenvolva como um ser de cultura.
E que atividades são essas? Desenhar, brincar de faz-de-conta, realizar brincadeiras infantis que envolvam personagens e ações imitativas, cantar, dançar, ouvir histórias, poesias e narrativas da cultura local. É muito importante para a criança a vivência das práticas culturais de sua comunidade e região, pois a elas estão ligadas a percepção de si mesma como parte de um grupo e a formação de sua identidade. A experiência com imagens e com sons é uma parte importante na educação da criança pequena, por isso toda criança precisa desenhar, cantar, ouvir música e brincar.
Em seu processo de desenvolvimento, a criança pequena desenha muito. Toda criança vai desenhar indo ou não à escola, ou seja, desenhar faz parte de ser criança. É muito importante que os adultos respeitem essa atividade, porque enquanto a criança está desenhando ela está aprendendo muitas coisas. Para nós, adultos, pode parecer que desenho não é uma coisa séria como aprender a escrever, mas é. O domínio da forma desenhada também é uma das bases do desenvolvimento da escrita.
Todo desenho tem uma ação: para a criança tem sempre uma história no desenho que ela faz. O desenho é uma narrativa: mesmo que para o adulto ele pareça uma representação estática, para a criança ele é ativo, dinâmico, tridimensional. Mesmo que a criança não fale nada enquanto estiver desenhando, ela está "pensando" no que desenha. Então, ao desenhar, a criança trabalha com sua imaginação, cria novas imagens, desenvolve sua memória, organiza sua experiência para compreendê-la. O ato de desenhar não é, simplesmente, uma atividade lúdica, ele é, também, ação de conhecimento. O desenho é, pois, parte constitutiva do processo de desenvolvimento da criança.
A música promove a comunicação entre as pessoas, provoca envolvimento emocional entre elas. Cantar, tocar um instrumento, ouvir música são atividades que fazem bem ao ser humano em qualquer idade. Na infância a música é mais importante ainda, pois contribui para o desenvolvimento da criança. As cantigas infantis possibilitam o desenvolvimento da memória auditiva, do ritmo e da melodia, com realizações que estarão envolvidas na apropriação da leitura e da escrita.
Nascida em uma cultura que valoriza tanto a música quanto a dança, a criança brasileira é exposta desde bebê a uma vivência musical variada. Do mesmo modo, a criança brasileira também tem experiências com a dança nas festas populares, na mídia, nos rituais das tribos, nas celebrações religiosas, nas festas e em outros eventos.
É muito importante que se valorize a vivência musical, criando situações em que a criança possa, diariamente, ter alguma atividade que envolva a música. Muitas das brincadeiras infantis já trazem essa experiência, o folclore brasileiro tem uma variedade muito grande de atividades que envolvem música.
Sabemos hoje que a música é importante no desenvolvimento do cérebro, traz muitos benefícios para as aprendizagens que a criança terá mais tarde, na escola.
Por exemplo, as músicas cantadas têm rimas. Ter sensibilidade à rima, sabe-se hoje, é um dos componentes essenciais para a aquisição da leitura. O que é ter sensibilidade à rima?
É saber reconhecer rimas e saber fazê-las, também.
Para a criança que se está constituindo como um ser da cultura, é fundamental entrar em contato constante com a música. Para a criança brasileira, a música é mais do que isso, é dialogar com o outro, é ser inserida na cultura de nosso país.
As brincadeiras infantis envolvem movimento. Muitas delas fazem com que a criança movimente seu corpo no espaço. Isso ajuda, por exemplo, a formar conceitos de localização no espaço, como acima/abaixo, dentro/fora, perto/longe.
Muitas brincadeiras trazem pequenas narrativas, que auxiliam no desenvolvimento da oralidade e do seqüenciamento de fatos, como a rosa juvenil [cantiga de roda sobre uma menina, Rosa, que é vítima de uma feiticeira e sobre o rei que irá desfazer o feitiço. Na brincadeira, as crianças formam a roda; a que vai para o centro será a Rosa, e outras duas, de fora da roda, serão a Feiticeira e o Rei. Seguindo as estrofes da música, cada criança deve agir de acordo com o seu personagem. Aquelas que estão na roda, devem girar e cantar ao redor da Rosa]. Todas envolvem a memória de movimentos seqüenciados em uma ordem constante. Por exemplo, lenço-atrás [brincadeira em que os participantes formam uma roda, em torno da qual um deles corre levando um lenço na mão e dizendo versos; o lenço deve ser deixado atrás de uma pessoa, que sairá da roda perseguindo o que a escolheu e tentando impedi-lo de ocupar o lugar deixado vago], coelhinho-sai-da-toca [cada participante senta em uma cadeira e o que comanda o jogo fica em pé. Quando ele gritar "Coelho sai da toca", todos devem mudar de lugar; inclusive o comandante deve se sentar. O que ficar de pé sai do jogo e uma cadeira é retirada].
Brincar é necessário para que a criança cresça saudável, não pode ser substituído por outro tipo de atividade. Um dos direitos mais fundamentais da infância é ter tempo para brincar e cabe aos adultos criarem essa possibilidade para toda e qualquer criança.
Ouvir histórias, ouvir e recitar poesias, parlendas [rima infantil usada em brincadeiras], conversar com outras crianças, ser ouvida pelo adulto são situações que todas as crianças devem ter continuamente. O folclore, as festas tradicionais, as celebrações são também fonte de ampliação da experiência, além de funcionar como oportunidades para a formação da identidade cultural.
O que foi colocado aqui é válido, igualmente, para as crianças que nascem com alguma diversidade biológica, ou seja, não ouvem, são cegas, possuem alguma síndrome (por exemplo, a síndrome de Down), têm algum impedimento por causa da condição de seu cérebro (paralisia cerebral, por exemplo). Para essas crianças, as atividades da infância são tão necessárias como para qualquer outra criança. Nesses casos, a sensibilidade dos adultos é muito importante, pois são eles que podem criar condições para que essas crianças brinquem, ouçam música, participem de atividades culturais e festas públicas, entre outras coisas.
Finalmente, toda criança tem o direito de conviver com as diferenças. A formação ética com respeito à diversidade cultural e à diversidade biológica é uma responsabilidade de todos na sociedade. Se a criança não conviver com as diferenças, ela não terá a possibilidade de ampliar sua experiência de vida e compreender que a diversidade é normal na nossa espécie.
"Toda criança tem o direito de conviver com as diferenças. A formação ética com respeito à diversidade cultural e à diversidade biológica é uma responsabilidade de todos na sociedade"

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Elvira Souza Lima é antropóloga, psicóloga e pesquisadora
associada à Universidade de Salamanca, na Espanha

23.8.07

A Adoção de Filhos

A Bíblia diz em Gálatas 3.23-4.7 que adoção é o meio através do qual os convertidos entram para a família de Deus. Em outra passagem, Romanos 8.15, vemos que recebemos o direito de chamarmos a Deus de "Papai" (Aba Pai).
Em Efésios 1.5 lemos que Deus nos predestinou para Ele através da adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, "segundo o beneplácito de sua vontade". Deus, ao nos colocar em sua família, está revelando uma graça infinitamente maior do que a de um casal ao abrir seu lar e trazer para ali uma criança que não nasceu deles.
O significado da nossa adoção na família de Deus é profundo demais, porém, na maioria das vezes não nos damos conta disso.
Ao sermos adotados por Deus passamos a ser irmãos e irmãs de Jesus Cristo, com um lugar garantido eternamente na família celestial!
1. UMA EXPERIÊNCIA PESSOAL
Quase 32 anos já se passaram desde aquela tarde de junho quando voltamos da cidade de Londrina, no Estado do Paraná, com nossa filha Melinda em nossos braços. Lembro-me daquela experiência, nitidamente, como se fosse ontem! Ela contava dois meses de vida e em 24 horas tornou-se nossa filha! Que alegria aquela pequena paranaense trouxe à nossa casa! Hoje, Melinda está com 32 anos, formada, casada e já nos presenteou com um netinho, James Paul, que é a cara do vovô, lindo de morrer! Melinda ainda era pequena, quando Deus nos presenteou com nossa segunda filha, Márcia, uma linda paulistinha! Ela tinha sete meses e veio somar sua alegria, entusiasmo e, é claro, também trabalho à nossas vidas.
E os anos foram passando...
Melinda e Márcia já tinham feito 20 anos, estudavam nos Estados Unidos e nosso ninho estava vazio. Nessa época, meio de surpresa, Deus trouxe Annie para nossas vidas. Sabemos que há o momento certo para todas as coisas e essa terceira adoção foi uma verdadeira prova disso. Muitos anos antes, quando Annie tinha 3 anos de idade, já havíamos tentado adotá-la. Naquela época, após quase um ano de trabalho burocrático, com mais e mais papéis, o juiz não permitiu que a adotássemos. Tivemos, então, com dor no coração, de interromper o processo de adoção. Porém, no tempo de Deus, quando Annie já estava com 15 anos de idade, as portas se abriram milagrosamente e essa gauchinha veio trazer mais alegria e gratidão às nossas vidas. Hoje, Annie já se formou em Pedagogia, casou-se e está a caminho de nos presentear com mais um netinho (quando esse artigo for publicado, pode ser que eu já seja novamente vovô!). Já nos perguntaram que, se tivéssemos a oportunidade de voltar atrás no tempo e viver novamente, se incluiríamos a adoção em nossas vidas. A resposta foi um tremendo SIM, SEM DÚVIDA ALGUMA!
Tivemos tantas alegrias com nossas filhas, experiências preciosíssimas, que até hoje enriquecem nossas vidas, as quais não trocaríamos por nada neste mundo!
Não é preciso muito pata perceber que sou um grande defensor e propagador da adoção, não é? Sei de pessoas que possuem dúvidas e restrições sobre isso e não quero me fazer de surdo às experiências dolorosas que, muito possivelmente possam ter tido. Gostaria, porém, de compartilhar minhas idéias a esse respeito: a teoria e a prática.

2. INCENTIVO À ADOÇÃO
façamos de conta que estamos em uma varanda, sentados em confortáveis cadeiras e você pergunta minha opinião sobre adoção. Veja o que penso a respeito:

2.1 Princípio Bíblico
Primeiramente gostaria de dizer que a adoção é um precioso princípio bíblico. Somos filhos e filhas adotivos de Deus (predestinados para Ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo... Efésios 1.5). Como a adoção foi iniciada por Deus, quando a praticamos estamos não somente seguindo seu exemplo, mas também nos identificando com Ele.

2.2 Falando a Verdade Sei que existe um estigma pelo fato de uma pessoa ser filho(a) adotivo. Gostaria, no entanto, de reforçar que não há nenhuma vergonha nisso! Muito pelo contrário... Há pessoas que evitam a adoção pelo fato de um dia terem de contar ao filho que ele é adotivo. Não quero ser simplista, mas devemos orar, pedir a Deus oportunidades adequadas e contar que só não somos seus pais biológicos. Deus não teve vergonha de nos comunicar que somos seus filhos adotivos e Ele, certamente guiará nossa comunicação sobre isso. À medida que nossas filhas cresciam, e de acordo com a capacidade de compreensão de cada uma fomos explicando tudo a elas. Não escondemos absolutamente nada. Comunicamo-lhes nosso profundo desejo de termos filhos, a busca incessante da orientação de Deus e, finalmente, tosa a história de como chegaram até nós. Paralela à explicação da adoção, dissemos que também éramos filhos adotivos e herdeiros de Deus. Quando atingiram uma idade em que percebemos um maior amadurecimento nelas, as levamos para conhecer as cidades em que haviam nascido. A idade pode veriar, de acordo com a compreensão de cada criança. Os pais devem, no entanto, tomar cuidado para não usar isso como desculpa e adiar demais.
Minha esposa, Judith, teve uma experiência muito interessante, depois de já havermos contado a Márcia que a havíamos adotado:
"Márcia veio para mim com a pergunta:
- Mamães, eu sou órfã?
- Órfã... claro que não! Nos adotamos você!
- Quanto vocês pagaram por mim?
- Ora, meu benzinho, nós não compramos você!"
Os grandes olhos castanhos se tornaram maiores ainda, um bico se formou e ela, então, perguntou:
"- Então quer dizer que eu sou só alugada!!?"
Ela entendia o suficiente para saber que se a gente não compra uma casa, aluga. E a vantagem do aluguel é que sempre se pode trocar por uma casa melhor!
A angústia de seu coraçãozinho só foi aplacada com mais explicações sobre adoção e consecutivos beijos e abraços.

2.3 Não tenha medo das possíveis influências hereditárias de seus filhos
Muitas pessoas já me disseram que têm medo de adotar uma criança que tenha vindo de lares com pais alcoólatras, macumbeiros ou viciados. Dá para entender esse medo, mas isso não justifica. Precisamos lembrar que Deus é soberano em nossas vidas. Quando Márcia chegou à nossa família ela estava tão desnutrida, tão fraquinha, que não conseguia manter a cabecinha reta e não tinha forças nem para chorar! Os médicos do hospital onde a levamos tentaram nos desestimular de continuarmos o processo de adoção, e nos aconselharam a não nos apegarmos demais a ela pois provavelmente a perderíamos. havia, inclusive, suspeita de que ela tivesse alguma deficiência mental. Passamos por momentos de intensa luta interna sobre o que deveríamos fazer. Buscamos a vontade do Senhor, clamamos por sua orientação e finalmente sentimos a paz de Deus em nossos corações e que deveríamos ir em frente. Deus nos honrou e, com o passar do tempo ela evidenciou uma inteligência e perspicácia em níveis altíssimos!
Como cristãos é de nossa responsabilidade cuidar das viúvas e dos órfãos (Tiago 1.27). Existem muitas maneiras de fazermos isso e adoção, sem dúvida alguma, é uma delas!

CONCLUSÃO
Se Deus estiver dirigindo seu coração e sua mente à adoção, não fuja. Dê os passos necessários para que isso se concretize. Vá, porém, consciente de que há preços a serem pagos, entre eles, a longa burocracia para que uma adoção se concretize. As leis dessa área também podem ser alteradas, causando muitas vezes receio nas pessoas envolvidas. Tudo isso faz parte do processo. Devemos, no entanto, fazer tudo o que estiver ao nosso alcance e, acima de tudo, manter bem viva em nossos corações a certeza da soberania e do controle de Deus em nossas vidas.
Somos uma família feliz e normal. Passamos juntos alegrias e sofrimentos, buscando sempre a orientação de Deus.
Hoje, nossas filhas - Melinda, Márcia e Annie - estão respectivamente com 32, 30 e 25 anos de idade. Elas foram dadas a nós por Deus, só que nascidas de outros pais. Elas são nossa família, nosso tesouro e Judith e eu, não podemos sequer imaginar nossas vidas sem elas!

Leitura Diária:

Texto Básico
: Romanos 8.15

Segunda
: A família de Deus = Efésios 2
Terça: A família da mulher estéril = Salmo 113
Quarta: Adotados em Cristo = Gálatas 3.23-4.7
Quinta: Adoção abençoada = Êxodo 2.1-10
Sexta: A família cristã = Romanos 16.1-16
Sábado: Filhos e herdeiros = Romanos 8.12-17
Domingo: Um coro de aleluias = Salmo 148

Minha sugestão
pessoal = Salmo 37.4
(Adaptado da revista "Lar Cristão", edição 53)