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18.5.08

A VERDADEIRA MATERNIDADE

Sou mãe de dois filhos adotivos e me irrito quando dizem que eles não são meus "filhos verdadeiros".
 
VOCÊ TEM TODA A RAZÃO de se irritar. Um doador de esperma, por acaso, é um pai "verdadeiro" ou é um simples masturbador de material genético? É claro que você vê orgulho nos pais biológicos que também desempenharam a paternidade. Seus filhos têm seus traços, seus trejeitos, suas heranças biológicas. Eles são pequenas miniaturas deles.
A mãe natureza quer esse vínculo, para o benefício das crias. A tolerância de pais biológicos para um "sangue ruim", que a loteria genética lhes produza, será maior do que a de pais adotivos.
Mas, afinal, o que são um pai e uma mãe "verdadeiros"? São aqueles que produzem as condições para que a criança se torne uma pessoa, um indivíduo. São aqueles que desempenharam funções de pai e de mãe (continuação do ventre é igual a nutrição; calor e proteção, função de mãe; apresentação suave para viver no mundo, função de pai). Todas podem ser desempenhadas pela pessoa, quem quer que seja, interessada na criança: mãe, pai, babás, avós, curadores de orfanatos etc.
Quando um embrião se torna um ser humano (desenvolve um sistema nervoso que o permite sentir alguma coisa), vai precisar dessas funções para se tornar uma pessoa. É um trabalho danado, um investimento amoroso enorme. A "verdade" está com quem toma para si tal empreendimento.

(texto escrito por Francisco Daudt, psicanalista, publicado na Revista da Folha em 27/04/08)

2.5.08

Neste artigo, a juíza Mônica Labuto fala sobre a adoção, tema que segundo ela: “é permeado por dúvidas, mitos e preconceitos”, esclarecendo alguns pontos que ainda não foram bem digeridos pela sociedade. De forma clara, a juíza explica como ocorrem as adoções e a importância de ter certeza na hora de adotar uma criança, informações que estão na cartilha lançada este ano em meio às comemorações do Dia Nacional da Adoção.


Ao ensejo das comemorações do Dia Nacional da Adoção – 25 de maio –, data reconhecida oficialmente em 07/05/2002, com a promulgação da Lei n° 10.447, de autoria do deputado catarinense João Matos, cumpre-nos traçar um panorama do relevante instituto jurídico que busca, em sua síntese, assegurar o direito de crianças e adolescentes à convivência familiar quando desassistidas por suas famílias de origem, envolvendo também questões psicológicas e sociais, dando um contorno maior do que simplesmente uma instituição jurídica, positivada em texto legal vigente.
O ato de adotar, muito mais do que uma instituição jurídica definida e regulada por lei, é a construção de uma família, sendo que “o que os pais adotivos fazem, na verdade, é transformar ‘crianças’ em ‘filhos’, reinventam a família, tornando a família adotiva, uma família inventada pela cultura e pelos afetos”, nas sábias palavras de Fernando Freire.
O tema adoção é permeado por dúvidas, mitos e preconceitos, que devem ser destacados e devidamente esclarecidos a fim de promover uma sólida reflexão sobre a realidade do ato de adotar, sendo certo que um dos aspectos é a preocupação de muitos com a questão da herança biológica na determinação do comportamento, o medo da revelação da condição de adotado, o receio quanto à adaptação de crianças nas adoções tardias, dúvidas quanto à adoção monoparental e por homossexuais, entre outros que integram as relações humanas.
Com o objetivo precípuo de esclarecer e desmistificar as questões pertinentes à adoção, o Fórum de Paracambi, por meio de seu Setor Técnico, organizado por esta magistrada, elaborou uma cartilha como ponto de partida ao processo de reflexão do instituto junto à população, abrangendo as dúvidas mais comuns, a legislação que rege a matéria, de forma clara e acessível, devendo-se gizar que apenas a informação não muda conceitos ou comportamentos, sendo necessário o uso de outros instrumentos que possibilitem a abran-gência que merece o tema, como, por exemplo, os Grupos de Apoio à Adoção, que são grupos formados por pais e filhos adotivos e outros interessados, que se reúnem buscando trocar experiências, refletir e discutir sobre a questão, oferecendo também esclarecimentos de forma continuada, nas várias etapas dessa vivência humana.
Cumpre-se salientar que, lamentavelmente, nem todas as comarcas contam com essa importante iniciativa, carecendo tais munícipes de mais informações e apoio acerca do tema adoção, trabalho realizado pelos Grupos de Apoio que também visam informar, divulgar e incentivar a adoção por vias legais.
Uma das conseqüências jurídicas mais importantes do processo de adoção é a perda do pátrio-poder pelos pais biológicos que, com isso, perdem todos os direitos e deveres que eventualmente teriam sobre o filho que restou adotado, dando aos pais adotivos, a contrario sensu, aqueles direitos a eles pertencentes, passando o adotado a ter, até, outro registro de nascimento, com os nomes dos pais adotantes, sendo vedada qualquer menção à adoção na nova certidão do adotado.
Deve-se salientar que em quaisquer relações humanas há conflitos e problemas de relacionamento decorrentes do convívio diário, sejam em uma família com filhos biológicos ou adotivos, devendo ser afastadas as observações do tipo “agiu assim por ser filho adotivo...”, o que é um erro gravíssimo, tendo em vista que o filho biológico também pode gerar conflitos e sofrer crises decorrentes das várias etapas do desenvolvimento, não se devendo creditar ao fato de ser adotado a ocorrência de problemas de convívio no relacionamento cotidiano.
Finalmente, muito ainda há para falar sobre tema tão amplo como a adoção, mas o certo é que ainda há um longo caminho a trilhar, buscando dirimir dúvidas e quebrar tabus que ainda recaem sobre o ato de adotar, que é, acima de tudo, um ato de amor, um momento de construção de uma família por meio de laços de afeto.

25.11.07

Existe fórmula mágica para lidar com a criança abusada?

Mais um texto da amiga Dani, respondendo como lidar com crianças que já sofreram traumas.
Cada caso é um caso e aflora de uma maneira, o importante na adolescência é falar sobre o que aconteceu. Se os pais não se sentem bem em tocar no tema sozinhos com a criança, buscar um profissional que intermedie a conversa. Há varias maneiras de tratar isso, mas não existe cura interna, o que existe é através da terapia amenizar as conseqüências que isso pode trazer para toda a vida. É terapia por toda a vida, pois cada experiência pode despertar sentimentos com relação ao trauma. E aos poucos a pessoa, adolescente e adulta vai aprendendo a lidar com essas emoções que parecem ter desaparecido, mas em verdade podem estar sempre dormindo. Abusos há de vários tipos e sempre tratá-los como tal, não generalizar e tratá-los todos da mesma maneira. Crianças muito pequenas que foram abusadas, geralmente são retraídas ou agressivas se tem certa consciência do ocorrido. Qdo esse vestígio de consciência não existe nesse momento, seguramente sairá à frente na adolescência através da conduta, ou ate mesmo pode chegar a lembrar o que aconteceu qdo era pequena, como uma espécie de imagem indefinida que busca a emoção do momento e pluft a coisa explode. O que fazer com a criança ou adolescente no dia a dia, depende muito de cada caso, e do tipo de abuso. Por exemplo. Existem crianças que foram abusadas sexualmente e não suportam ser tocadas, ou beijadas, ou algum tipo de carinho físico...esses casos são bem especiais pois a aproximação física deve ser muito devagar à medida que a terapia avançar, a confiança se estabelecer.
Por isso não existe uma receita para "como tratar uma criança no caso de abuso" pois cada caso é um caso. O que eu diria seria coisas muito gerais: buscar ajuda profissional, não evitar falar sobre o assunto, muito amor, muito carinho, e muita empatia, não ter medo de colocar limites por que a criança tem um trauma, pois isso é cultivar outro problema.
Criança ou adolescente abusado tem uma autoestima baixa, desconfia de todos, e tem uma visão de mundo ruim. É aí que se deve trabalhar, na autoestima e na visão de mundo. A família bem orientada consegue lidar com as situações, e consegue ajudar a criança ou adolescente a conviver e a se fortalecer para lidar com essas feridas que se fecham muito lentamente. Mas é como montar montanha russa, uma hora sobe outra hora desce, e a terapia e a família podem ajudar no processo interno que a pessoa passa para saber lidar com essas emoções. Tempo é o amigo intimo de cada pessoa e a família , mas pode se tornar inimigo se deixar ele passar sem tomar nenhuma atitude para ajudar ao abusado. Pois o que hoje são feridas com possibilidades de fechar-se, amanha podem tornar-se armas para ferir outras pessoas da mesma maneira ou até mesmo pior. Dentro desses dois extremos existe um presente que é determinante para êxito futuro em muitas áreas da vida. No dia a dia é basicamente fortalecer a autoestima da criança ou adolescente, ganhar sua confiança a ponto de poder afrontar o assunto de frente em algum momento. Qdo se pode falar abertamente sobre o que aconteceu, é sinal de que se busca fortalecer internamente ao extremo de maneira certa. O abuso se reflete de varias maneiras: agressividade, apatia, retraimento, ira... atitudes que refletem pouca personalidade, ou seja um adolescente que é convencido facilmente a qq coisa, um adulto complacente demais, inseguro demais, indeciso demais.
Quem tem medo de não saber lidar com a situação tem que investigar dentro de si mesmo por que esse medo, depois que chegar a conclusão bem clara do por que esse medo, então poderá ter uma idéia maior de suas limitações para lidar com certas situações. Às vezes queremos muito alguma coisa, mas essa coisa pode não ser pra nós. Me explico?! E isso não é vergonha pra ninguém. Cada pessoa é uma única, e seria muito chato o mundo se todas fossem iguais. Lembre de sua infância e de como seus cuidadores eram com você, e se vc se sente satisfeita com a segurança que eles te passaram, a educação que eles te deram, se sentiu amada e cuidada saberá como atuar com com qq criança e terá as ferramentas internas necessárias para ajudar a uma criança com traumas. Ter uma fortaleza interna é fundamental para lidar com crianças abusadas. Essa fortaleza vem das interpretações positivas de suas experiências de vida( ate do negativo saber tirar algo positivo), essas são as pessoas que conseguem lidar com crianças com traumas. Mas nem tudo se faz sozinho, e por isso hoje em dia já tem tantas áreas dedicadas à ajuda psicológica. Nem todo psicólogo é apropriado para lidar com certos"problemas" e por isso existe a vocação e as especializações. Fica sempre atenta a quem buscar, que títulos tem, que trajetória tem, que experiência tem.

2.11.07

Devolução da Criança

Amei este texto, da autoria da Dani, um membro do Orkut. O tópico da discussão é sobre uma moça de 24 anos, que hoje grávida de seu primeiro filho, considera a possibilidade de devolução de uma adolescente que ela adotou. Adaptei um pouco, mas acho que temos muito o que meditar sobre o que ela pondera.

Esse tipo de coisa acontece por que os adotantes não estão claros emocionalmente em sua motivação para adotar.
Idealizam demais a adoção como se fosse algo mágico. Ter filhos não é algo mágico, é uma realidade diária cheia de alegrias, tristezas e frustrações também, Seja ele filho bio ou adotado, é um ser humano totalmente independente com uma forma de ver o mundo única(ainda que grande parte dessa percepção leve a influencia dos cuidadores diretos).
Saber lidar com essas "frustrações" que ocorrem é que mora a diferença e a sanidade interna de uma pessoa, e sua maturidade emocional para saber fazer dessa "frustração" uma manivela forte para mudar a situação de maneira acertiva.
Creio que o que acontece com essa senhora não é diferente de muitos outros casos parecidos que vemos diariamente(infelizmente); pessoas com motivações internas "indefinidas" para adoção.
Qdo o assunto vira uma realidade percebem q não tinham idéia do que realmente é ter filhos; Não tinham idéia de muitos aspectos. Inclusive de suas próprias limitações para muitas coisas.
A adoção tardia não é para qq um. Adoção tardia é para quem realmente esta maduro para lidar com outro ser humano totalmente estranho,com uma super mochila de vida nas costas a ser compreendida, relevada e redireccionada. Quem opta por esse tipo de adoção deve ter um autoconhecimento grande, ter a sabedoria interna de ajudar-lo a integra-se a sua nova realidade pouco a pouco.
A adoção tardia é uma adoção especial cheia de outras possibilidades de situações que podem ou não dar-se, e ignorar essas possibilidades não é nada legal.
Mas creio que a situação vai muito mais longe, do que não estar "preparado" para essas possibilidades, creio que o problema esta realmente em saber internamente o que quer, o que pode ter, o que é possível que tenha, o que é adoção, qual a motivação verdadeira para dar-se essa adoção, e o mais importante na minha opinião "O momento de ter filhos" ainda q sejam biológicos em um momento pouco pensado, pouco planejado, pouco considerado em sua totalidade, traz consigo um "peso", ou seja, não estar minimamente preparado pode fazer essa maternidade algo difícil de lidar no dia a dia. Principalmente na hora que a criança vai crescendo e se demonstrando uma pessoa independente com seus próprios desejos, acertos e erros.
Talvez p essa senhora, o estar grávida nesse momento, represente a realização de uma sonho, e agora a menina "sobra" na concepção inconsciente, ou ate mesmo consciente, de uma pessoa que não "acolheu" com o coração a essa menina.
Situação difícil e dolorida, difícil de ajudar, mas creio que acudir uma terapia em família, e individualmente poderia ajudar sim.
Acredito fielmente que a mãe deve fazer uma terapia individual urgente, pois ela é quem não sabe lidar com o assunto, e as muitas emoções que estão surgindo com essa gravidez. Ela esta despejando na menina um peso enorme, e muito injusto.
A transformação hormonal que esta passando não justifica nada, pois apenas acentua o que já existia previamente em emoção.
Infelizmente casos assim ocorre mais vezes do que podemos imaginar, e o fim é quase sempre o mesmo, a devolução da criança.
Mais uma vivencia para que ela ponha dentro de sua pequena mochila da vida, de maneira internamente devastadora.

Amei! A primeira vista pode parecer que ela é contra... mas não é. Adoção tardia é maravilhosa, e todos só tem a ganhar com ela. O que precisa ficar bem claro, para que se evite situações muito tristes, é que esta criança tem um passado e isto precisa ser aceito. o ato de adoção não apaga automaticamente tudo o que ela viveu! Mas o carinho e o amor no dia a dia podem sim, transformar uma vida!

3.9.07

Permitir que a Criança Viva a Sua Infância

por Elvira Souza Lima


Podemos iniciar nossa conversa dizendo que toda criança tem direito a viver sua infância. Nesse período, a criança realiza inúmeras aprendizagens que servirão para toda a vida. Muitas delas se efetivam por meio de práticas culturais, que, por sua vez, desempenham papel central, e cabe não apenas à família, mas a vários setores da sociedade, garantir sua presença na vida das crianças.
Em seus primeiros anos de vida, a criança obtém duas conquistas importantes: andar e falar. O período que se segue a isso será marcado pelo desenvolvimento da função simbólica (falar, desenhar, imaginar...). As atividades que predominam nesse período são as que envolvem movimento e criação de significados, fazendo com que a criança se desenvolva como um ser de cultura.
E que atividades são essas? Desenhar, brincar de faz-de-conta, realizar brincadeiras infantis que envolvam personagens e ações imitativas, cantar, dançar, ouvir histórias, poesias e narrativas da cultura local. É muito importante para a criança a vivência das práticas culturais de sua comunidade e região, pois a elas estão ligadas a percepção de si mesma como parte de um grupo e a formação de sua identidade. A experiência com imagens e com sons é uma parte importante na educação da criança pequena, por isso toda criança precisa desenhar, cantar, ouvir música e brincar.
Em seu processo de desenvolvimento, a criança pequena desenha muito. Toda criança vai desenhar indo ou não à escola, ou seja, desenhar faz parte de ser criança. É muito importante que os adultos respeitem essa atividade, porque enquanto a criança está desenhando ela está aprendendo muitas coisas. Para nós, adultos, pode parecer que desenho não é uma coisa séria como aprender a escrever, mas é. O domínio da forma desenhada também é uma das bases do desenvolvimento da escrita.
Todo desenho tem uma ação: para a criança tem sempre uma história no desenho que ela faz. O desenho é uma narrativa: mesmo que para o adulto ele pareça uma representação estática, para a criança ele é ativo, dinâmico, tridimensional. Mesmo que a criança não fale nada enquanto estiver desenhando, ela está "pensando" no que desenha. Então, ao desenhar, a criança trabalha com sua imaginação, cria novas imagens, desenvolve sua memória, organiza sua experiência para compreendê-la. O ato de desenhar não é, simplesmente, uma atividade lúdica, ele é, também, ação de conhecimento. O desenho é, pois, parte constitutiva do processo de desenvolvimento da criança.
A música promove a comunicação entre as pessoas, provoca envolvimento emocional entre elas. Cantar, tocar um instrumento, ouvir música são atividades que fazem bem ao ser humano em qualquer idade. Na infância a música é mais importante ainda, pois contribui para o desenvolvimento da criança. As cantigas infantis possibilitam o desenvolvimento da memória auditiva, do ritmo e da melodia, com realizações que estarão envolvidas na apropriação da leitura e da escrita.
Nascida em uma cultura que valoriza tanto a música quanto a dança, a criança brasileira é exposta desde bebê a uma vivência musical variada. Do mesmo modo, a criança brasileira também tem experiências com a dança nas festas populares, na mídia, nos rituais das tribos, nas celebrações religiosas, nas festas e em outros eventos.
É muito importante que se valorize a vivência musical, criando situações em que a criança possa, diariamente, ter alguma atividade que envolva a música. Muitas das brincadeiras infantis já trazem essa experiência, o folclore brasileiro tem uma variedade muito grande de atividades que envolvem música.
Sabemos hoje que a música é importante no desenvolvimento do cérebro, traz muitos benefícios para as aprendizagens que a criança terá mais tarde, na escola.
Por exemplo, as músicas cantadas têm rimas. Ter sensibilidade à rima, sabe-se hoje, é um dos componentes essenciais para a aquisição da leitura. O que é ter sensibilidade à rima?
É saber reconhecer rimas e saber fazê-las, também.
Para a criança que se está constituindo como um ser da cultura, é fundamental entrar em contato constante com a música. Para a criança brasileira, a música é mais do que isso, é dialogar com o outro, é ser inserida na cultura de nosso país.
As brincadeiras infantis envolvem movimento. Muitas delas fazem com que a criança movimente seu corpo no espaço. Isso ajuda, por exemplo, a formar conceitos de localização no espaço, como acima/abaixo, dentro/fora, perto/longe.
Muitas brincadeiras trazem pequenas narrativas, que auxiliam no desenvolvimento da oralidade e do seqüenciamento de fatos, como a rosa juvenil [cantiga de roda sobre uma menina, Rosa, que é vítima de uma feiticeira e sobre o rei que irá desfazer o feitiço. Na brincadeira, as crianças formam a roda; a que vai para o centro será a Rosa, e outras duas, de fora da roda, serão a Feiticeira e o Rei. Seguindo as estrofes da música, cada criança deve agir de acordo com o seu personagem. Aquelas que estão na roda, devem girar e cantar ao redor da Rosa]. Todas envolvem a memória de movimentos seqüenciados em uma ordem constante. Por exemplo, lenço-atrás [brincadeira em que os participantes formam uma roda, em torno da qual um deles corre levando um lenço na mão e dizendo versos; o lenço deve ser deixado atrás de uma pessoa, que sairá da roda perseguindo o que a escolheu e tentando impedi-lo de ocupar o lugar deixado vago], coelhinho-sai-da-toca [cada participante senta em uma cadeira e o que comanda o jogo fica em pé. Quando ele gritar "Coelho sai da toca", todos devem mudar de lugar; inclusive o comandante deve se sentar. O que ficar de pé sai do jogo e uma cadeira é retirada].
Brincar é necessário para que a criança cresça saudável, não pode ser substituído por outro tipo de atividade. Um dos direitos mais fundamentais da infância é ter tempo para brincar e cabe aos adultos criarem essa possibilidade para toda e qualquer criança.
Ouvir histórias, ouvir e recitar poesias, parlendas [rima infantil usada em brincadeiras], conversar com outras crianças, ser ouvida pelo adulto são situações que todas as crianças devem ter continuamente. O folclore, as festas tradicionais, as celebrações são também fonte de ampliação da experiência, além de funcionar como oportunidades para a formação da identidade cultural.
O que foi colocado aqui é válido, igualmente, para as crianças que nascem com alguma diversidade biológica, ou seja, não ouvem, são cegas, possuem alguma síndrome (por exemplo, a síndrome de Down), têm algum impedimento por causa da condição de seu cérebro (paralisia cerebral, por exemplo). Para essas crianças, as atividades da infância são tão necessárias como para qualquer outra criança. Nesses casos, a sensibilidade dos adultos é muito importante, pois são eles que podem criar condições para que essas crianças brinquem, ouçam música, participem de atividades culturais e festas públicas, entre outras coisas.
Finalmente, toda criança tem o direito de conviver com as diferenças. A formação ética com respeito à diversidade cultural e à diversidade biológica é uma responsabilidade de todos na sociedade. Se a criança não conviver com as diferenças, ela não terá a possibilidade de ampliar sua experiência de vida e compreender que a diversidade é normal na nossa espécie.
"Toda criança tem o direito de conviver com as diferenças. A formação ética com respeito à diversidade cultural e à diversidade biológica é uma responsabilidade de todos na sociedade"

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Elvira Souza Lima é antropóloga, psicóloga e pesquisadora
associada à Universidade de Salamanca, na Espanha

22.7.07

ADOTE SEU FILHO


Hoje à tarde me deparei com a revista Pais e Filhos deste mês e me encantei com a capa. A manchete principal dizia: “Adote seu filho. O laço de amor que une pais e filhos, biológicos ou não, é construído no dia-a-dia”. Eu sempre pensei assim: FILHO, amado e reconhecido como tal, precisa ser adotado por seu pai e sua mãe, sejam estes biológicos ou não, ou a maternagem/paternagem não se efetiva. Quem não conhece mães biológicas que não adotaram seus filhos e hoje os arrasta pela vida como fardos ou simplesmente os largam por aí? Não tenho dúvidas que o que faz de uma mulher mãe é a construção de amor do dia a dia que ela estabelece com seu filho. Por isso, quando minha filha biológica chora querendo apenas o meu colo, sei que se após seu nascimento a tivessem entregue a outra mulher que a amasse com o amor de mãe que eu a amo, hoje seriam seus braços que ela pediria chorando. E isso não me diminui, pelo contrário, engrandece, pois mostra que minha filha me ama porque eu a conquistei no nosso dia-a-dia, e não por uma imposição da natureza. Bem, recomendo a leitura, e deixo aqui os trechos que mais gostei.


“A gente precisa adotar até mesmo aquele bebê que carregamos na barriga por nove meses”


“Acreditamos que, independentemente da forma com que a criança se torna parte da família, todo pai e toda mãe passam por um processo de aceitação e reconhecimento do filho. E a criança não é parte passiva da história, não. A maneira como ela se comporta contribui para fazer daquela mulher sua mãe e daquele homem seu pai. Uma relação de mão dupla. Mas que cabe a nós, adultos, entender e pilotar”


“Mas, óbvio, a fantasia não é como a realidade. E a criança imaginada nunca é exatamente igual à esperada pela família. O problema é que ela pode ser muito mais legal e a gente não estar vendo. Aí é que mora o problema: descobrir a beleza do diferente. Amar é isso. Entender que o filho é outra pessoa e não uma continuação simplificada e idealizada dos pais”


“‘Algumas pessoas ainda estão presas aos fatores genéticos. Mas não se pode colocar na conta da adoção dificuldades comuns a todas as crianças. Tanto filhos biológicos quanto adotivos são, inicialmente, estranhos para os pais. Só a convivência e a observação levarão ao conhecimento do outro’, afirma Luiz Schettini”

Texto escrito por Mirtes Cavalcante em 16.julho

25.6.07

Como reagir diante das mentiras

Crianças até 5 anos não conseguem separar a fantasia do real. Com o passar dos anos, a fantasia dá lugar à noção de realidade, sem desaparecer totalmente. A partir dos 6 anos, a criança ainda brinca com a sua imaginação e cria situações que não são reais, mas as invenções já são bem menores.
Se a criança na fase pré-escolar traz um material escolar estranho e diz que a amiguinha lhe deu de presente, confirme se a história é real. Se não, diga á criança que aquilo não é dela e que não lhe foi dado, fazendo-a devolver para a colega. A criança inventou uma história, mas ainda não sabe distinguir o real da fantasia, mas a verdade precisa ser mostrada.
Outros motivos que podem levar as crianças a mentir, é o exemplo dos pais. Se estes pais mentem, pedindo para o filho dizer que não está quando o telefone toca, por exemplo, a criança poderá achar natural mentir.
Broncas ou castigos podem levar a criança a mentir para não receber novamente esse tipo de punição. Mostrar os benefícios da verdade e os prejuízos que a mentira traz para a criança e para as outras pessoas é o melhor caminho.


Perna curta
A criança deve sentir que, ao contar a verdade, terá a admiração dos pais, professoras e amigos. E que mentira "tem perna curta" e será descoberta e desaprovada pelos mesmos.
Interrogatórios e pressão não levarão a criança a dizer a verdade. Pode ter efeito contrário.
Quando o comportamento mentiroso é muito freqüente ou se estende muito além dos 7 anos, uma ajuda profissional deverá ser procurada.

22.6.07

COMO PODEMOS AJUDAR NOSSOS FILHOS A DESENVOLVEREM SUA AUTO-ESTIMA?


Nesta semana tenho pensado bastante na questão da auto-estima de meus filhos.


Reavaliar e modificar algumas de nossas posturas em relação aos filhos não é algo simples, mas muito mais difícil é amenizarmos a influência e a interferência dos outros.


A sociedade valoriza apenas uma minoria com características específicas, que atenda a padrões eleitos de beleza e inteligência.


A escola é o laboratório da vida em sociedade e é bastante cruel com as crianças, que, por sua vez, não são seres angelicais como as pessoas costumam acreditar. Infelizmente, elas são produto e parte integrante da mesma sociedade impregnada de preconceitos.


Sou professora, mas reconheço que os professores, que também pertencem à mesma sociedade, não estão preparados para lidar com as diferenças. Os educadores deveriam ser os primeiros a se libertarem dos preconceitos e a dar bons exemplos, mas isso está longe ainda de acontecer.


O que, então, podemos fazer para ajudar nossos filhos a superarem todos esses obstáculos e a se amarem e se valorizarem apesar de tudo e de todos?


Sei que devemos amá-los incondicionalmente, incentivá-los, reconhecer suas habilidades e dialogar sempre. Mas o que mais podemos fazer? Gostaria que pudéssemos trocar algumas sugestões práticas.


14.6.07

Mitos x Nossas Verdades I: “Queremos viver todas as fases!”


As crianças maiores necessitam de muitos cuidados maternos e paternos. Temos muito a lhes ensinar, ainda que não sejam bebês. Algumas coisas nos são tão corriqueiras, parecem-nos tão comuns, que não imaginamos que sejam desconhecidas de nossos pequenos.


Meus filhos não conheciam muitas frutas e comidas. A Raquel, por exemplo, não conhecia pêra. Imaginem, então, frutas como figo, jabuticaba, kiwi e tantas outras que ela adora! Nunca vou me esquecer de uma de nossas primeiras refeições, um almoço simples (arroz, feijão, bife e farofa) e a frase dita com os olhinhos brilhando: “Nossa! Parece Natal!”


O primeiro mês com um “bebê” de 7 anos e 3 meses em casa? Não dormi direito nenhuma noite e acordei bem cedo até nos finais de semana. Qualquer barulhinho, eu pulava da cama para verificar se estava tudo bem.


Banhos e cuidados de higiene? Sim! Muitos banhos da mamãe e do papai nos bebês de 7 e 8 anos. Ensinamos a escovar os dentes direitinho e limpamos as bumbuns também!


Xixi na cama? Trocas noturnas? Chupeta e mamadeira? Sim! Passamos por tudo isso!


Escola? Vivemos tudo! A separação, a adaptação... Terminei de alfabetizar a Quel e estou alfabetizando o Davi. Acompanho diariamente a aprendizagem dos três.


Ensinei e ensino muitas brincadeiras, cantigas, histórias...


“Bebê” dodói? Sim! Já passei noites sem dormir, medindo febre, medicando, com o coração na mão.


Colinho? Canções de ninar? Sim, sim! Meus bebês adoram que a mamãe cante para eles dormirem!


Reunião familiar para conhecer e paparicar o novo bebê? Sim!


Vivemos a alegria de preparar o quarto, o enxoval, escolher brinquedos, livros, CD de cantigas...


Os primeiros passos? Sim! Nós vimos e sentimos intensamente os primeiros passos de nossos filhos em nossa direção. Bem, na verdade, quando nos vimos pela primeira vez como mãe e filho, o Davi veio correndo aos meus braços!


A primeira viagem, o primeiro desenho no cinema, a primeira peça teatral! Os olhinhos brilhando, o sorriso imenso ao avistarem o mar pela primeira vez! Tudo isso vivemos com nossos “bebês”!


E a emoção do chamamento tão esperado? Ah, sim! Fui privilegiada pois não tive de esperar meses e meses... no primeiro dia em nosso lar, eu ouvi: “Mamãe!”.

30.5.07

O QUE VOCÊ ESPERA DE SEUS FILHOS?


Artigo de Ana Paula Viezzer
Acadêmica do 5º. Ano do Curso de Psicologia da UFPR, Bolsista PIBIC/CNPq


Certa vez, alguém colocou um patinho para que uma gata tomasse conta. Ele seguia sua mãe adotiva por toda parte. Um dia os dois foram parar diante de um lago. Imediatamente o patinho entrou na água, enquanto a gata gritava da margem:
- Saia daí! Você vai morrer afogado!
E o patinho respondeu:
- Não, mamãe. Descobri o que me faz bem, e sei que estou no meu ambiente. Vou continuar aqui, mesmo que a senhora não saiba o que significa um lago.


Esta pequena fábula nos faz refletir sobre a relação entre pais e filhos. Ao nascer uma criança, muitos pais e mães criam expectativas exageradas sobre o futuro da criança e sobre o que ela deve se tornar. Alguns idealizam até mesmo a profissão que o filho deveria escolher.
Idealizam a criança perfeita: aquela que brinca moderadamente para não sujar a roupa e sem fazer barulho para não atrapalhar os vizinhos; aquela que come um sorvete sem lambuzar a cara; aquela que acata absolutamente tudo o que os pais determinam (sua comida, suas roupas, seus brinquedos e brincadeiras) sem dizer nada. Para os pais seria muito cômodo ter um filho assim, que mais parece um pequeno adulto. Mas será que uma criança assim é feliz? Será que ela está desfrutando do “lago” de sua infância?
Estes pais e mães parecem não se permitir voltar à infância quando têm um filho. Pensam nas responsabilidades, mas é uma pena que esqueçam de brincar, voltar a ser criança e conseguir se colocar na posição de filho. E assim, esquecem também de exercitar a empatia* com seus filhos. Acreditam que seus filhos devem pensar como adultos e fazer as coisas como adultos e acabam por cometer um grande erro.
Uma criança pensa e age como criança, ou seja, ela vai brincar sem se preocupar se a roupa está sujando ou se sua gargalhada e cantoria estão atrapalhando alguém. Ela vai tomar sorvete ou comer chocolate se lambuzando, porque assim é mais gostoso e divertido. E ela não vai aceitar passivamente tudo o que lhe é imposto. Dizer não e dar ordens são duas coisas muito importantes que os pais devem fazer nos momentos adequados, mas às vezes os argumentos da criança podem ter fundamento e coerência, precisam ser ouvidos e respeitados. Ouvir a opinião de uma criança não diminuirá a sua autoridade ou controle, muito pelo contrário, isto os aproximará.
Pais e mães, Procurem exercitar a empatia! Procurem descobrir as coisas que seus filhos gostam, as preferências, os ambientes e atividades em que eles se sentem bem. Procurem descobrir o que todas estas coisas significam para eles. Ao descobrirem o “significado do lago” um laço afetivo muito mais forte os unirá! Seus filhos se sentirão mais compreendidos, respeitados e amados!


* O que é empatia? É a habilidade de se colocar no lugar do outro e compreender mais profundamente o que o outro sente, pensa ou faz.

3.5.07

REGRESSÃO


Estamos vivendo a experiência da regressão, uma fase comum na adoção tardia. A Thamires (8 anos e 7 meses) quis porque quis uma chupeta; insistiu nessa idéia várias vezes. No domingo, estávamos numa loja de brinquedos, ela viu a chupeta e pediu de novo. Minha mãe estava junto e resolveu comprar para ela.
O Davi (7 anos e 5 meses) e a Raquel (10 anos e 4 meses) quiseram uma mamadeira. Agora eles querem tomar mamadeira toda noite, no colinho da mamãe e do papai, igual bebê.
A Thamires experimentou a mamadeira uma vez, engasgou e não quis mais, mas dorme com a chupeta. Hoje ela queria levar a chupeta para a escola de qualquer jeito, sem nem se importar se os outros iam debochar dela, mas eu não deixei.
No início da sua adaptação, a Quelzinha, com 7 anos e 4 meses, teve muita curiosidade sobre meu corpo, principalmente meus seios. Acabou se contentando em brincar com as mãos, coisa que faz até hoje. A Thamires foi logo imitando a Quel. O Davi demorou um pouco, mas também já matou a curiosidade.
A Thata e o Davi nunca fizeram xixi na cama, mas a Quel...muitas vezes no começo.




“Geralmente, a criança adotada tardiamente vive um processo psíquico de regressão. Ela se reporta ao estado imaginário de recém-nascido e vive uma espécie de segundo nascimento, a partir do qual ela pode percorrer de novo seu desenvolvimento e até resolver melhor as fases da constituição do ego.A fase mais regressiva do processo de adoção tardia é a fantasia de reinclusão no corpo maternal. O “fantasma intra-uterino” leva a criança a buscar, através do contato corporal pele a pele,boca a boca, a realização do desejo de se reintroduzir no corpo materno, de voltar a viver na barriga da mãe( no caso, de habitar pela primeira vez). O desejo de renascer da barriga desta mãe é um ponto importante na identificação do processo de filiação que a criança, começa a estabelecer com as novas figuras parentais.” - Rosa Pires Aquino – Psicóloga/Coordenadora Projeto Padrinho


“É comum crianças em idades avançadas perderem temporariamente o controle dos esfíncteres, voltarem às mamadeiras, às chupetas.
Essa regressão é vista como muito positiva pela psicologia pois simbolicamente a criança renasce para a vida nova.” - Adriane Albuquerque Cirelli - Pedagoga, Psicopedagoga Clínica e Hospitalar

17.4.07

Cuidados que devemos ter ao falar com crianças



Mesmo sem perceber, a gente adora enquadrar as pessoas em categorias para defini-las e descrevê-las. Quando isso envolve uma criança, criamos um problema. E pais e professores fazem isso em profusão. "Meu filho é tímido", "aquela criança é agitada", "fulano é mentiroso", "tal aluno é fofoqueiro" são algumas descrições que já ouvi adultos fazerem a respeito de crianças. E, de fato, essas crianças podem apresentar as características apontadas.

Mas, por que isso é problemático?É que a criança vive, na infância, o período em que constrói sua imagem, e esse processo ocorre a partir de matrizes de identificação que ela encontra no ambiente em que vive. Quando uma criança mente algumas vezes e, a partir de então, passa a ser descrita como mentirosa, essa matriz passa a fazer parte da imagem que ela constrói a seu respeito. E vira até profecia, mesmo quando negada. Quando um educador, familiar ou escolar, diz para uma criança que ela não deve ser mentirosa, por exemplo, está afirmando que ela já é, ou está se tornando.

Mentir é diferente de ser mentiroso, mas uma criança ainda não faz essa distinção e, quando percebe que essa imagem a descreve, acaba por tomar essa referência para se situar, para se perceber e para se identificar. Ela adota uma parte como o todo e, a partir de então, é bem mais provável que a mentira passe a se tornar mais freqüente em sua vida. É que é assim que ela se reconhece porque é assim que os adultos próximos a reconhecem. O que um adulto diz para uma criança a respeito dela funciona, na verdade, como em espelho.Pode parecer apenas uma questão de construção lingüística, mas não é. Dizer para uma criança que ela mentiu e dizer que ela é uma mentirosa faz uma grande diferença no seu desenvolvimento. Ralhar com o filho por ele ter feito sujeira onde não deveria é diferente de dizer que ele é um porcalhão. Chamar a atenção de um aluno por ele não parar quieto quando deveria é bem diferente de dizer que ele é hiperativo.

Além disso, enquadrar a criança em determinadas categorias de comportamento ou de atitude, aniquila também a possibilidade de ela experimentar até encontrar o jeito mais adequado para si.

Lembro-me de um fato bem interessante que ilustra essa questão. Três crianças entre seis e oito anos, mais ou menos, almoçavam juntas no restaurante de um hotel. Os pais estavam por perto, mas elas preferiram a independência. Enquanto almoçavam, conversavam e se observavam, é claro. Em determinado momento, uma delas tirou um alimento do prato e colocou sobre a toalha da mesa. A outra, atenta, disparou: "Isso é feio! Se você não quer comer, deixa no prato". A resposta veio curta e grossa: "Eu sei". E, quando indagado do motivo de, mesmo assim, fazer, o garoto afirmou com a maior tranqüilidade: "É que sou teimoso". Dá para imaginar que essa criança ouve isso com muita freqüência, não é verdade?

(http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/arch2007-03-18_2007-03-24.html)

TEXTO ENVIADO PELA SILVINHA

12.11.06

Aumento nas “devoluções” preocupa

Fonte:http://canais.ondarpc.com.br/viverbem/
Autora:ÉRIKA BUSANIerikab@gazetadopovo.com.br

Aumento nas “devoluções” preocupa
O recente aumento na aceitação de crianças maiores para adoção trouxe um problema que preocupa todos os envolvidos no processo, a “devolução” de crianças. “Do ponto de vista emocional a devolução é sentida pela criança como uma reafirmação do trauma da separação – ou rejeição – de sua mãe biológica. Nesses casos, um bloqueio no desenvolvimento psíquico, físico e cognitivo é inevitável”, alerta a psicóloga Sibele Miraglia, que adotou Fábio, 10 anos, há um ano.Mas o que acontece para alguém que se dispõe a passar por um processo, esperar algum tempo – mais curto quando as crianças são maiores – para simplesmente desistir? “Isso é uma sociedade que reproduz o mercado, a cultura do descartável”, afirma a psicóloga Barbara Snizek, que fez um trabalho de pós-graduação sobre adoção. “Para a criança, é catastrófico”, garante.Falta também preparo para esses pretendentes à adoção. “Ter um filho é também agüentar frustração. Entre o sonhado, o ideal, e o que a criança realmente é, há uma distância. Talvez na maioria dos casos não tenha a ver com ser adotado ou não, mas com o fato de que ninguém tem idéia do que é ter um filho”, diz Barbara.“A culpa também é nossa”, assume a psicóloga Andréa Trevisan Guedes Pereira, da Vara da Infância e Juventude – Adoção. “É um processo que está mudando, as pessoas aceitam crianças maiores e estamos fazendo o processo da mesma forma. Elas têm de ser melhor preparadas.”Os técnicos da Vara estão iniciando um projeto para ampliar o trabalho de pré-adoção, colhendo dados com quem já adotou para saber onde estão os problemas. “A idéia é passar a experiência de quem já viveu isso, como a criança costuma se comportar, como sua experiência da vida anterior influencia na adaptação”, conta a assistente social da Vara de Adoção, Salma Mancebo Corrêa.Em Curitiba, os pretendentes à adoção passam por um curso preparatório de três dias. “Enquanto em outros países os adotantes precisam passar por extensos cursos – no mínimo 6 meses – para compreender o processo que envolve uma família por adoção, no Brasil, a maioria dos Juizados nem dispõe de preparação, simplesmente seleciona”, indigna-se a doutora em psicologia Lidia Weber.Talvez falte mesmo para esses pretendentes compreender que a adoção é apenas um outro caminho para se ter um filho. Que, como qualquer criança, traz alegria, tristeza, emoção, dúvida, carinho, faz birra, se suja, desobedece, dá aquele abraço inesperado. É preciso estar aberto para recebê-lo.

3.10.06

A solidariedade de um pequenino


A SOLIDARIEDADE DE UM PEQUENINO

"A sacolinha da minha querida Ana Paula está quase pronta!!! Fiquei tão feliz hoje...pela primeira vez depois de muito tempo visitei a seção feminina infantil para adquirir a sandalhinha a as calcinhas da "barbie" para minha afilhada do dia das crianças!!! rsss Fiquei toda prosa! e meu Henrique perguntou, desconfiado:(até pq ele estava me ajudando segurando os produtos que eu escolhia) "Mainha quem vai usar essa sandália e essas calcinhas pq vc já é grande né?! E agente não é menina!!!" rsss "É para nossa irmãzinha que vai chegar?!" Achei o máximo!!!
Tive que explicar tudinho e não sei se ele entendeu tudo mesmo, mas entendeu que era para enviar para uma amiguinha que estava precisando lá em "San Paulo"!!! rsss.
Ele irá me ajudar a escrever a cartinha para ela tb!!! Irá ditar a mensagem que gostaria de enviar pra ela!!!
É pena fazermos tão pouco e só podermos apadrinhar uma criança! Mas, estou fazendo disso uma lição de como devemos sempre estarmos preparados para ajudar para meu Henrique ir se acostumando com isso! Hoje quando estávamos na loja de departamentos ele teve que deixar as sandálias do super homen que ele queria, para comprarmos os produtos da Ana Paula e ele tirou dos pészinhos as sandálias que havia provado e falou que já tinha as do Batman que estávam muito boas ainda!!! rsss (foi tão gratificante observar o comportamento dele!) "Ela precisa mais não é Mainha?!"
Tá vendo como a Ana Paula, sem saber tá ensinando valores valiosos ao meu Príncipe Poderoso?!
Obrigada amiga por nos proporcionar esses momentos e pq apesar de morarmos em uma região rodeada de miseráveis e crianças muito pobres as quais tentaremos ajudar com o que pudermos para o dia das crianças, natal e todo mês um pouco...sei do valor de se ajudar ao que não está tão próximo e não veremos seus rostos ao receber nossos humildes presentinhos, mas que é tão importante e gratificante quanto!Bom, eu e meus dois filhos, principalmente o mais velhinho de 6 anos estamos apadrinhando uma menininha desse projeto. Está quase tudo pronto e aproveitei a oportunidade para ensinar o meu filho que temos o dever de ajudar aqueles que tem menos que agente! Ele está aprendendo a doar! A ser generoso, embora já seja uma criança super carinhosa e solidária com os demais.
Desta forma, ele passou de criança carente, quando estava em um abrigo muito pobre daqui do nordeste, para ajudar uma outra criança de SP.
Acredito, de coração que essa é uma oportunidade e tanto para mostrar aos nossos filhos que o mundo não gira só em torno do umbiguinho deles! rsss É só sabermos aproveitá-la!"
Depoimento da mamãe do Henrique, nossa amiga Dea

15.9.06

Vencedores Não Usam Drogas

Era essa a mensagem que eu via todas as vezes que acabava um jogo no fliperama. Ok, era em inglês, Winners Don't Use Drugs. Mas isso não me impediu de me viciar nessas máquinas.

Sim, eu fui viciado em fliperama. Sim, acho que não existe nada mais patético em termos de vício.

Normalmente quando se fala em drogas, os pais ficam em pânico. Mas eu sei que o que assusta mesmo não são as drogas, porque muitos desses pais fumam ou bebem ou tomam remédios controlados. Todos eles são drogas. O grande medo aqui é a dependência. Então vamos falar um
pouquinho sobre isso.

Jovens têm uma tendência natural à dependência. Eles não têm estrutura nenhuma pra lidar com nada. Qualquer coisa vira um enorme problema, porque eles estão numa fase de muitas mudanças muito rápidas. Isso deixa qualquer um sem chão. A sensação é mais ou menos como
se você perdesse seu emprego e família ao mesmo tempo. Duvida? Pois bem: ao chegar no terceiro ano do segundo grau, todos os alunos deixam de ser estudantes. Automaticamente perdem toda a identidade que tinham construído a décadas pra encarar alguma coisa
completamente nova e desconhecida. Além disso, perdem a identidade familiar também. É, sim, não teimem!

Eu sei que os adolescentes não são expulsos de casa (pelo menos não todos), mas o status deles na família muda completamente. Não tratam mais eles como crianças bonitinhas que se andarem de patinete pela sala as visitas batem palminha. E ao mesmo tempo, não tratam
eles como adultos, uma vez que eles nem tem maturidade pra serem tratados como tal.

Então, ok, ser adolescente é ficar perdido no mundo, mas e daí? Calma, eu ainda não acabei! Além de ficarem perdidos, os adolescentes têm a sensação de que são imortais. Sério, porque vocês acham que mandam jovens pra guerra? Qualquer adulto acharia loucura, mas eles
realmente acham que NÃO vão morrer. A morte é uma coisa distante, a velhice é uma coisa impalpável. Vocês já foram adolescentes, devem saber como é ótima a sensação de que não existe nada mais além do agora. Existem livros de auto-ajuda tentando fazer a gente
lembrar dessa sensação!

Agora estamos prontos: Temos uma pessoa que se sente um bocado perdida e que está disposta a tudo pra se encontrar e que ao mesmo tempo não liga pras consequências que nunca vão chegar. Essa é a receita perfeita pra uma pessoa compulsiva.

Imagine que uma menina pire na própria beleza. Ela pode tornar isso a rocha central da vida dela, se segurar na beleza como se fosse a coisa mais importante do mundo. E daí pra uma viciada em cirurgia plásticas é um pulo. Um adolescente pode querer jogar, tornar a vitória em um vídeo-game o centro da sua estabilidade: aí temos um Panthro adolescente. Ou ele
pode querer abrir sua mente, experimentar novas sensações e tornar isso o mais importante de tudo. E aí vai querer experimentar o que for. Inclusive drogas.

Não existe muita solução aqui. É, pais, a vida é triste, nem sempre a gente tem a resposta pra tudo. Como disse a Rita Lee: "Não adianta chamar / quando alguém está perdido / procurando se encontrar". O máximo que os pais podem fazer é serem compreensivos, entenderem que é a pior fase da vida e tentar mostrar pra eles que existem diversas coisas interessantes e
que o saudável é não se preender em uma coisa somente. E que eles vão estar lá quando for preciso. Qualquer tentativa de repressão só piora o sistema, porque o moleque já está se sentindo rejeitado. Compreensão e apoio são as chaves.

Tá e os filhos adotados? Nada, ué. Tem alguma diferença? Se você não cortar eles não sangram? No final dá no mesmo.

12.9.06

Adaptação


" Porque um dia, ver uma criança sem família, ao relento, ou sob cuidados de uma isntituição, causará a indignação necessária, para mobilizar tudo e todos, em prol de lhe garantir o direito fundamental à convivência familiar"
CECIF
Bom, aproveitando algumas dúvidas que surgiram no grupo de discussão do yahoo, vim aqui para contar sobre a adaptação do Natanael. Pode ser que você aí agora esteja se perguntando, por que ela só fala do Nata se tem três filhos. Aproveito para esclarecer, que não considero a adoção dos pequenos tardia ( tinham 2 e 3), para mim vieram pouco maiores que um bebezinho, e a adaptação foi muito tranquila, pois eu ja tinha essa enriquecedora experiência anterior, que foi a adoção de um menino de sete anos.
Esse não era o meu perfil, eu queria uma menina poderia ter até uns 6 anos, e meu marido queria até dois tanto fazia o sexo...mas preferia um menino. Como podem ver o Nata surpreendeu todo mundo.
Eu entrei com o meu pedido de habilitação em março de 2.001, numa época em que falavam na escola em que eu trabalhava, na destituição de 5 irmãs, e que talvez fosse preciso separar o grupo, fato que comoveu um grupo de amigos da minha diretora que se prontificaram a ficar cada um com uma das meninas, e ela sugeriu que eu ficasse com a menorzinha, na época com 11 meses ( hoje ela está linda com 6 anos, e foi adotada pela minha amiga Ana Cristina aos 4 anos de idade, única delas a ser adotada...as outras da pena de lembrar).
Como toda grávida do coração, me deu aquela agônia típica de querer o filho para ontem, de pensar nisso 24 horas por dia...foi uma época em que comecei a descobrir esse mundo da adoção, nem poderia imaginar as trilhas as vezes sinuosas do caminho...mas uma trilha que dá num lugar lindo e acolhedor que é o filho da gente.
Eu morava no interior de São Paulo e tinha família em São Bernardo e em Santos, no feriado de 15 de junho, fomos a Santos visitar minha sogra e ela nos convidou para ir a Casa Vó Benedita, eu não sabia que não era muito ético chegar a um abrigo procurando e sonhando comum filho, fato esse que aprendi com Tia Jane, AS de lá e um dos meus anjos, ela nos acompanhou numa visita e foi logo esclarecendo que nem todas as crianças estavam disponíveis, que na faixa que pensávamos era muito díficil, e se ofereceu para nos apresentar as crianças do abrigo...foi uma delícia, brincamos com todo mundo e na hora de ir embora o Léo tropeçou no Natanael, que foi logo pro colo dele, ja me abraçou , disse que eu havia demorado muito para ir buscá-lo...essa frase me arrepia até hoje.
Trinta dias depois conseguimos a guarda dele e pudemos levar para Assis...e aí sim começa o que podemos chamar de maternidade e paternidade...e infelizmente eles não vem com manual, mas eu tinha assistência técnica, ligava direto para a Jane e a Beth ( meu outro anjo) no abrigo.
O Nata aprontou poucas e boas, até fogo no caderno de tarefa ele tacou, um dia deixei de castigo no quarto e ele se pendurou na grade da janela e gritava " Socorro, estou preso aqui, socorro quero voltar pra creche"...hoje eu dou risada da cena, mas no dia eu chorava feito uma doida e liguei pra Beth, que me mandou dizer pra ele que se era isso que ele queria que eu iria levá-lo de volta...o menino ficou branco, mudou de assunto e nunca mais falou de voltar.
Muitas das coisas que eu relacionava a adoção, a adaptação dele, muita coisas que me preocupavam, conversando com mães de amigos dele, todos filhos biológicos, eu descobria que eram coisas e atitudes de meninos da mesma idade , e coisas que os amigos faziam também...aos poucos isso ia me tranquilizando.
Outra coisa que me ajudou demais foi o livro " Adoção tardia: da família sonhada a família possível" da Dra Marlizete Maldonado Vargas, Editora Casa do Psicólogo....não me canso de falar desse livro, ele foi meu grupinho de apoio, como a leitura dele me ajudou a entender os processos que passávamos, como as experiências relatadas no livro foram enriquecedoras.
Hoje em dia quem opta pela adoção tardia, tem nosso grupo para contar e fico feliz de ver nossa comunidade crescendo, e ver que muitas vezes dão o nome do nosso grupo como referência, isso me alegra demais...OBRIGADA !
Termino essa postagem dizendo que tudo valeu a pena, e que eu faria de novo...talvez nem criando desde o berço eu conseguisse ter um filho tão sensível, tão querido, tão bom, tão honesto...um ótimo filho, um ótimo irmão...ele ainda apronta as dele, qualquer dia eu conto as artes. MAs saibam que filho " velhinho" é tão filho quanto qualquer um, e que as experiências anteriores podem transforma num apessoa melhor ou pio rdepende do enfoque que a gente dá, dos limeites e da educação que uma família possibilita.

7.9.06

ADAPTAÇÃO



No grupo do Yahoo, estamos conversando sobre um dos maiores fantasmas da Adoção Tardia: a ADAPTAÇÃO !
Uma criança é diferente da outra, mas algumas fases, testes e inseguranças são comuns à maioria das crianças adotadas tardiamente.

A adaptação não é um mar de rosas, mas também não é um bicho de sete cabeças!

O grande segredo é a rotina! A criança precisa entrar imediatamente na vida real. A psico que cuidou do nosso processo e também é diretora do Grupo de Apoio disse numa palestra que o ideal é que a criança não chegue em tempo de férias, mas de trabalho e estudo. Nós sentimos bem isso! A Quel passou dois finais de semana conosco e veio para casa definitivamente no feriado de Páscoa. Fomos com meus pais para Santos e foi um sufoco, embora ela tenha adorado o mar. No domingo à noite, estávamos até chateados, mas decidimos que nos afastaríamos um pouco da família e entraríamos na nossa rotina. Bastou uma semana para que nos sentíssemos uma família de verdade!
A Quel passou por tudo o que lemos sobre a adoção tardia: ficou muda e arredia nos primeiros dias; recusava-se a conversar e a me olhar nos olhos quando eu chamava sua atenção por algo que tivesse feito de errado; estranhou alguns alimentos (bom! hihi isso ela superou em menos de uma semana!); bateu nas coleguinhas do colégio; recusou-se a obedecer a professora e, finalmente, disse que não éramos seus pais e que queria ir embora.
Por outro lado, a Quequel me chamou de mamãe no primeiro dia em nosso lar; sempre disse (e diz) todos os dias que me ama; presenteia-me com muitos beijos e abraços diários; desde o primeiro dia escreve cartinhas de amor.
O mais difícil foi o primeiro mês! Só um mês! Principalmente no colégio! Foi muito mais uma adaptação que qualquer criança que sai de um colégio estadual para um particular tem de enfrentar. Ela estava na 2ª série e não sabia ler direito e só escrevia com letra bastão. Decidi voltá-la para a 1ª série! A psicóloga do fórum aprovou minha decisão. Foi muito bom para a Quel, até mesmo emocionalmente. E ela não está atrasada nos estudos! Ela foi matriculada na 1ª série com 6 anos, sendo que o aniversário dela é em 27 de dezembro!
Em apenas um mês, a Raquel já lia e escrevia! Isso porque ela se recusava a estudar, hein? No começo, eu perdia a paciência facilmente, mas depois fui percebendo que era só elogiá-la, pegá-la no colo, dar-lhe um pouco de carinho!
Carinho! Era disso que a Quelzinha precisava e foi isso que fez que superássemos bem a fase de adaptação! Conversei bastante com ela e sempre lhe declarei o meu amor. Mas também fui firme nas regras.
No dia do grande teste, dia 3 de outubro de 2004, ela não teve coragem de dizer; ela escreveu vários bilhetes: "Eu não te amo mamãe. Eu não gosto de você."; "Eu nunca te amei mamãe. Eu odeio você e o papai."; "Sou eu, a Rá. (desenhou uma carinha chorando) Eu não sou sua filha."; "Eu nunca te amei. Nunca vou amar"; "Eu queria ir embora daqui". Eu também escrevi: "Quequel, você é minha filha! Papai do Céu deu você para mim! Eu esperei você chegar! Eu te amo para sempre! Não quero que vá embora da sua casa!". Ela respondeu: "Mamãe, quero ir embora hoje."
Então, eu fui ao seu quarto, peguei a mochila que ela trouxe do abrigo, pus em cima da cama e disse: " Eu te amo! Você é minha filha! Quero que fique! Mas se você quer ir embora, arrume sua mochila, quando o papai chegar ele te leva!" Uns segundos...ela guardou a mochila de volta, pegou um perfuminho dela, escreveu "Para você" e me entregou! Nós nos abraçamos e ela chorou bastante.
Ah, um tempo depois ela fez esse teste com o papai também. Mas foi bem rapidinho e com palavras mais amenas!
Minha coleção de cartinhas é maravilhosa:"Quando você ficar velha, eu vou cuidar de você"; "Fada mamãe, você é o amor da minha vida."; "Mamãe você é linda tomando banho. Sua fofa muito linda"; "Você é minha melhor amiga"...e muitos "eu te amo", "amor"...
O que eu quero lhes passar é que as dificuldades existem, mas são infinitamente menores do que o amor que recebemos de presente!

29.8.06




A adoção de crianças durante muito tempo desafiou a competência e a sensibilidade dos adotantes e dos técnicos. Aquilo que a criança “já havia” vivido era considerado como uma barreira intransponível, ela já estaria indelevelmente marcada pelos sofrimentos do abandono. Além disso, a adoção tardia, assim como a inter-racial, impossibilitavam o “fazer de conta que é biológico”, por isso, esse tipo de adoção era sumariamente descartado, e até mesmo desaconselhado, pela maioria dos candidatos.

O processo de transformação cultural que vive a adoção hoje, passando da imitação da biologia para a expressão de um direito da criança, o direito de crescer numa família e não numa instituição, vem permitindo a um número cada vez maior de crianças maiores a possibilidade de sonhar com uma adoção, vem permitindo a um número cada vez maior de pretendentes a possibilidade de viver os desafios, as conquistas e as alegrias inerentes a essas adoções.

Uma preciosa lição que nos é dada por pais como Decebal Andrei e Tizuka Yamazaki é a de que é preciso despertar na criança o desejo de ser adotada.

Uma criança maior precisa compreender e aceitar uma adoção, e essa é uma experiência humana particularmente complexa. Todos aqueles sentimentos que ela não viveu, não aprendeu a viver, tais como: confiança, segurança, estabilidade, afeto, continuidade, delicadeza, pertencimento, dentre outros, de um momento para o outro, passam a fazer parte de seu cotidiano, e devem ser aprendidos, apreendidos, assimilados.
Se é verdade que cabe ao pais uma grande responsabilidade, composta de muita paciência, tolerância e firmeza, na condução dessa mudança, é preciso reconhecer o imenso esforço que fazem os jovens adotados tardiamente para acreditar que, daquela vez sim, é para valer.

Promover aproximações graduais, estimular a fase de “namoro” quando ela for possível, disponibilizar uma Rede de apoio no pós-adoção, para os pais e para a criança, são medidas que aumentarão substancialmente as chances de êxito dessas adoções. Socializar a rica informação já disponível, em livros e vídeos, sobre o tema, também, consolidará esse processo de mudança e permitirá o crescimento das adoções tardias em nosso país.


Fernando Freire, Psicólogo da Associação Brasileira Terra dos Homens/ABTH

21.7.06

De vez em quando, chame um dos seus filhos sozinho e almoce ou faça programas diferentes com ele.
Diga o quanto ele é importante para você.
Pergunte como está a vida dele.
Fale sobre seu trabalho e seus desafios.
Deixe seus filhos participarem da sua vida.
Nenhuma técnica psicológica funcionará se o amor não funcionar.
Se você passar por uma guerra no trabalho, mas tiver paz quando chegar em casa, será um ser humano feliz.
Mas, se você tiver alegria fora de casa e viver uma guerra na sua família, a infelicidade será sua amiga.
Muitos filhos reconhecem o valor dos seus pais, mas não o suficiente para admirá-los, respeitá-los, tê-los como mestres da vida.
Os pais que estão tendo dificuldades com os filhos não devem sentir-se culpados.
A culpa engessa a alma.
Na personalidade humana nada é definitivo.
Você pode e deve reverter esse quadro. Você tem experiências riquíssimas que transformam sua história num filme mais interessante do que os de Hollywood. Se você duvida disso é porque talvez nem se conheça e, pior ainda, nem mesmo se admire.
Liberte a criança feliz que está em você.
Liberte o jovem alegre que vive na sua emoção, mesmo que seus cabelos já tenham embranquecido.
É possível recuperar os anos.
Deixe seus filhos descobrirem seu mundo.
Abra-se, chore e abrace-os. Chorar e abraçar são mais importantes do que dar-lhes fortunas ou fazer-lhes montanhas de críticas.

(Dr. Augusto Cury in: Pais Brilhantes, Professores Fascinantes)

20.7.06

Viver com ética - Ter ética é amar


VIVER COM ÉTICA - Ter ética é amar

Por Emerson Aguiar

Quem tem amor em seu coração por seu semelhante, tem ética.
Não adianta buscar um conceito cerebral para a ética, pois ela só é possível quando não pensamos apenas em nós mesmos.

A senda da Ética é repleta de desafios. Não basta ter boas intenções, é preciso boa vontade e obstinação para segui-la. Faz-se mister estar imbuído do sentimento certo ou todo esforço será vão.

Pode-se falar muito sobre Ética. Mas uma Ética só de palavras nada significa.

A Ética é uma afirmação das ações e não das palavras. Ela é uma possibilidade humana: a de reconhecer o outro como alguém importante e de, ao mesmo tempo, reconhecer-se nele.

Reconhecer o outro como importante quer dizer imputar-lhe valor. Isso se dá quando percebemos que as outras pessoas, assim como nós mesmos, têm medos, angústias, necessidades, aspirações e esperanças; quando identificamos, em outras palavras, sentimentos semelhantes aos nossos no outro. Nesse instante, descobrimos o outro como semelhante. Tomamos consciência de que ele está próximo de nós, pois tem limitações e potencialidades parecidas com as nossas.

Quando vemos isso com clareza, passamos a nos reconhecer no outro.

Contudo, ter ética é muito mais do que se dizer ético. Para sintetizar o que significa possuir um comportamento rigorosamente ético é preciso recorrer a uma pequena frase: ter ética é amar.

Ninguém se tornará ético por seguir um código, um manual ou uma receita. Pois estes até podem ser reflexos da ética, mas nunca a causa, pois a causa é o amor. O amor desinteressado, puro, penitente, generoso, leal, bondoso. Simplesmente o amor.

Nenhum treinamento pode conferir o título de "ético" ao indivíduo. Nem isso e nem mil leituras, ou diplomas, ou cursos, ou reconhecimentos de qualquer tipo.

Quem não entende a ética como amor, jamais entenderá a ética. Podemos entendê-la como "ciência do bem agir". Desde que entendamos e sintamos o que é isso. "Bem agir" significa fazer o que se deseja. Mas para que se possa fazer o que se deseja, é preciso saber o que efetivamente se deseja.

Para que os nossos desejos sejam justos e corretos precisamos amar.

Porém, antes de usarmos o "amor" como justificativa para atitudes desastradas é necessário conhecermos a sua natureza. E isso requer muita disciplina ou, como diria Vinícius de Morais, muita "seriedade".

O amor não é um jogo. Nós podemos até senti-lo como algo agradável e ameno, como uma brincadeira, mas é ele que nos escolhe e nos manipula e não o contrário. Da nossa parte é preciso muita reverência, dedicação e honestidade com o amor. O amor é que dita as regras. Sendo ele suave, precisamos aprender a sua suavidade; se ele é puro, é fundamental que também o sejamos; sendo fiel, sem fidelidade não nos aproximaremos dele; sendo perene e tranqüilo, tranqüilidade e paciência é o que ele nos pede. Sem isso o amor não é possível.
De acordo com a máxima latina "agere sequitur esse", nossos atos só serão amorosos se manifestarmos neles a essência do que somos. E essa essência é o amor. Sem ele, é impossível agir corretamente. Sem ação correta não há boa ação. E sem boas ações não existe Ética. Santo Agostinho sintetizou isso com genialidade: "Ama e faze o que quiseres".Portanto, antes de fazer qualquer coisa é preciso amar. Tolstoi já dizia: "Não faça nada que contrarie o amor".
A mais alta sabedoria das mais elevadas tradições religiosas aponta para um fato: ninguém que ame verdadeiramente é capaz de ferir o seu próximo. E o bom senso também nos comunica o mesmo. Quem descobriu o amor se torna incapaz da agressão ao seu semelhante. E quem não usa de violência e nem quer prejudicar os outros, mas, ao contrário, quer ajudá-los no que for possível, está, indiscutivelmente, credenciado como indivíduo ético. Para alguém assim, cada instante é o momento certo de dar um testemunho de amor...

André Luís nos diz que a "virtude não é voz que fala, é luz que irradia". A ética é a síntese de todas as virtudes aplicadas à vida prática. Só tem sentido, pois, quando vivenciada, quando "irradiada".

A ética corresponde à capacidade humana de agir de conformidade com valores superiores. Ela é o contraste que revela, através das ações, o melhor do ser humano. Uma teorização excessiva sobre a ética pode, todavia, desvirtuar completamente o seu sentido maior: ser feliz fazendo os outros felizes, minimizando o sofrimento alheio e ajudando as pessoas a superarem as suas dificuldades transitórias.

Parafraseando André Gide, podemos dizer que quando certos "especialistas" concluem a explicação do que seja a "ética", não é mais possível identificar qual foi mesmo a pergunta, de tão estranha, confusa e rebuscada que é a resposta. Mas nada disso é necessário, porque o real sentido da ética está dentro de nós mesmos. Ela é a inclinação que temos para o bem. Quando deixamos que se manifeste, quando permitimos que se atualize, que abra as suas asas e voe em liberdade, realizamos o propósito supremo da nossa própria existência: a felicidade sustentável, alicerçada na paz interior, na consciência de nossas próprias responsabilidades e no amor ao outro. Abandonamos, então, a velha idéia de "sucesso" baseada em nossa própria imagem, nome, prestígio, reputação, interesses mesquinhos e outras muletas sociais e psicológicas.

A ética é, tão somente, um epifenômeno. É a conseqüência da paz e do amor que entregamos a todos que encontramos. O amor é luz, sendo a ética luminosa, a sua fonte é o amor. Se manifestássemos todo o amor potencial que há em nós, seríamos deuses. Se observarmos bem, o que queremos dizer quando cumprimentamos os outros é que nos importamos com eles, com a sua felicidade. Quando os tocamos, gostaríamos de abraçá-los;quando os abraçamos, temos vontade de beijá-los; quando os beijamos, nossodesejo, na verdade, é o de levá-los em nossos braços pelas veredas da vida, como Deus faz conosco, sem que, muitas vezes, nos apercebamos disso. Queremos expressar que os amamos. Só não o fazemos melhor porque temos medo de assumir este sentimento que nos constitui intimamente. Mas como o amor é a nossa mais profunda natureza, não adianta fugir dele. Só seremos plenamente felizes quando o expressarmos totalmente. Como?

Sendo úteis, compreendendo, abençoando e perdoando radicalmente todos os nossos semelhantes e amando todas as criaturas de Deus. Cada um de nós deveria emanar só amor para o mundo. Se não fazemos isso, só pode ser porque estamos doentes. Porém, quem disse que a ignorância não tem cura?

Haverá quem diga que a humanidade nunca foi assim. Que somos o produto do que nossos antepassados foram, que repetiremos sempre os mesmos erros de antes, que não andamos para frente. Só será assim se acreditarmos nessas tolices! Houve sim muitos seres humanos que foram expressões vivas do amor. Gente conhecida e gente anônima. Porque não podemos ser assim também? Claro que podemos! As desilusões só atingem as ilusões, não os sonhos. Podemos sim viver com a consciência tranqüila, sem os deslumbramentos e as alucinações que se confundem com a felicidade, ter sonhos de paz e de amor e trabalhar pela sua realização. Se o nosso coração está no lugar certo, ninguém poderá parti-lo. Podemos, desde agora, levar tranqüilidade, gentileza e carinho a todos os outroscaminhantes da jornada da vida. Podemos sim fazer a diferença. Se a maioria não agiu assim antes, se não age assim ainda, não tem importância alguma. Seremos, nós mesmos, o ponto de mutação! Se ninguém liga para como agimos, tampouco interessa! Podemos olhar para uma flor ou para uma nuvem, que não querem ser nada mais do que eles mesmos. Não estão buscando resultado algum, assim como nós, quando temos amor. Somente devemos cultivar o amor e o respeito em nosso coração, sem nos preocupar com mais nada.

O amor é o maior patrimônio divino que há dentro de nós, ninguém pode acabar com ele. É o nosso traço mais perene. Quando sentimos, profundamente, que há oceanos de amor dentro de nós e, sobre eles, arco-íris de amor, não temos mais receio algum e, assim, a ética torna-se uma realidade viva em nós, e, também, nos outros, através de nós.

Nada disso é ingenuidade. Tolice é pensar que a vaidade e a astúcia podem conquistar alguma coisa que preste. Que proveito há em condenar o coração à paralisia? O que pode acrescentar a alguém desdenhar da virtude? Pautar a própria conduta por sentimentos elevados é sinal de prudência e não de pieguismo, como poderiam imaginam algumas inteligências doentes, pervertidas no cuidado de seus próprios interesses e envenenadaspelo excessivo amor-próprio. Perdidas nos labirintos de si mesmas, nem sequer suspeitam que é o amor que irriga o coração, fazendo com que a linda flor da ética desabroche no multicolorido jardim da nossa alma.

Aquele que ama, logo sente os efeitos do amor. Quem age com ética tem, em seu próprio modo de agir, a sua maior recompensa. Na linha do que disse também André Luis: "Quem acende uma luz é o primeiro a se iluminar".

Ter ética é amar. Ponto.